A companhia não prevê realizar grandes projetos de investimento nos próximos cinco anos e deverá concentrar esforços na geração de caixa, redução do endividamento e retorno aos acionistas.
A sinalização foi feita pelo presidente da empresa, Cristiano Teixeira , durante conferência com analistas após a divulgação dos resultados do segundo trimestre de 2026, conforme noticiado pelo Valor Econômico .
Segundo o executivo, a Klabin investiu aproximadamente R$ 30 bilhões nos últimos dez anos em ampliação da capacidade produtiva, modernização de equipamentos e entrada em novos segmentos. Depois desse ciclo, a estratégia passa a ser de maior disciplina na alocação de capital.
Isso não significa, porém, interrupção dos investimentos. A companhia continuará destinando recursos à manutenção das operações, silvicultura, modernização e projetos já programados. O que sai do horizonte de cinco anos são novos projetos considerados transformacionais ou de grande expansão.
A mudança já aparece nos números. Em 2023, a Klabin investiu R$ 4,307 bilhões , montante que caiu para R$ 2,8 bilhões em 2025 . Para 2026, a projeção divulgada pela empresa aponta investimentos de aproximadamente R$ 3,3 bilhões . A expectativa é de R$ 2,8 bilhões em 2027, R$ 2,5 bilhões em 2028 e, no longo prazo, um patamar anual entre R$ 2 bilhões e R$ 2,5 bilhões.
Somente no primeiro semestre de 2026, foram investidos R$ 1,496 bilhão , incluindo R$ 553 milhões principalmente em silvicultura, R$ 487 milhões na continuidade operacional das fábricas e R$ 408 milhões na modernização da caldeira de recuperação da Unidade Monte Alegre, no Paraná.
Empresa passa a priorizar geração de caixa
A estratégia ocorre depois da conclusão de importantes projetos de expansão. Entre eles está o Puma II , considerado o maior investimento da história da companhia, com aportes totais de aproximadamente R$ 12,9 bilhões .
Com os principais projetos entrando em fase de maturação, a Klabin espera transformar os investimentos realizados nos últimos anos em maior geração de caixa. A prioridade passa a incluir também a redução da alavancagem financeira e maior retorno de capital aos acionistas.
No segundo trimestre de 2026, a companhia registrou EBITDA ajustado de R$ 2 bilhões , com margem de 38%. A receita líquida consolidada alcançou R$ 5,2 bilhões. A alavancagem em dólar caiu para 3,2 vezes, redução de 0,7 vez nos últimos 12 meses.
Apesar da pausa em grandes expansões no horizonte de cinco anos, a companhia continua avaliando oportunidades futuras. Em uma perspectiva de aproximadamente dez anos, Cristiano Teixeira indicou confiança em novos investimentos ligados à fibra longa em Santa Catarina , onde a empresa já estudou um projeto bilionário para ampliação da produção de celulose, incluindo celulose fluff , utilizada principalmente na fabricação de produtos de higiene.
A decisão sinaliza uma mudança importante no ciclo da Klabin: depois de anos direcionando bilhões de reais para expansão, a maior produtora e exportadora de papéis para embalagens do Brasil entra em um período voltado à consolidação dos ativos, eficiência operacional e captura dos resultados dos investimentos já realizados.
Fonte: Valor Econômico, com informações complementares da Klabin.
