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UFN3 coloca Três Lagoas no centro da estratégia para reduzir dependência de fertilizantes

Com avanço do Profert no Senado e retomada da fábrica da Petrobras, Mato Grosso do Sul fortalece posição estratégica em um corredor que reúne celulose, agronegócio, logística e, agora, produção de insumos essenciais para o campo.

Redação - Vale Celulose - Três Lagoas 
12/08/26 às 10h16
(Foto: Imagem aérea da UFN3 - Imagem: Divulgação)

A retomada da UFN3 (Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III) , em Três Lagoas, ganha ainda mais importância estratégica diante do avanço de uma política nacional para reduzir a dependência brasileira de fertilizantes importados.

Nesta terça-feira (11), o Senado aprovou o projeto que cria o Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert) , iniciativa voltada ao estímulo da produção nacional. O texto segue para sanção presidencial.

Para Mato Grosso do Sul, a discussão nacional encontra um de seus principais pontos de convergência justamente em Três Lagoas. A cidade, já consolidada como um dos maiores polos brasileiros da indústria de celulose , passa a ocupar também posição relevante na estratégia nacional de fertilizantes com a conclusão da UFN3.

A combinação fortalece ainda mais o eixo econômico e logístico do leste de Mato Grosso do Sul, região diretamente ligada à chamada Rota da Celulose , corredor que vem recebendo investimentos para suportar a expansão florestal e industrial do Estado.

Brasil busca diminuir dependência externa

O Profert tem como objetivo incentivar investimentos na implantação, ampliação e modernização da infraestrutura destinada à produção brasileira de fertilizantes e de suas matérias-primas. A proposta é aumentar a capacidade industrial do país e reduzir a exposição do agronegócio às oscilações do mercado internacional.

A versão aprovada pelo Senado sofreu mudanças em relação ao texto que havia passado pela Câmara. A previsão fixa de R$ 10 bilhões em benefícios fiscais entre 2027 e 2031 foi retirada, e os recursos destinados aos incentivos deverão observar a disponibilidade financeira e orçamentária federal de cada ano. Segundo o acordo relatado pelo Senado, parte da questão fiscal deverá ser tratada separadamente.

Mesmo com as alterações, a aprovação reforça um movimento que ganhou peso nos últimos anos: transformar a produção de fertilizantes em uma questão de segurança econômica, agrícola e industrial .

UFN3 entra diretamente nessa estratégia

É nesse cenário que a UFN3 de Três Lagoas assume papel de destaque. A Petrobras aprovou em abril de 2026 a retomada do empreendimento, incorporado às diretrizes do Plano de Negócios 2026-2030 da companhia. A unidade permaneceu paralisada por mais de uma década e tem aproximadamente 81% de sua estrutura executada.

Quando estiver em funcionamento, a fábrica terá capacidade para produzir cerca de 1,2 milhão de toneladas de ureia por ano , além de aproximadamente 70 mil toneladas anuais de amônia , segundo dados divulgados pela Petrobras.

A localização é outro diferencial. Instalada em Três Lagoas, próxima de importantes mercados agrícolas do Centro-Oeste e do Sudeste, a UFN3 poderá atender principalmente Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, Paraná e São Paulo , reduzindo distâncias entre produção e consumo e ampliando a segurança de abastecimento.

Da celulose aos fertilizantes

A retomada da fábrica também amplia a importância econômica da região conhecida pela expansão da indústria florestal. Três Lagoas já possui uma estrutura industrial fortemente ligada à produção de celulose e eucalipto , enquanto municípios do entorno recebem novos investimentos florestais, industriais e logísticos.

Com a UFN3, esse corredor passa a reunir cadeias produtivas diferentes, mas complementares em importância para a economia brasileira: de um lado, a celulose , segmento no qual Mato Grosso do Sul se tornou protagonista mundial; de outro, os fertilizantes nitrogenados , fundamentais para sustentar a produtividade do agronegócio.

Essa convergência aumenta a relevância da infraestrutura rodoviária e ferroviária da região e reforça a necessidade de investimentos capazes de atender ao crescimento do fluxo de matérias-primas, produtos industriais e cargas agrícolas.

Três Lagoas ganha papel nacional

A UFN3 deixa, portanto, de representar apenas a retomada de uma grande obra industrial. O empreendimento passa a integrar uma discussão maior sobre soberania produtiva e redução da dependência externa do Brasil .

A ureia produzida na unidade é um dos principais fertilizantes nitrogenados utilizados pelo setor agrícola. A Petrobras destaca que a ureia possui 46% de nitrogênio e é utilizada diretamente como fertilizante agrícola, enquanto a amônia também funciona como matéria-prima para a fabricação de outros produtos do segmento.

Com a retomada da fábrica e o avanço de políticas como o Profert, Três Lagoas passa a ocupar uma posição singular no mapa industrial brasileiro: uma cidade inserida no coração da Rota da Celulose , mas que também poderá se transformar em um dos principais polos nacionais de produção de fertilizantes.

Para Mato Grosso do Sul, a combinação entre florestas plantadas, celulose, fertilizantes, agronegócio e logística amplia o peso estratégico do Estado. Para o Brasil, a UFN3 representa uma peça importante de um objetivo ainda maior: produzir internamente uma parcela crescente dos insumos necessários para manter a competitividade do campo e diminuir a vulnerabilidade diante do mercado internacional.

 

 

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