A decisão dos Estados Unidos de manter a celulose brasileira fora da lista de produtos atingidos pelo novo pacote tarifário trouxe alívio para uma das principais cadeias exportadoras do Brasil.
A avaliação é do presidente da Suzano , Beto Abreu , que classificou a medida como positiva para a indústria e destacou a posição estratégica do país no abastecimento do mercado americano.
Durante entrevista ao programa Capital Insights , da CNN Money, o executivo afirmou que a exclusão da celulose das novas tarifas demonstra a dependência dos Estados Unidos em relação ao produto brasileiro.
"O Brasil fornece cerca de 80% da celulose que os Estados Unidos importam. Essa decisão reconhece a importância da nossa indústria para o abastecimento daquele mercado." , afirmou Beto Abreu.
Segundo o CEO, a Suzano responde atualmente por aproximadamente 20% da produção mundial de celulose e cerca de dois terços da oferta global de fibra curta de eucalipto , matéria-prima utilizada na fabricação de papéis sanitários, embalagens, papéis especiais e diversos produtos industriais.
Vale da Celulose mantém competitividade internacional
A manutenção da isenção representa uma notícia estratégica para o Vale da Celulose , em Mato Grosso do Sul, onde estão instaladas grandes fábricas da Suzano em Três Lagoas e Ribas do Rio Pardo , além das operações da Eldorado Brasil e dos investimentos bilionários da Arauco e da Bracell.
A região concentra um dos maiores polos mundiais de produção de celulose de eucalipto , responsável por milhares de empregos e por uma parcela significativa das exportações sul-mato-grossenses.
Beto Abreu destacou que, apesar do ambiente econômico internacional continuar cercado por incertezas, a companhia segue preparada para enfrentar oscilações do mercado.
"Nossa competitividade está baseada em custo de produção, eficiência operacional e capacidade de atender os clientes de forma consistente." , ressaltou.
Garantir o abastecimento virou prioridade
Outro ponto enfatizado pelo presidente da Suzano foi a necessidade de manter a confiabilidade das entregas em um cenário marcado por conflitos geopolíticos e desafios logísticos.
"Garantir o abastecimento hoje é um ponto crítico. Os clientes valorizam empresas que conseguem manter a regularidade no fornecimento, mesmo em momentos de instabilidade global." , destacou.
A Suzano exporta aproximadamente 80% de toda a sua produção , sendo que cerca de 20% das vendas têm como destino os Estados Unidos , mercado considerado estratégico para a companhia.
Demanda mundial continua aquecida
Mesmo diante das incertezas econômicas, o executivo afirmou que a demanda por celulose permanece consistente.
"Continuamos observando uma demanda sólida nos principais mercados consumidores, especialmente para papéis sanitários e embalagens." , afirmou.
A empresa acompanha de perto o comportamento da economia global, principalmente na Ásia, Europa e América do Norte, ajustando sua estratégia comercial conforme a necessidade de cada mercado.
Mato Grosso do Sul segue protagonista da indústria florestal
Para o Vale da Celulose , a permanência da isenção representa segurança para novos investimentos e continuidade da expansão da cadeia florestal. Mato Grosso do Sul consolidou-se como um dos maiores produtores mundiais de celulose de fibra curta , atraindo projetos bilionários e fortalecendo sua posição entre os principais exportadores brasileiros.
Somente no primeiro semestre de 2026, o segmento de celulose e papel respondeu por cerca de 38% das exportações industriais de Mato Grosso do Sul , movimentando aproximadamente US$ 1,4 bilhão , desempenho que reforça a importância econômica do setor para o Estado.
Competitividade brasileira continua sendo diferencial
Com a celulose fora do tarifaço norte-americano, especialistas avaliam que o Brasil preserva uma vantagem competitiva construída ao longo de décadas: florestas plantadas de alta produtividade, baixo custo operacional, logística cada vez mais eficiente e liderança global na produção de celulose de eucalipto .
Para o Portal Vale Celulose , a decisão reforça a confiança dos investidores na cadeia florestal brasileira e mantém o ambiente favorável para novos projetos industriais que seguem transformando Mato Grosso do Sul na principal referência mundial do setor.
