AO VIVO
Inovação & Tecnologia

Carbono no subsolo abre nova fronteira para indústria de baixo carbono

Regulamentação do armazenamento geológico de CO? cria oportunidades para descarbonização da indústria, geração de créditos e novos investimentos, com potencial para alcançar cadeias produtivas de Mato Grosso do Sul e do Vale da Celulose.

Redação - Vale Celulose - Três Lagoas 
13/08/26 às 08h53
(Foto: empresa colhedora de Carbono - Imagem: Divulgação)

O Brasil avança em uma nova frente da economia de baixo carbono com a regulamentação das atividades de captura, transporte e armazenamento geológico de dióxido de carbono (CO ? ).

A medida estabelece condições para que indústrias capturem parte de suas emissões antes que cheguem à atmosfera e armazenem o gás de maneira permanente em estruturas localizadas no subsolo.

A tecnologia, conhecida internacionalmente como CCS (Carbon Capture and Storage) , pode ganhar importância principalmente em setores industriais nos quais reduzir diretamente as emissões é mais complexo. O processo envolve a captura do CO ? , sua compressão e transporte até locais com condições geológicas adequadas para o armazenamento.

Entre as possibilidades estão reservatórios salinos subterrâneos e campos de petróleo esgotados que apresentem condições técnicas, ambientais e de segurança para receber o gás.

Carbono ganha valor estratégico

A regulamentação pode representar mais do que uma ferramenta ambiental. O avanço do armazenamento de CO ? abre espaço para novos modelos de negócios relacionados à inovação, infraestrutura, serviços ambientais e ao próprio mercado de carbono .

Atendidas as regras estabelecidas, projetos dessa natureza poderão integrar mecanismos relacionados ao Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SBCE) .

Na prática, o carbono passa a ser observado não apenas como uma emissão que precisa ser reduzida, mas também como elemento estratégico dentro dos investimentos empresariais em descarbonização .

Esse movimento ocorre enquanto o mercado de créditos de carbono começa a ampliar sua presença no agronegócio brasileiro. Estimativas apontam potencial para geração de até 314,3 milhões de créditos de carbono entre 2025 e 2035 no agro nacional. Em um dos cenários analisados, a comercialização internacional de apenas 5% desse potencial poderia movimentar aproximadamente R$ 2,36 bilhões.

Mato Grosso do Sul já possui projetos

Em Mato Grosso do Sul , iniciativas de redução das emissões mostram como a agenda do carbono começa a chegar às atividades produtivas.

Em Cassilândia, uma propriedade participante de programa de agricultura regenerativa já contabilizou 5.632 créditos de carbono. Outra iniciativa utiliza resíduos provenientes de sete granjas de suínos para capturar metano e produzir biogás, com capacidade estimada para reduzir 55,5 mil toneladas de CO ? equivalente por ano.

O avanço desses projetos demonstra como atividades rurais, produção de energia e indústria podem encontrar novas oportunidades econômicas dentro da transição para uma produção com menor emissão de gases de efeito estufa.

Vale da Celulose acompanha nova oportunidade

A discussão também ganha relevância para regiões que concentram grandes investimentos industriais de base renovável, como o Vale da Celulose , em Mato Grosso do Sul.

A expansão da indústria de celulose , das florestas plantadas , da geração de energia por biomassa e de outros projetos associados à bioeconomia coloca a redução das emissões de carbono cada vez mais próxima das estratégias das empresas instaladas ou em implantação no Estado.

A regulamentação brasileira contempla a possibilidade de captura do CO ? proveniente da produção de bioenergia e biocombustíveis, além de emissões de outras atividades industriais e de tecnologias destinadas à retirada de dióxido de carbono da atmosfera.

Um exemplo dessa nova fronteira está em Lucas do Rio Verde, em Mato Grosso. Um projeto ligado à bioenergia prevê comprimir e injetar CO ? em reservatórios sedimentares salinos, com objetivo de armazenar aproximadamente 423 mil toneladas do gás por ano provenientes de uma unidade industrial.

Experiências desse tipo mostram como a combinação entre biomassa, captura de carbono e armazenamento geológico pode ganhar espaço na estratégia brasileira de redução das emissões.

Projetos terão fiscalização e monitoramento

A implantação dos projetos dependerá de autorização e fiscalização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) , além do cumprimento das exigências relacionadas ao licenciamento ambiental.

As bases legais para a atividade foram estabelecidas pela Lei nº 14.993/2024, conhecida como Lei do Combustível do Futuro .

A regulamentação também abre possibilidade para estruturas compartilhadas, permitindo que diferentes empresas utilizem sistemas comuns de transporte e armazenamento de CO ? . Gasodutos existentes também poderão ser aproveitados quando houver viabilidade técnica e atendimento às normas de segurança.

O armazenamento deverá garantir a permanência do carbono por pelo menos 50 anos ou apresentar aprisionamento mineral considerado irreversível. Depois do encerramento das operações de injeção, a área deverá permanecer inicialmente sob monitoramento por 20 anos, período que poderá ser ampliado pela ANP caso a estabilidade do CO ? armazenado ainda não esteja comprovada.

Com regras mais claras para captura e armazenamento de carbono , o Brasil começa a estruturar uma nova cadeia envolvendo tecnologia, infraestrutura, serviços ambientais e créditos de carbono .

Para Mato Grosso do Sul e especialmente para o Vale da Celulose , onde grandes projetos industriais e florestais estão transformando a economia regional, essa nova fronteira ganha relevância diante da pressão mundial pela redução das emissões e pela oferta de produtos com menor pegada de carbono .

 

 

 EM DESTAQUE AGORA
VEJA TODOS OS DESTAQUES
 ÚLTIMAS EM INOVAÇÃO & TECNOLOGIA
Visiona9 Gestão Empresarial LTDA
58.521.834/0001-22
Editor responsável:
Wésley Mendonça SRTE/SP46357
valecelulose01@gmail.com
Todos os direitos reservados © 1999 - 2026 - Grupo Agitta de Comunicação.