AO VIVO
Mercado & Negócios

Celulose entra no tarifaço dos EUA e setor acompanha impactos nas exportações

Celulose brasileira não integra a lista dos 471 produtos isentos da nova tarifa de 12,5% anunciada pelos Estados Unidos. Apesar do aumento de custos, especialistas avaliam que a competitividade global e a diversificação de mercados reduzem os impactos para o setor.

Redação - Vale Celulose - Três Lagoas 
24/07/26 às 07h29
(Foto: Tarifaço - Imagem: Ilustração)

A decisão do governo dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa adicional de 12,5% sobre parte das importações brasileiras trouxe um novo desafio para a indústria de celulose .

Diferentemente de produtos que foram incluídos na lista de isenção, a celulose brasileira ficou de fora dos 471 itens beneficiados e passará a enfrentar o novo custo nas exportações destinadas ao mercado norte-americano.

A medida foi oficializada pelo governo norte-americano e integra o pacote de revisão tarifária aplicado a diversos parceiros comerciais. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a celulose será tributada apenas com a nova alíquota de 12,5% , sem a incidência da sobretaxa de 25% aplicada a outros segmentos da economia.

Embora represente um aumento no custo para os embarques aos Estados Unidos, analistas do setor avaliam que os efeitos tendem a ser mais limitados do que em outras cadeias produtivas. Isso porque o mercado norte-americano não é o principal destino da celulose brasileira .

Hoje, a maior parte das exportações nacionais é direcionada para a Ásia , especialmente a China , além de países da Europa , mercados que continuam apresentando forte demanda por celulose de fibra curta produzida a partir do eucalipto brasileiro .

Vale da Celulose mantém cenário favorável

Para as empresas instaladas no Vale da Celulose , em Mato Grosso do Sul, a nova tarifa exige atenção, mas não altera, neste momento, os planos de expansão e de investimentos.

Gigantes como Suzano e Eldorado Brasil Celulose , além dos novos projetos industriais previstos para o estado, possuem uma carteira internacional diversificada de clientes, reduzindo a dependência do mercado norte-americano.

Outro fator considerado positivo é a elevada competitividade da celulose brasileira , resultado da alta produtividade das florestas plantadas, do baixo custo de produção e da eficiência logística das fábricas nacionais. Esses diferenciais mantêm o Brasil entre os principais fornecedores mundiais da matéria-prima utilizada na fabricação de papéis, embalagens, produtos sanitários e diversos insumos industriais.

Empresas poderão redirecionar embarques

Especialistas em comércio exterior avaliam que, caso o mercado norte-americano reduza a demanda em função da nova tributação, parte dos volumes poderá ser absorvida por outros países consumidores.

A crescente procura mundial por produtos sustentáveis e por fibras renováveis fortalece o posicionamento da celulose brasileira , considerada uma das mais competitivas do planeta.

Além disso, grande parte dos contratos internacionais do setor é firmada no médio e longo prazo, o que contribui para reduzir impactos imediatos nas exportações.

Governo busca alternativas

O Governo Federal informou que trabalha em medidas para minimizar os efeitos das novas tarifas sobre os setores exportadores brasileiros. Entre as ações estudadas estão a ampliação de linhas de crédito, incentivo à abertura de novos mercados internacionais, fortalecimento da promoção comercial por meio da ApexBrasil e negociações diplomáticas com o governo norte-americano.

Também não está descartada a utilização dos mecanismos previstos pela Lei da Reciprocidade Econômica e pela Organização Mundial do Comércio (OMC) , caso as medidas sejam consideradas incompatíveis com as regras internacionais do comércio.

Setor segue atento ao cenário internacional

Apesar da nova tarifa, o momento é de cautela e monitoramento. O Vale da Celulose , que concentra alguns dos maiores investimentos florestais do mundo, continua sustentado por uma demanda global consistente, expansão da capacidade produtiva e novos projetos industriais em Mato Grosso do Sul.

Para o setor, o principal desafio será preservar a competitividade da celulose brasileira diante das mudanças nas relações comerciais internacionais. Ainda assim, especialistas acreditam que a força da produção nacional, aliada à diversificação dos mercados compradores, deverá permitir que a indústria continue crescendo, mesmo em um ambiente global mais desafiador.

Entenda o caso

  • Os Estados Unidos anunciaram uma tarifa adicional de 12,5% para diversos produtos brasileiros.
  • 471 produtos ficaram isentos da nova cobrança.
  • A celulose brasileira não integra essa lista de isenção.
  • O produto pagará 12,5% de tarifa adicional , mas não acumulará a sobretaxa de 25% aplicada a outros setores.
  • O maior mercado da celulose brasileira continua sendo a Ásia , seguida pela Europa , reduzindo a dependência das exportações para os Estados Unidos.


 

 EM DESTAQUE AGORA
VEJA TODOS OS DESTAQUES
 ÚLTIMAS EM MERCADO & NEGÓCIOS
Visiona9 Gestão Empresarial LTDA
58.521.834/0001-22
Editor responsável:
Wésley Mendonça SRTE/SP46357
valecelulose01@gmail.com
Todos os direitos reservados © 1999 - 2026 - Grupo Agitta de Comunicação.