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China segue estratégica para a celulose brasileira em 2026

Maior mercado consumidor de celulose mantém peso nas exportações, enquanto avanço da produção chinesa, novos projetos e recuperação dos preços redesenham o cenário global.

Redação - Vale Celulose - Tres Lagoas 
17/09/26 às 08h20
(Foto: Celulose destino a China - Imagem: Ilustração)

A China continua no centro das decisões da indústria mundial de celulose e mantém importância estratégica para os produtores brasileiros. Cinco anos depois de o crescimento das compras chinesas impulsionar perspectivas positivas para o setor, o mercado chega a 2026 maior, mais competitivo e marcado por uma nova dinâmica entre oferta, demanda e preços.

Dados apresentados pela consultoria Hawkins Wright indicam que a China responde por aproximadamente 43% da demanda mundial de celulose de mercado . O tamanho dessa participação faz com que alterações no consumo, nos estoques e na produção chinesa tenham reflexos sobre preços internacionais e estratégias das grandes fabricantes.

Em 2026, um dos sinais positivos vem da própria indústria de papel. No segundo trimestre, a produção total de papel na China avançou 13,8% na comparação com o mesmo período de 2025 , segundo dados da SCI divulgados pela Suzano.

O aumento da produção ajuda a sustentar o consumo de fibra, embora o mercado também enfrente os efeitos da expansão da capacidade chinesa de produção integrada de celulose.

Mercado mostra recuperação

Em setembro, o mercado asiático apresentou sinais de melhora nas compras de celulose de fibra curta. Estoques mais baixos e movimentos de recomposição por fabricantes de papel contribuíram para um ambiente mais favorável aos fornecedores.

Dentro desse cenário, a Suzano anunciou aos clientes da China e de outros mercados asiáticos um reajuste de US$ 20 por tonelada a partir de setembro , primeiro aumento comunicado pela companhia para a região desde abril.

A movimentação ocorre depois de um período mais desafiador para o mercado chinês, especialmente durante o segundo trimestre, quando segmentos de papel enfrentaram pressão sobre a demanda e fabricantes locais adotaram maior controle sobre produção e estoques.

China amplia produção própria

Uma das principais diferenças entre o cenário atual e aquele observado no início desta década está na expansão da capacidade chinesa de produzir sua própria celulose.

Estimativas de mercado apontam para aproximadamente 6,8 milhões de toneladas adicionais de capacidade integrada entre o quarto trimestre de 2026 e 2027 .

A integração permite que fabricantes chineses produzam parte da celulose utilizada nas próprias unidades de papel, reduzindo potencialmente a necessidade de matéria-prima adquirida no mercado internacional.

Durante a Fastmarkets Forest Products Latin America Conference 2026, especialistas apontaram que essa expansão pode contribuir para manter as importações chinesas de celulose de mercado relativamente estáveis nos próximos anos.

Há, entretanto, diferentes avaliações dentro da indústria. O CEO da Arauco, Cristián Infante, destacou durante o evento que as importações chinesas continuam apresentando crescimento, ainda que moderado. Entre os fatores apontados estão o avanço do consumo de papel por habitante e as limitações para obtenção de madeira competitiva no mercado chinês.

Brasil mantém vantagem competitiva

Mesmo diante do aumento da produção chinesa, o Brasil permanece entre os países mais competitivos na fabricação de celulose de fibra curta.

A elevada produtividade das florestas plantadas de eucalipto, a escala das unidades industriais e a eficiência das operações florestais ajudam a colocar os produtores brasileiros em posição estratégica no comércio internacional.

O custo da madeira também ganhou importância nessa disputa. A disponibilidade de matéria-prima a preços competitivos é um dos fatores que podem favorecer produtores brasileiros diante de fabricantes localizados em regiões onde o abastecimento florestal é mais caro.

Ao mesmo tempo, o Brasil prepara uma nova expansão de sua capacidade produtiva.

Entre os principais investimentos está o Projeto Sucuriú, da Arauco, em Inocência, Mato Grosso do Sul , que terá capacidade para produzir aproximadamente 3,5 milhões de toneladas de celulose de fibra curta por ano . A previsão é de entrada em operação no quarto trimestre de 2027.

O empreendimento se soma a uma série de investimentos que transformaram Mato Grosso do Sul em uma das principais fronteiras mundiais da indústria de celulose.

China continuará determinante para o setor

O cenário de 2026 mostra que a relação entre a China e os produtores brasileiros entrou em uma nova etapa.

Se há alguns anos o crescimento acelerado das importações chinesas era o principal fator observado pelo mercado, agora a equação também envolve expansão da produção integrada dentro da China, disponibilidade e custo da madeira, níveis de estoques, crescimento da fabricação de papel e entrada de novas capacidades de celulose em outros países.

Ainda assim, pelo tamanho de seu mercado consumidor, a China continuará sendo um dos principais termômetros da indústria mundial de celulose .

Para o Brasil, o desafio será preservar as vantagens construídas a partir da produtividade florestal, escala industrial e eficiência logística. Com novos projetos entrando no horizonte produtivo, o país segue em posição relevante para atender tanto o mercado chinês quanto outros grandes consumidores globais de fibra.

 

 

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