Mato Grosso do Sul ainda tem espaço para ampliar significativamente sua base de florestas plantadas. Depois de uma expansão acelerada nas últimas décadas, o Estado caminha para uma nova etapa impulsionada pelas fábricas existentes e pelos grandes projetos industriais em implantação ou planejamento.
Dados apresentados pela Semadesc apontam uma área próxima de 1,9 milhão de hectares de florestas plantadas e uma projeção de alcançar aproximadamente 2,5 milhões de hectares nos próximos anos.
Considerando uma base de aproximadamente 1,88 milhão de hectares e a projeção de 2,5 milhões, existe um horizonte de expansão de cerca de 620 mil hectares de florestas plantadas.
Isso representa crescimento próximo de 33% sobre essa base atual.
Crescimento acelerou em pouco mais de uma década
A dimensão da transformação aparece quando os números são comparados historicamente.
Segundo a Semadesc, Mato Grosso do Sul possuía aproximadamente 341 mil hectares de florestas plantadas em 2010. Na safra 2024/2025, a área chegou perto de 1,9 milhão de hectares, expansão superior a 500%.
O Estado possui atualmente a segunda maior área de eucalipto do Brasil e concentrou cerca de 80% da expansão nacional registrada em 2024, conforme dados apresentados pelo Governo de Mato Grosso do Sul.
Ribas do Rio Pardo ilustra essa transformação. O município já possui mais de 460 mil hectares de florestas plantadas e se tornou um dos principais centros da nova fronteira florestal do Estado.
Três Lagoas, Ribas do Rio Pardo, Inocência, Água Clara e municípios do entorno formam uma região que passou a concentrar grande parte dessa cadeia produtiva.
Novas fábricas aumentam demanda por madeira
A expansão não acontece por acaso. A necessidade de matéria-prima cresce na mesma proporção em que novos projetos industriais avançam.
O Projeto Sucuriú, da Arauco, em Inocência, integra esse novo ciclo industrial. Outro empreendimento de grande porte projetado para Mato Grosso do Sul é a unidade da Bracell em Bataguassu.
Somente o projeto da Bracell prevê consumo de aproximadamente 12 milhões de metros cúbicos de eucalipto por ano , demonstrando a dimensão da base florestal necessária para sustentar uma fábrica de grande escala.
A projeção estadual de chegar a 2,5 milhões de hectares considera justamente o avanço desses grandes investimentos e a necessidade de ampliar a oferta de madeira.
Expansão deve ocorrer sobre áreas já alteradas
O avanço das plantações comerciais, porém, traz também um debate sobre ocupação territorial.
O Governo do Estado sustenta que parte importante dessa transformação produtiva ocorre pela conversão de pastagens de baixa produtividade e áreas anteriormente antropizadas em florestas plantadas e outras atividades agrícolas. Dados apresentados pela Semadesc apontam ainda que aproximadamente 38% do território sul-mato-grossense permanece com vegetação nativa.
Ao mesmo tempo, o crescimento acelerado tem provocado discussões sobre planejamento territorial, disponibilidade hídrica, biodiversidade e mudanças no uso do solo. Em março deste ano, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul defendeu planejamento ambiental e decisões baseadas em evidências científicas diante da expansão do eucalipto na Costa Leste.
Esse será um dos grandes desafios do próximo ciclo: compatibilizar o crescimento econômico e industrial com planejamento ambiental, infraestrutura e diversificação das atividades no campo.
Nova fronteira florestal
Com a projeção de aproximadamente 2,5 milhões de hectares, Mato Grosso do Sul poderá adicionar mais de 600 mil hectares à sua base florestal em relação ao patamar próximo de 1,9 milhão.
Não se trata, necessariamente, de uma área previamente definida que será ocupada. O número representa a diferença entre a base atual informada e a projeção estadual e dependerá da implantação dos projetos, disponibilidade de terras adequadas, licenciamento, infraestrutura, produtividade e estratégia de abastecimento de cada empresa.
O que os números indicam é que a expansão florestal de Mato Grosso do Sul ainda não chegou ao fim.
Depois de transformar Três Lagoas em referência mundial, avançar sobre Ribas do Rio Pardo e chegar a Inocência, a cadeia da celulose amplia seu raio de influência e coloca novas regiões do Estado no mapa dos investimentos florestais brasileiros.
