A Suzano anunciou um reajuste de US$ 20 por tonelada no preço da celulose destinada à China e aos demais mercados asiáticos. A nova tabela começa a valer em setembro e representa o primeiro movimento de alta da companhia na região desde abril.
A decisão ganha relevância para o mercado global de celulose , principalmente pelo peso da China no consumo mundial da commodity e pela posição da Suzano entre as principais referências internacionais na produção de celulose de fibra curta de eucalipto .
Segundo informações divulgadas nesta sexta-feira (28), a companhia já está comunicando seus clientes asiáticos sobre o novo patamar de preços. Em abril, a empresa também havia promovido aumento de US$ 20 por tonelada.
Mercado vê sinais de recuperação
O reajuste ocorre em um momento de expectativa de melhora nas condições do mercado internacional. Analistas do UBS BB avaliam que a celulose de fibra curta branqueada de eucalipto (BEK) encontrou um piso próximo de US$ 550 por tonelada na China . Caso o novo aumento seja efetivamente absorvido pelo mercado, os preços podem alcançar uma faixa entre US$ 580 e US$ 590 por tonelada .
O BTG Pactual também observa sinais positivos no mercado chinês. Entre eles está a recuperação dos preços de revenda, considerada um indicativo de que compradores começaram um processo de recomposição dos estoques de celulose . O aumento dos custos enfrentados por produtores integrados chineses também pode favorecer a competitividade da celulose importada.
O Bradesco BBI, por sua vez, considera o reajuste uma surpresa positiva depois de meses de descontos que levaram os preços na China de aproximadamente US$ 600 para US$ 560 por tonelada. A instituição aponta ainda estoques relativamente baixos e uma sazonalidade mais favorável para o quarto trimestre como fatores que podem contribuir para a sustentação das cotações.
Brasil acompanha movimento do mercado internacional
A recuperação dos preços da celulose na China é especialmente importante para a indústria brasileira, que possui forte presença no mercado internacional graças à competitividade da fibra curta produzida a partir do eucalipto.
O movimento também é acompanhado de perto pelo setor de celulose e papel em Mato Grosso do Sul , estado que concentra grandes operações industriais e vive um novo ciclo de expansão da capacidade produtiva.
Com o reajuste anunciado pela Suzano, o mercado passa a observar se outras produtoras seguirão o movimento e, principalmente, se a demanda chinesa terá força suficiente para sustentar uma trajetória de recuperação das cotações ao longo dos próximos meses.
Fonte: Valor Econômico, Reuters e informações do mercado financeiro
