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Tarifaço dos EUA desafia o Vale da Celulose, mas setor mantém investimentos e aposta na diversificação

Nova tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos atinge parte das exportações brasileiras de papel e derivados.

Redação - Vale Celulose - Três Lagoas 
22/07/26 às 14h55
(Foto: Tarifaço impacta o setor de celulose no Brasil _ Imagem: divulgação)

O novo tarifaço dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros trouxe um novo desafio para a indústria de papel e celulose , um dos principais motores da economia nacional e responsável por bilhões de dólares em exportações todos os anos. A medida estabelece uma tarifa adicional de 25% sobre parte das mercadorias brasileiras, atingindo aproximadamente 24% das exportações do setor de papel e celulose destinadas ao mercado norte-americano.

Apesar da preocupação, a notícia é menos impactante para o Vale da Celulose , em Mato Grosso do Sul , já que a maior parte da celulose de mercado produzida no Brasil ficou entre os produtos contemplados por exceções à nova tarifa. Ainda assim, empresas e entidades acompanham o cenário com cautela, principalmente pelos reflexos que uma disputa comercial pode gerar no comércio internacional.

Como fica o Vale da Celulose?

O Vale da Celulose , que reúne grandes investimentos em Três Lagoas , Ribas do Rio Pardo , Inocência e Bataguassu , permanece em uma posição estratégica no mercado mundial.

Isso porque empresas como Suzano , Eldorado Brasil , Arauco e Bracell operam com uma carteira global de clientes e exportam para dezenas de países. A principal matéria-prima produzida na região é a celulose branqueada de eucalipto (BHKP) , utilizada na fabricação de papéis sanitários, papéis para impressão, embalagens e diversos produtos sustentáveis.

Como esse produto ficou, em sua maior parte, fora da nova sobretaxa, não há, neste momento, expectativa de paralisação de investimentos ou redução da produção nas fábricas instaladas em Mato Grosso do Sul .

O que muda para as empresas?

Mesmo sem impacto direto sobre a maior parte da celulose exportada , o tarifaço exige atenção das empresas do setor.

Na prática, as indústrias deverão intensificar estratégias como:

  • ampliação das exportações para China , Europa , Índia e outros mercados asiáticos;
  • fortalecimento dos contratos internacionais de longo prazo;
  • aumento da produção de bioprodutos , biocombustíveis , nanocelulose , lignina e outros produtos de maior valor agregado;
  • monitoramento das negociações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos .

Especialistas avaliam que a competitividade da celulose brasileira continua elevada graças à produtividade das florestas plantadas, ao baixo custo de produção e à crescente demanda mundial por matérias-primas renováveis.

Projetos bilionários seguem mantidos

Os grandes empreendimentos previstos para o Vale da Celulose foram estruturados com foco no mercado global, e não exclusivamente nos Estados Unidos.

Por isso, projetos como a nova fábrica da Arauco , em Inocência, a expansão da cadeia florestal em Mato Grosso do Sul e os investimentos da Bracell permanecem dentro do cronograma previsto.

Além disso, empresas como Suzano e Eldorado Brasil possuem operações altamente diversificadas, abastecendo clientes na Ásia, Europa, Oriente Médio e América Latina, reduzindo a dependência do mercado norte-americano.

Bioeconomia ganha ainda mais importância

Outro efeito indireto do tarifaço é acelerar uma tendência já observada no setor: a transformação das fábricas em verdadeiras biorrefinarias florestais .

Além da produção de celulose , as empresas ampliam investimentos em:

  • SAF (Combustível Sustentável de Aviação) ;
  • biometano e biogás ;
  • bioquímicos ;
  • biomateriais ;
  • nanocelulose ;
  • lignina ;
  • biofertilizantes .

Essa diversificação reduz riscos comerciais e amplia as oportunidades de exportação para mercados de maior valor agregado.

Vale da Celulose continua competitivo

Embora o tarifaço dos Estados Unidos represente um novo desafio para o comércio internacional, analistas do setor entendem que os fundamentos da indústria brasileira permanecem sólidos.

Com florestas altamente produtivas, tecnologia de ponta, sustentabilidade reconhecida internacionalmente e demanda crescente por produtos renováveis, o Vale da Celulose continua consolidando Mato Grosso do Sul como um dos principais polos mundiais da indústria de celulose , mantendo sua atratividade para novos investimentos e reforçando seu papel estratégico na bioeconomia brasileira .

 

ENTENDA O IMPACTO DO TARIFAÇO

O que mudou?

Os Estados Unidos passaram a cobrar uma tarifa adicional de 25% sobre parte das exportações brasileiras de papel e celulose .

A celulose de Mato Grosso do Sul será afetada?

A principal celulose de mercado produzida no Vale da Celulose ficou, em sua maioria, fora da nova tarifa, reduzindo os impactos diretos para as fábricas instaladas no Estado.

Há risco para os investimentos?

Não. Até o momento, empresas como Suzano , Eldorado Brasil , Arauco e Bracell mantêm seus cronogramas de investimentos e expansão.

Qual será o foco das empresas?

Fortalecer as exportações para Ásia , Europa e outros mercados, ampliar a produção de bioprodutos e reduzir a dependência de mercados sujeitos a barreiras comerciais.

 

 

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