A falta de um acordo internacional para enfrentar as secas acendeu um novo alerta para regiões dependentes dos recursos naturais e da disponibilidade de água.
A 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), realizada em Ulaanbaatar, na Mongólia, terminou sem uma estratégia global para ampliar a preparação dos países diante dos períodos prolongados de escassez hídrica.
O tema ganha importância especialmente para países como o Brasil , onde mudanças climáticas, seca, agricultura, florestas plantadas e segurança hídrica estão cada vez mais interligadas. A redução das chuvas e o aumento das temperaturas podem afetar desde comunidades rurais até grandes cadeias produtivas dependentes da água e dos recursos florestais.
Segundo especialistas ouvidos pela Agência Brasil, a ausência de consenso na COP17 poderá aumentar os impactos econômicos e sociais dos eventos extremos. As negociações sobre um mecanismo internacional de enfrentamento às secas foram adiadas para a COP18, prevista para ocorrer no Egito.
Secas pressionam florestas e produção
Além da disponibilidade de água para consumo humano, períodos prolongados de estiagem representam desafios para a produção agrícola e florestal . A menor umidade do solo pode comprometer o desenvolvimento das plantas, enquanto a vegetação mais seca aumenta o risco de incêndios florestais.
O problema já ultrapassa fronteiras. Especialistas apontam episódios de seca na Europa, redução dos níveis de água do Rio Colorado, nos Estados Unidos, e riscos associados ao Super El Niño em regiões que vão do sul da África até a Amazônia.
Um dos principais impasses da COP17 foi justamente a criação de um mecanismo multilateral capaz de financiar ações de prevenção e recuperação em países mais vulneráveis. Nações africanas defendem há várias conferências uma estrutura específica para enfrentar o problema, enquanto países mais ricos resistem à adoção de compromissos financeiros obrigatórios.
Investimentos em resiliência
Mesmo sem um acordo global, algumas iniciativas avançaram durante a conferência. Entre elas está o Mecanismo de Investimento para Resiliência à Seca (DRIF) , plataforma internacional criada para direcionar recursos exclusivamente ao enfrentamento da escassez hídrica.
A expectativa é mobilizar até US$ 400 milhões em investimentos públicos e privados para projetos relacionados à segurança hídrica, agricultura sustentável, recuperação de terras e soluções baseadas na natureza.
Também foi apresentado o primeiro Índice de Resiliência à Seca , ferramenta destinada a medir a capacidade dos países de antecipar, enfrentar e se adaptar aos períodos de falta de água.
Para o setor produtivo e para regiões de forte presença do agronegócio e da indústria de base florestal , o debate reforça a importância de estratégias de longo prazo envolvendo conservação dos recursos hídricos, manejo sustentável do solo, prevenção de incêndios e adaptação às mudanças climáticas.
Fonte: Agência Brasil
