Reconhecida como Capital Mundial da Celulose e principal referência do Vale da Celulose em Mato Grosso do Sul, Três Lagoas volta a ocupar posição de destaque no cenário da bioindústria ao receber, nos dias 23 e 24 de setembro, o 4º Workshop Internacional sobre Inovação em Biomassa .
Realizado no Instituto SENAI de Inovação em Biomassa (ISI Biomassa) , o encontro coloca a cidade sul-mato-grossense no centro de discussões que ultrapassam as fronteiras brasileiras e envolvem alguns dos principais desafios para o futuro da indústria: aproveitamento da biomassa, bioeconomia, inovação, sustentabilidade, transição energética e descarbonização.
Com o tema “Horizontes da Bioeconomia: Sustentabilidade e Inovação” , o workshop reúne especialistas, pesquisadores, representantes da indústria, instituições de ensino e empresas para promover intercâmbio de conhecimento e discutir tecnologias capazes de transformar recursos biológicos e resíduos em novos produtos, processos e oportunidades de negócios.
Três Lagoas ganha projeção internacional
A realização de um encontro internacional dedicado à biomassa justamente em Três Lagoas reforça uma transformação construída ao longo dos últimos anos. O município deixou de ser apenas sede de grandes unidades industriais para se consolidar também como ambiente de discussão sobre tecnologia, pesquisa, produtividade florestal e inovação aplicada à bioindústria .
O município possui oficialmente o cognome de Capital Mundial da Celulose , instituído pela Lei Estadual nº 4.336, de 11 de abril de 2013. A concentração da indústria de base florestal e a realização de encontros técnicos também fizeram da cidade uma referência para eventos ligados à cadeia de papel, celulose e florestas plantadas.
Nesse contexto, receber pesquisadores internacionais e representantes de algumas das maiores companhias ligadas à indústria, energia e setor florestal amplia a projeção de Três Lagoas como território estratégico para os debates sobre a nova economia baseada em recursos renováveis.
Ciência, tecnologia e indústria conectadas
A abertura institucional do workshop conta com a participação do diretor regional do SENAI/MS, Rodolpho Mangialardo ; do diretor de Inovação do SENAI Nacional, Roberto Medeiros ; do secretário-executivo de Ciência e Tecnologia da Semadesc, Ricardo Senna ; e do diretor do ISI Biomassa, João Gabriel Marini da Silva .
A primeira palestra magna traz uma dimensão internacional ao encontro. Com o tema “Bioeconomia como vetor de inovação e sustentabilidade global” , a apresentação será conduzida por Luciana Vieira , líder de grupo no Instituto Fraunhofer de Engenharia de Interfaces e Biotecnologia (IGB), em Straubing, na Alemanha.
A pesquisadora trabalha com processos eletroquímicos aplicados à síntese química sustentável, com destaque para valorização da biomassa e utilização de CO2 , além de coordenar projetos nacionais e europeus e manter colaborações internacionais, inclusive com parceiros brasileiros.
Gigantes do setor florestal participam das discussões
Para Três Lagoas e toda a região do Vale da Celulose, um dos principais momentos da programação será o painel “Bioeconomia Florestal e Agro: Inovação para o Futuro Sustentável” .
A discussão reúne diferentes perspectivas do setor produtivo, da pesquisa e da indústria para abordar como inovação, tecnologia e sustentabilidade podem avançar conjuntamente na construção de novos modelos de produção.
A mediação será de
Leonardo Caux, da Suzano
, com participação de
Elias Dias, da Arauco; Sharlhes Dias, da Eldorado Brasil; Andrea Giroldo, da Agrocete; Carolina Santos, da Nitro; e Carlos Labate, da Esalq/USP
.
A presença de
Suzano, Arauco e Eldorado Brasil
aproxima ainda mais o workshop da realidade econômica e industrial do Vale da Celulose.
Entre os temas relacionados às áreas de atuação dos especialistas estão melhoramento genético, produtividade e manejo florestal, sensoriamento remoto, inteligência artificial, biotecnologia, geoprocessamento e utilização de dados na tomada de decisões.
Da floresta para novos produtos
O workshop também amplia a discussão para além da produção tradicional de celulose. A proposta é mostrar como biomassa e conhecimento científico podem dar origem a novos produtos, matérias-primas, energia e modelos de negócios.
Essa discussão estará presente no painel “Da Biomassa à Indústria: Transformações Sustentáveis” , que pretende explorar possibilidades de aproximação entre recursos biológicos e aplicações industriais.
Mediado por
Fabio Toniolo, da UFRJ
, o encontro terá
Iguatemi Melo, da Natura; Ana Maria de Lima Terra, da Elekeiroz; Lucas Goulart, da Cedro; e Luiza Roza, da Braskem
.
Outro destaque será a palestra
“Potencial de geração de valor a partir de resíduos biogênicos”
, ministrada por
Robert Daschner, do Fraunhofer UMSICHT
, especialista em tecnologias avançadas de conversão de carbono e utilização de resíduos biogênicos.
A discussão parte de um princípio central da economia circular: materiais antes considerados resíduos podem se transformar em matéria-prima, recurso energético e oportunidade econômica.
Biomassa entra na transição energética
Outro eixo estratégico será a relação entre bioeconomia, energia renovável e redução das emissões de carbono .
O painel “Bioeconomia e Transição Energética: Caminhos para a Descarbonização” abordará transformação da matriz energética, fontes renováveis, aproveitamento da biomassa e desenvolvimento de novas tecnologias.
Mediado por
Marcos Lucio Corazza, da UFPR
, o debate reunirá
José Luiz Zontin, da Petrobras; Silvio Maranha, da Vale; Anderson Salum, da Acelen Renováveis; André Ferrarese, da Tupy; e Luiz Felipe Coulturato, da Adecoagro
.
Biorrefino, biocombustíveis, recuperação energética de resíduos, biogás, biometano e tecnologias de descarbonização estão entre as experiências relacionadas à atuação dos participantes.
Da Capital Mundial da Celulose para a bioeconomia
A realização do 4º Workshop Internacional sobre Inovação em Biomassa reforça uma nova etapa para Três Lagoas e para o Vale da Celulose.
A mesma região que ganhou projeção nacional e internacional pela expansão das florestas plantadas e da produção industrial de celulose passa a ampliar as discussões para aquilo que pode representar o próximo ciclo de desenvolvimento da cadeia: transformar biomassa, resíduos, conhecimento científico e tecnologia em novos produtos e negócios sustentáveis .
Ao receber especialistas brasileiros e internacionais e representantes de empresas como Suzano, Arauco, Eldorado Brasil, Petrobras, Vale, Natura, Braskem e Adecoagro , Três Lagoas se transforma, durante os dois dias de evento, em ponto de encontro entre ciência, indústria e bioeconomia .
Mais do que sediar um workshop, a Capital Mundial da Celulose ganha uma vitrine para mostrar que o futuro da cadeia florestal pode ir além da produção de fibra: passa pela inovação, pelo aproveitamento integral da biomassa e pela construção de uma indústria cada vez mais tecnológica, circular e de baixo carbono.
