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14ª Semana de Celulose e Papel debate futuro do setor em Três Lagoas

Realizado na unidade da Suzano, encontro da ABTCP reúne profissionais e especialistas para discutir competitividade, sustentabilidade, tecnologia e qualificação em um dos principais polos de celulose do Brasil.

Redação - Portal Vale Celulose - Três Lagoas 
25/08/26 às 13h09
(Foto: Eduardo Ferraz, fala na abertura da 14ª Semana de Celulose e Papel - Imagem: Portal Vale Celulose)

Três Lagoas recebe, de 25 a 27 de agosto , a 14ª Semana de Celulose e Papel , promovida pela Universidade Setorial ABTCP em parceria com a Suzano . O evento reúne profissionais, especialistas e empresas para discutir os desafios de uma indústria que ganhou protagonismo na economia de Mato Grosso do Sul e continua avançando pelo Estado.

A equipe do Portal Vale da Celulose e do Hojemais Três Lagoas esteve presente na abertura, a convite da Suzano e da ABTCP , acompanhando as discussões sobre os próximos ciclos da indústria de base florestal.

Com o tema “Da floresta ao papel: desafios e caminhos para a competitividade na produção sustentável de celulose e papel” , a programação contempla painéis sobre gente e gestão, celulose, papel, Indústria 5.0, recuperação e utilidades e meio ambiente.

Suzano destaca trajetória construída em Mato Grosso do Sul

Na abertura da Semana, o diretor de Operações Industriais da Unidade Três Lagoas da Suzano, Eduardo Ferraz , recuperou a trajetória da companhia na região e destacou as transformações que acompanharam a consolidação da indústria de celulose em Mato Grosso do Sul.

Ferraz ressaltou que a companhia está em um período de celebração de 20 anos de sua trajetória de operações em Três Lagoas . O projeto iniciado no município ganhou uma nova dimensão ao avançar para Ribas do Rio Pardo , onde a Suzano colocou em operação uma nova fábrica.

Ao abordar essa expansão, o diretor chamou atenção para um aspecto que vai além dos números industriais: o impacto provocado pela presença da companhia sobre a sociedade e sobre os territórios nos quais está inserida.

Durante sua participação, Ferraz apresentou números para dimensionar a operação e destacou que o crescimento da Suzano se reflete também na geração de empregos e em ações que alcançam diferentes áreas da sociedade.

Esse movimento aparece na própria estrutura de empregos mantida atualmente pela empresa no Estado. Segundo Ferraz, são mais de 9 mil empregos diretos em Mato Grosso do Sul, considerando profissionais próprios e terceiros .

“Mantemos hoje mais de 9 mil empregos diretos em Mato Grosso do Sul, entre próprios e terceiros, e isso só se sustenta porque investimos continuamente na formação de quem já está na indústria e na atração de quem ainda vai chegar a ela.”

Para o diretor, receber a Semana de Celulose e Papel dentro da unidade também aproxima a indústria dos profissionais e das novas gerações que poderão fazer parte dos próximos ciclos do setor.

“Sediar a Semana de Celulose e Papel em Três Lagoas é abrir as portas da indústria para quem vai construir o futuro do setor.”

Três Lagoas acompanha transformação da indústria

A realização da Semana há 14 anos acompanha a própria evolução da região como um dos principais polos brasileiros da indústria de celulose.

Quando a iniciativa começou, a região já concentrava operações da Fibria, atualmente Suzano, e da International Paper, hoje Sylvamo. Em 2012, entrou em operação a fábrica da Eldorado Brasil.

Nos anos seguintes, a cadeia avançou para outras regiões de Mato Grosso do Sul. Além da nova fábrica da Suzano em Ribas do Rio Pardo, em Inocência está em desenvolvimento o Projeto Sucuriú, da Arauco , que prevê uma unidade com capacidade para produzir 3,5 milhões de toneladas de celulose por ano .

A expansão ajuda a dimensionar o peso que o setor passou a exercer sobre a economia estadual. Dados apresentados pelo Sindicato das Indústrias de Papel e Celulose de Mato Grosso do Sul (SINPACEMS) apontam que a atividade representa 10,7% do PIB estadual , lidera as exportações sul-mato-grossenses, com aproximadamente 5,8 milhões de toneladas enviadas ao exterior anualmente , e responde por 29,3% da balança comercial do Estado .

Crescimento aumenta demanda por profissionais

Ao lado dos investimentos, surge um dos principais desafios para os próximos anos: preparar profissionais na velocidade exigida pela expansão da indústria.

Atualmente, o setor reúne mais de 20 mil postos de trabalho e foi responsável por quase 16 mil admissões em 2025 . A projeção apresentada pelo SINPACEMS é de que a cadeia possa gerar até 93 mil novos postos de trabalho até 2032 .

A qualificação profissional, portanto, deixa de ser apenas uma pauta de recursos humanos e passa a ocupar posição estratégica para a competitividade do setor.

 

É justamente nesse ponto que a Semana de Celulose e Papel busca atuar. Ao longo de 14 edições, a ABTCP vem aproximando conhecimento técnico, empresas, profissionais, universidades e novas gerações.

(Foto: Viviane Nunes - Head de Educação da ABTCP ao lado Luciana Bruzzi - SENAI/CNI - Imagem: Portal Vale Celulose)

Para Viviane Nunes, Head de Educação da ABTCP , que participou da abertura do encontro, a continuidade da iniciativa está diretamente ligada à capacidade de acompanhar as mudanças da própria indústria.

“O principal segredo é entender que o evento precisa evoluir junto com o público e com o setor.”

A transformação é percebida também na estrutura adquirida pela Semana ao longo dos anos.

“Hoje, 14 edições depois, vemos que o evento é muito mais estruturado, com um público diverso, uma programação robusta e uma conexão muito maior com os desafios atuais da indústria.”

Mesmo diante das mudanças tecnológicas e produtivas, Viviane destaca um princípio que permanece como base da iniciativa.

“Nossa crença de que desenvolvimento da indústria passa necessariamente pelo desenvolvimento de pessoas.”

Estudantes entram na discussão sobre o futuro do setor

A preocupação com a formação profissional ultrapassa a programação técnica realizada dentro da unidade industrial.

No segundo dia da Semana, a ABTCP promove na AEMS , em Três Lagoas, o tradicional Encontro de Estudantes , destinado a aproximar os jovens das oportunidades profissionais, diferentes carreiras e possibilidades de desenvolvimento dentro da indústria de celulose e papel.

A iniciativa ganha peso diante da expansão prevista para Mato Grosso do Sul e da demanda por trabalhadores em funções cada vez mais especializadas.

“A Semana de Três Lagoas tem um papel cada vez mais estratégico. A região cresceu e cresceu muito. A indústria se transformou e os desafios relacionados à tecnologia, sustentabilidade, produtividade e, principalmente, à formação de profissionais qualificados são cada vez maiores”, afirma Viviane.

Conhecimento dentro da indústria

A escolha da unidade da Suzano para sediar o encontro permite ainda aproximar as discussões técnicas da realidade operacional da cadeia.

Para Rodrigo Zagonel, diretor de Operações Florestais MS da Suzano , a troca de experiências entre diferentes elos fortalece o setor.

“A Semana de Celulose e Papel é um momento importante de troca entre empresas, especialistas e profissionais de diferentes pontos da cadeia, e isso fortalece o setor como um todo.”

Segundo Zagonel, competitividade e conhecimento técnico precisam caminhar acompanhados de uma discussão mais ampla sobre os impactos e responsabilidades da indústria.

“Mais do que atualizar conhecimento técnico, é uma oportunidade de refletir sobre os caminhos da indústria de celulose e sobre como sustentabilidade, cuidado com as pessoas e com o meio ambiente precisam caminhar juntos nesse processo.”

O executivo também destaca a importância de apresentar esse universo aos jovens que ainda estão escolhendo uma profissão.

“Para nós, também é uma chance de aproximar os jovens desse cenário, mostrar de perto como funciona a base florestal e despertar o interesse de quem ainda está decidindo seu caminho profissional.”

Da floresta ao papel: competitividade e sustentabilidade

O debate da 14ª edição ocorre em um momento em que a indústria busca ampliar produtividade e competitividade, incorporar tecnologias e aumentar a eficiência dos processos sem deixar de lado os compromissos relacionados à sustentabilidade.

A própria cadeia florestal está no centro desse movimento. A matéria-prima tem origem em florestas plantadas e renováveis, enquanto os processos industriais avançam na busca por eficiência energética, redução de emissões, aproveitamento de recursos e desenvolvimento de novos produtos de base florestal.

Dados da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá) apontam que o Brasil produziu 25,5 milhões de toneladas de celulose em 2024 .

No mesmo período, Mato Grosso do Sul respondeu por 80% da expansão da área plantada pelo setor no País , somando 187,9 mil dos 234 mil novos hectares registrados.

Em âmbito nacional, o setor brasileiro de árvores cultivadas movimentou aproximadamente R$ 240 bilhões e gerou mais de 2 milhões de empregos diretos e indiretos .

São números que ajudam a explicar por que discussões sobre mão de obra, produtividade, inovação e sustentabilidade ganham relevância justamente em Três Lagoas.

Para a ABTCP, o desafio agora é garantir que a Semana continue acompanhando uma indústria que se transforma rapidamente.

“Depois de 14 edições, o desafio não é apenas manter a Semana de Três Lagoas, é fazer com que ela continue relevante pelos próximos 30 anos. Isso significa continuar ouvindo o mercado, inovando e preparando novas gerações para os desafios que ainda virão”, resume Viviane Nunes.

Serviço

14ª Semana de Celulose e Papel de Três Lagoas

Tema: Da floresta ao papel – desafios e caminhos para a competitividade na produção sustentável de celulose e papel
Data: 25 a 27 de agosto de 2026
Horário: 8h às 17h
Local: Unidade da Suzano – Três Lagoas (MS)
Realização: Universidade Setorial ABTCP

No segundo dia será realizado o Encontro de Estudantes , na AEMS, com foco em oportunidades profissionais, carreiras, desenvolvimento de talentos e mercado de trabalho na indústria de celulose e papel.

O evento conta com patrocínio de Albany, ANDRITZ, Contech, Kadant, Kemira, Siderquímica, Solenis, Spraying Systems, Synergia, Teadit, Valmet e Voith.


 

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