O agronegócio brasileiro pode dar um importante passo para ampliar sua competitividade internacional com o fortalecimento da rastreabilidade ambiental das cadeias da soja e da carne bovina .
Um estudo divulgado pelo WRI Brasil conclui que o país já dispõe de uma estrutura avançada de monitoramento, mas precisa integrar os sistemas existentes para atender às crescentes exigências dos mercados globais e consolidar sua posição como fornecedor de produtos sustentáveis.
Batizado de Rastreando a Responsabilidade: fortalecendo o monitoramento do desmatamento nas cadeias de suprimento de soja e carne bovina do Brasil , o levantamento analisou 21 iniciativas de monitoramento socioambiental , sendo 10 voltadas à cadeia da soja e 11 à produção de carne bovina . O objetivo foi avaliar a capacidade brasileira de comprovar a origem sustentável desses produtos diante das novas exigências internacionais.
Segundo a pesquisadora Roberta del Giudice , do WRI Brasil, o país já possui ferramentas consolidadas, porém elas ainda operam de forma fragmentada.
"O Brasil já conta com sistemas robustos de monitoramento, mas a integração dessas informações é fundamental para aumentar a transparência e fortalecer a confiança dos mercados internacionais", destaca o estudo.
Os pesquisadores identificaram diferenças entre os protocolos existentes, como datas distintas para corte de desmatamento, cobertura desigual de fornecedores indiretos e diferentes mecanismos de verificação. Para superar esses desafios, o estudo apresenta 10 recomendações estratégicas , incluindo a criação de um marco nacional de referência para harmonizar critérios de monitoramento e rastreabilidade.
Agro ganha força no comércio internacional
A discussão ganha ainda mais relevância em um momento de mudanças no comércio global. Soja e carne bovina representam cerca de 60% do valor das exportações do agronegócio brasileiro , tendo a China como principal destino. O fortalecimento da rastreabilidade é visto como uma ferramenta para garantir acesso a mercados cada vez mais exigentes em critérios ambientais e de sustentabilidade.
Para o Portal Vale da Celulose , o avanço dessas políticas também interessa diretamente ao setor florestal. A crescente demanda internacional por produtos com origem comprovadamente sustentável tende a impulsionar investimentos em tecnologias de monitoramento, certificação e governança ambiental, fortalecendo toda a cadeia do agro , da silvicultura e da bioeconomia .
Tecnologia e sustentabilidade caminham juntas
O estudo destaca que o Brasil já dispõe de importantes instrumentos públicos, como o Cadastro Ambiental Rural (CAR) , sistemas de monitoramento por satélite e plataformas como o SeloVerde , além de protocolos utilizados por frigoríficos e tradings agrícolas. A recomendação é que essas ferramentas passem a atuar de forma integrada, permitindo maior transparência e reduzindo custos para produtores, exportadores e compradores internacionais.
A avaliação do WRI Brasil é que um sistema nacional harmonizado poderá fortalecer a imagem do agronegócio brasileiro , facilitar negociações comerciais com parceiros como China , União Europeia e outros mercados estratégicos, além de ampliar a segurança jurídica e ambiental das exportações brasileiras.
Com informações adicionais Agencia Brasil.
