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Celulose pode fechar 1º semestre de 2026 com números positivos e investimentos bilionários

Recuperação dos preços, aumento de volumes e novos projetos industriais reforçam perspectivas positivas para a indústria de celulose, enquanto Mato Grosso do Sul concentra investimentos bilionários e amplia sua participação no mercado mundial.

Redação - Vale Celulose - Três Lagoas 
10/08/26 às 13h55

O mercado de papel e celulose atravessou o primeiro semestre de 2026 entre desafios no cenário internacional e sinais que permitem ao setor projetar um fechamento positivo do período.

A recuperação parcial dos preços, volumes elevados de produção e vendas, força das exportações brasileiras e continuidade dos investimentos bilionários em novas fábricas de celulose sustentam uma perspectiva favorável para a indústria.

Na China, principal referência mundial para a commodity, a celulose de fibra curta chegou à faixa de US$ 600 a US$ 610 por tonelada em abril, segundo análise da XP. Dados divulgados pela Suzano também mostram que, no primeiro trimestre, os índices PIX/FOEX da fibra curta avançaram, em média, 9,4% na China e 11,9% na Europa em relação ao quarto trimestre de 2025.

Apesar da resistência dos compradores chineses a novos reajustes, o comportamento dos preços representou uma recuperação frente aos níveis observados no final do ano passado.

Suzano mantém volumes elevados

A Suzano , maior produtora mundial de celulose, comercializou 2,835 milhões de toneladas de celulose no primeiro trimestre de 2026 , crescimento de 7% sobre igual período de 2025.

O preço líquido médio realizado ficou em US$ 560 por tonelada , enquanto a receita líquida consolidada chegou próxima dos R$ 11 bilhões . O EBITDA ajustado atingiu R$ 4,6 bilhões , sendo aproximadamente R$ 4 bilhões provenientes do negócio de celulose.

A competitividade de custos continua sendo um dos principais diferenciais da companhia. Para 2026, a Suzano trabalha com expectativa de custo caixa médio de aproximadamente R$ 800 por tonelada , fator estratégico em um mercado internacional marcado por oscilações de preços.

Klabin registra EBITDA de R$ 2 bilhões no segundo trimestre

Os resultados da Klabin também reforçam a capacidade de geração de caixa da indústria brasileira.

No primeiro trimestre, a empresa alcançou receita líquida de R$ 4,9 bilhões , crescimento de 2% na comparação anual, e comercializou 401 mil toneladas de celulose , avanço de 16%.

Já no segundo trimestre, a receita líquida atingiu R$ 5,2 bilhões , enquanto o EBITDA ajustado chegou a R$ 2 bilhões , com margem EBITDA de 38%. Entre abril e junho, foram vendidas 386 mil toneladas de celulose .

A companhia destacou que o desempenho foi favorecido pelo aumento dos preços da celulose em dólar e pelo crescimento dos volumes de papéis e embalagens, embora a valorização do real tenha reduzido parte desses ganhos.

Exportações mostram força da indústria brasileira

No comércio exterior, os números também ajudam a sustentar uma leitura positiva.

Segundo a Indústria Brasileira de Árvores (Ibá) , as exportações do setor de árvores cultivadas movimentaram US$ 3,6 bilhões somente no primeiro trimestre de 2026 , mesmo diante das incertezas geopolíticas e do aumento do protecionismo internacional.

O setor entrou em 2026 depois de alcançar números históricos. Em 2025, o Brasil produziu 29,4 milhões de toneladas de celulose , crescimento de 6,9%, enquanto as exportações chegaram a 20,7 milhões de toneladas , avanço de 11,6%.

A competitividade das florestas plantadas de eucalipto , a elevada produtividade por hectare e o custo de produção brasileiro continuam entre os principais diferenciais do país no mercado internacional.

Investimentos bilionários mantêm confiança no setor

Mais do que os resultados financeiros de curto prazo, o volume de investimentos mostra a confiança das empresas nas perspectivas de longo prazo da indústria brasileira de celulose .

E Mato Grosso do Sul tornou-se um dos principais destinos desse capital.

A entrada em operação da fábrica da Suzano em Ribas do Rio Pardo adicionou aproximadamente 2,55 milhões de toneladas anuais de capacidade produtiva , consolidando o Estado entre os maiores polos produtores do mundo.

Em Inocência , a Arauco avança na implantação do Projeto Sucuriú , investimento estimado em US$ 4,6 bilhões . A fábrica terá capacidade para produzir aproximadamente 3,5 milhões de toneladas de celulose por ano , com início das operações previsto para 2027.

Quando concluída, será uma das maiores unidades de celulose construídas em etapa única no mundo.

Outro empreendimento estratégico está previsto para Bataguassu . A Bracell trabalha em um projeto estimado em aproximadamente R$ 16 bilhões , que já recebeu licença prévia ambiental e poderá representar uma nova fronteira de expansão da indústria no Estado.

Somados à operação da Eldorado Brasil em Três Lagoas e ao complexo industrial da Suzano no município, esses projetos fortalecem a formação do chamado Vale da Celulose de Mato Grosso do Sul .

Primeiro semestre aponta para fechamento positivo

Embora o setor ainda enfrente pressão sobre preços internacionais, valorização do real e aumento da oferta global, os indicadores conhecidos até agora permitem projetar um primeiro semestre de 2026 com números positivos para a indústria de celulose .

O aumento dos volumes comercializados, a recuperação parcial das cotações, a geração de caixa das grandes produtoras, o desempenho das exportações e, principalmente, a manutenção de uma carteira bilionária de investimentos mostram uma indústria que continua apostando no crescimento.

O desafio para o segundo semestre estará principalmente na capacidade do mercado internacional de absorver a expansão da oferta, especialmente diante das novas fábricas brasileiras.

Nesse cenário, empresas com baixo custo de produção , elevada produtividade florestal, logística eficiente e estrutura financeira equilibrada tendem a permanecer mais competitivas.

Para o Brasil, a perspectiva permanece estratégica. O país amplia sua presença no mercado global de celulose , enquanto Mato Grosso do Sul se consolida como um dos principais centros dessa nova fase de expansão, reunindo produção, florestas plantadas , infraestrutura logística e alguns dos maiores investimentos privados da indústria de celulose em andamento no mundo.

 

 

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