AO VIVO
Inovação & Tecnologia

Três Lagoas está no centro do novo ciclo bilionário da celulose

Com investimentos de R$ 105 bilhões previstos no setor até 2028, município reforça posição estratégica em uma região que concentra fábricas, florestas, logística e novos projetos industriais.

Redação - Vale Celulose - Três Lagoas 
31/08/26 às 14h57
(Foto: Ciclo mas rapido de colheira de eucalipto - Foto: Imagem: Paulo Baqueta/Getty )

A indústria brasileira de papel e celulose entrou em um novo ciclo de expansão, com investimentos previstos de aproximadamente R$ 105 bilhões até 2028 . Em meio a essa movimentação bilionária, Três Lagoas ocupa posição estratégica , consolidada por uma estrutura industrial construída ao longo das últimas décadas e pela proximidade com alguns dos maiores projetos florestais em desenvolvimento no país.

O avanço transforma o leste de Mato Grosso do Sul em um grande corredor da celulose, envolvendo municípios como Três Lagoas, Ribas do Rio Pardo, Inocência, Água Clara e Brasilândia e movimentando uma cadeia que vai muito além das fábricas.

São investimentos que alcançam florestas plantadas, transporte, ferrovias, rodovias, máquinas, energia, tecnologia, qualificação profissional e fornecedores especializados.

Três Lagoas já tem produção em escala mundial

A posição de Três Lagoas nesse cenário não ocorre apenas por sua localização. O município possui uma base industrial de grande porte e reúne operações da Suzano e da Eldorado Brasil, além de uma extensa cadeia de empresas prestadoras de serviços ligada à atividade florestal.

Somente as duas linhas da Suzano instaladas em Três Lagoas possuem capacidade de produção de aproximadamente 3,2 milhões de toneladas de celulose por ano , volume equivalente a cerca de 25% da capacidade total de produção de celulose de mercado da companhia.

Em 2025, a empresa alcançou outro marco: 35 milhões de toneladas de celulose produzidas em Três Lagoas desde o início de suas operações industriais no município.

Essa estrutura ajuda a explicar por que a cidade permanece no centro das discussões sobre o futuro do setor. Na última semana de agosto, Três Lagoas recebeu a 14ª Semana de Celulose e Papel , reunindo profissionais, especialistas e empresas para debater competitividade, inovação e sustentabilidade. A própria organização destacou Três Lagoas e seu entorno como um dos principais polos brasileiros da indústria de celulose.

Expansão ultrapassa os limites do município

O novo momento, entretanto, não está restrito às indústrias já instaladas em Três Lagoas.

A expansão das florestas plantadas e a implantação de grandes projetos em municípios próximos ampliaram a dimensão econômica do chamado Vale da Celulose .

Um dos principais exemplos está em Inocência, onde a Arauco constrói o Projeto Sucuriú , investimento estimado em US$ 4,6 bilhões , aproximadamente R$ 25 bilhões considerando os valores divulgados no lançamento do empreendimento.

A futura indústria terá capacidade para produzir 3,5 milhões de toneladas de celulose por ano e deverá entrar em operação no final de 2027. Durante a implantação, o empreendimento prevê mais de 14 mil oportunidades de trabalho no pico das obras. Depois do início da produção, aproximadamente 6 mil pessoas deverão atuar nas operações industrial, florestal e logística.

A dimensão do empreendimento também revela o tamanho da infraestrutura necessária para sustentar a expansão da celulose em Mato Grosso do Sul.

Logística passa a ser parte fundamental do crescimento

Produzir milhões de toneladas de celulose exige movimentar diariamente madeira, produtos químicos, equipamentos, trabalhadores e, posteriormente, transportar a produção até os mercados consumidores.

Por isso, o novo ciclo industrial também pressiona investimentos em rodovias, ferrovias, saneamento, energia e infraestrutura urbana.

No Projeto Sucuriú, por exemplo, a operação logística está sendo estruturada para atender uma indústria de escala global. Ao mesmo tempo, investimentos públicos em infraestrutura avançam nos municípios do Bolsão para acompanhar o crescimento provocado pela expansão da cadeia florestal.

Nesse desenho regional, Três Lagoas assume uma função que ultrapassa a produção industrial.

A cidade reúne mão de obra especializada, empresas fornecedoras, serviços, comércio, infraestrutura e experiência acumulada em mais de uma década de operação de grandes plantas industriais. Essa estrutura tende a ampliar sua importância como base de apoio para os novos investimentos do setor no leste de Mato Grosso do Sul .

Um ecossistema industrial começa a ganhar escala

A expansão também abre uma nova frente econômica: a atração de fornecedores.

Uma fábrica de celulose depende de uma extensa rede envolvendo manutenção industrial, transporte, máquinas pesadas, automação, engenharia, produtos químicos, tecnologia, alimentação, segurança, construção civil e serviços especializados.

Quanto maior a concentração de plantas industriais e áreas florestais em uma mesma região, maior também é o potencial para que fornecedores decidam instalar operações próximas aos clientes.

É justamente essa concentração que diferencia Mato Grosso do Sul dentro do ciclo nacional de investimentos.

Três Lagoas possui fábricas consolidadas; Ribas do Rio Pardo recebeu uma nova operação industrial de grande escala; Inocência prepara a entrada do Projeto Sucuriú; e outros municípios ampliam sua participação por meio das operações florestais e logísticas.

Forma-se, assim, um corredor produtivo capaz de transformar o setor de celulose em plataforma para uma industrialização ainda mais ampla da região.

R$ 105 bilhões indicam novo capítulo para o setor

A projeção de aproximadamente R$ 105 bilhões em investimentos da indústria brasileira de árvores cultivadas até 2028 mostra que a expansão observada em Mato Grosso do Sul faz parte de um movimento nacional de longo prazo.

Novas fábricas, ampliação da capacidade produtiva, modernização industrial, florestas, logística, pesquisa, tecnologia e sustentabilidade estão entre as áreas que deverão receber recursos.

Para Três Lagoas, esse movimento representa uma nova etapa.

Depois de se consolidar como uma das principais cidades produtoras de celulose do país, o município passa a ocupar posição estratégica dentro de uma região industrial cada vez maior.

O desafio agora será transformar essa concentração de investimentos em novas empresas, qualificação profissional, infraestrutura e geração permanente de oportunidades.

Com bilhões de reais movimentando a cadeia florestal e novos projetos avançando no leste de Mato Grosso do Sul, Três Lagoas deixa de ser apenas uma grande produtora de celulose para assumir papel de centro de serviços, conhecimento, logística e negócios de um dos setores mais competitivos da economia brasileira.  

 EM DESTAQUE AGORA
VEJA TODOS OS DESTAQUES
 ÚLTIMAS EM INOVAÇÃO & TECNOLOGIA
Visiona9 Gestão Empresarial LTDA
58.521.834/0001-22
Editor responsável:
Wésley Mendonça SRTE/SP46357
valecelulose01@gmail.com
Todos os direitos reservados © 1999 - 2026 - Grupo Agitta de Comunicação.