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Frete de contêineres volta a subir e pressiona comércio global

Tensões no Oriente Médio, congestionamentos em portos asiáticos e eventos climáticos elevam o custo do transporte marítimo e aumentam a atenção sobre cadeias exportadoras, incluindo o setor de celulose.

Infomoney - Redação - Vale Celulose - Três Lagoas 
17/08/26 às 08h03
(Foto: Tensão no Oriente Médio e tufão Dolphin elevam tarifas globais de contêineres - Imagem: Divulgação)

O mercado global de contêineres voltou a registrar pressão sobre os preços do frete marítimo internacional , em um cenário marcado por conflitos geopolíticos, restrições em importantes rotas comerciais e problemas climáticos. A movimentação acende um sinal de atenção para grandes cadeias exportadoras, como a de celulose e papel , que dependem da eficiência logística para alcançar mercados internacionais.

Segundo dados da consultoria Drewry divulgados na sexta-feira (14), o World Container Index (WCI) avançou 1% na semana, chegando a US$ 4.339 por contêiner de 40 pés . Foi a segunda semana consecutiva de alta do indicador.

A pressão é mais evidente em algumas das principais rotas internacionais. O frete de Xangai para Nova York avançou 10%, alcançando US$ 8.706 por contêiner de 40 pés , enquanto a rota entre Xangai e Los Angeles registrou aumento de 6%, chegando a US$ 6.244 .

Oriente Médio aumenta incertezas no transporte marítimo

Entre os fatores que ajudam a explicar o movimento estão as preocupações relacionadas à segurança de navegação no Canal de Suez e no Estreito de Ormuz . A instabilidade no Oriente Médio continua interferindo nas decisões das companhias marítimas e na organização das rotas internacionais.

O cenário também aparece nos resultados das grandes empresas do setor. A Maersk elevou recentemente sua projeção de resultados para 2026, apoiada pela forte demanda global por contêineres e pela elevação das tarifas, enquanto congestionamentos portuários e gargalos de infraestrutura continuam afetando o transporte internacional.

Tufão provoca congestionamento em portos da Ásia

Além das questões geopolíticas, o clima também passou a exercer pressão sobre a logística marítima mundial . A passagem do tufão Dolphin pela China provocou interrupções e restrições operacionais em terminais portuários, aumentando o congestionamento no Leste Asiático.

Em Xangai, o tempo médio de espera das embarcações chegou a 87 horas , enquanto em Ningbo alcançou 36 horas . Terminais também adotaram suspensões temporárias diante da piora das condições climáticas.

O impacto aparece ainda no Drewry Intra-Asia Container Index (IACI) , que avançou 6%, chegando a US$ 1.028 por contêiner de 40 pés , maior nível em seis semanas.

Outros gargalos ampliam a pressão. Restrições nas travessias pelo Canal do Panamá e a redução da vazão do Rio Reno, na Europa, também têm afetado cronogramas e a confiabilidade das cadeias internacionais de suprimentos. Companhias marítimas já anunciaram ainda sobretaxas relacionadas ao Canal do Panamá para determinadas rotas a partir de setembro.

Alta do frete entra no radar do setor de celulose

Para a indústria brasileira de celulose , que possui forte perfil exportador, oscilações no transporte marítimo são acompanhadas de perto. Mesmo quando determinados embarques utilizam soluções logísticas diferentes do contêiner convencional, aumentos generalizados nos custos marítimos e congestionamentos podem repercutir sobre disponibilidade de navios, planejamento portuário, prazos e custos ao longo da cadeia logística.

No Vale da Celulose de Mato Grosso do Sul , onde a expansão da produção aumenta a importância de corredores ferroviários, rodoviários e portuários, o comportamento do mercado internacional de fretes torna-se especialmente relevante. A competitividade do setor não depende apenas da produção dentro das fábricas, mas também da capacidade de levar grandes volumes aos mercados consumidores de forma eficiente.

O movimento recente mostra ainda a vulnerabilidade das cadeias globais de suprimentos diante da combinação de conflitos, fenômenos climáticos e congestionamentos. Mesmo após uma queda do WCI para US$ 4.255 no fim de julho, o índice voltou a ganhar força nas semanas seguintes, chegando agora aos US$ 4.339.

Para empresas exportadoras, o cenário reforça a necessidade de acompanhar as tarifas de contêineres , os custos do transporte marítimo , a disponibilidade de capacidade e possíveis mudanças nas principais rotas comerciais. Uma continuidade da pressão logística pode elevar custos e exigir novos ajustes nas estratégias de transporte internacional.

 

 

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