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Biorrefinarias: como a indústria de celulose pode moldar a economia sustentável do século XXI

Tecnologia amplia o aproveitamento da madeira, gera novos bioprodutos e aproxima as fábricas de celulose do conceito das refinarias de petróleo.

Redação - Vale Celulose - Três Lagoas 
21/07/26 às 09h50
(Foto: Biorrefinrias, aproximação do conceito das fabricas de celulose - Imagem: Ilustração)

A evolução da indústria de celulose pode estar entrando em uma nova fase. O conceito de biorrefinaria , cada vez mais debatido no mundo, promete transformar as tradicionais fábricas de celulose em grandes centros de produção de energia renovável , biocombustíveis , produtos químicos verdes , biomateriais e outras soluções de alto valor agregado.

O tema foi abordado em artigo publicado pelo Correio Braziliense e reproduzido pela Indústria Brasileira de Árvores (Ibá) . Segundo especialistas, o Brasil reúne condições únicas para liderar essa transformação graças à abundância de florestas plantadas , à elevada produtividade do eucalipto e à força da cadeia florestal nacional.

Da fábrica de celulose à biorrefinaria

Hoje, uma fábrica de celulose recebe toras de eucalipto , retira a casca, transforma a madeira em cavacos e utiliza processos químicos para separar a celulose da lignina e dos demais componentes da madeira.

O principal produto desse processo é a polpa de celulose , utilizada na fabricação de papéis, embalagens, papéis sanitários, papéis especiais e diversos produtos industriais. Parte dos resíduos gerados também já é aproveitada para produzir energia elétrica e vapor, tornando as unidades praticamente autossuficientes em energia.

Nas biorrefinarias , porém, o conceito vai muito além.

Assim como uma refinaria de petróleo aproveita praticamente cada fração do petróleo bruto para produzir gasolina, diesel, querosene de aviação, GLP, lubrificantes, asfalto, solventes e matéria-prima para a indústria química, uma biorrefinaria florestal busca utilizar praticamente 100% da biomassa proveniente do eucalipto.

Na prática, a lógica industrial passa a ser semelhante: aproveitar integralmente a matéria-prima, reduzindo desperdícios e aumentando o valor agregado da produção.

Mais valor para a madeira

O conceito representa uma mudança importante para a indústria de base florestal .

Enquanto atualmente a maior parte da receita das fábricas está concentrada na venda de celulose , no futuro a produção poderá ser diversificada com dezenas de novos produtos destinados aos setores químico, farmacêutico, cosmético, energético, alimentício e de transporte.

Entre os principais produtos que podem ser obtidos estão:

  • Biocombustíveis ;
  • Biometano ;
  • Combustível Sustentável de Aviação (SAF) ;
  • Lignina para a indústria química;
  • Nanocelulose ;
  • Bioplásticos ;
  • Biofertilizantes ;
  • Bioinsumos agrícolas ;
  • Produtos químicos renováveis.

Segundo o pesquisador Maurício Antônio Lopes , da Embrapa Agroenergia , autor do artigo publicado pelo Correio Braziliense , a proposta vai além da simples substituição dos combustíveis fósseis.

"As biorrefinarias podem ajudar a descarbonizar a economia sem interromper a produção industrial. O objetivo é redesenhar cadeias produtivas inteiras utilizando matérias-primas renováveis."

Brasil larga na frente

O Brasil é considerado um dos países mais preparados para liderar essa nova indústria.

Além de possuir uma das maiores áreas de florestas plantadas de eucalipto do mundo, o país apresenta alta produtividade florestal, experiência consolidada na produção de etanol , disponibilidade de biomassa e uma das matrizes energéticas mais limpas do planeta.

Esses fatores colocam a indústria brasileira de celulose em posição estratégica para ampliar sua participação na bioeconomia , agregando valor à madeira e reduzindo ainda mais as emissões de carbono .

Para especialistas, os investimentos em inovação devem acelerar nos próximos anos, permitindo que as futuras fábricas sejam verdadeiras biorrefinarias florestais , capazes de produzir não apenas celulose , mas também energia limpa, combustíveis renováveis e matérias-primas sustentáveis para diferentes segmentos da economia.

A expectativa é que essa transformação fortaleça ainda mais o protagonismo do Brasil na economia de baixo carbono , consolidando o país como referência mundial na produção de celulose sustentável , bioprodutos e soluções baseadas em recursos renováveis.

Fontes: Indústria Brasileira de Árvores (Ibá) . Informações adicionais adaptadas de artigo publicado pelo Correio Braziliense , de autoria do pesquisador Maurício Antônio Lopes , da Embrapa Agroenergia , além de dados complementares sobre bioeconomia e biorrefinarias.


 

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