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Desmatamento cresce 51,8% em MS e acende alerta sobre cobertura nativa

Levantamento do MapBiomas aponta avanço dos alertas de desmatamento entre 2019 e 2025 e mostra transformação no uso do solo de Mato Grosso do Sul; cenário reforça importância da conservação ambiental em regiões de expansão produtiva, como o Vale da Celulose.

Redação - Vale Celulose - Três Lagoas 
13/08/26 às 09h04
(Foto: Cerrado Sul-mato-grossense - Imagem Divulgação)

O avanço do desmatamento em Mato Grosso do Sul voltou ao centro das discussões ambientais após novos dados do MapBiomas mostrarem crescimento de 51,8% no número de alertas entre 2019 e 2025 . O levantamento chama atenção principalmente pela transformação do uso do solo e pela redução da cobertura de vegetação nativa observada ao longo das últimas décadas.

Os dados do Relatório Anual do Desmatamento no Brasil mostram que Mato Grosso do Sul registrou 434 alertas em 2019. Em 2020, foram 817; em 2021, 939; em 2022, 483; em 2023, o número chegou a 1.194; em 2024 caiu para 642; e, no ano passado, voltou a subir, alcançando 659 alertas de desmatamento .

Na comparação direta entre 2024 e 2025, portanto, o crescimento foi de 2,6% . Já quando considerado o início da série, em 2019, o avanço chega aos 51,8%.

O cenário ganha relevância porque Mato Grosso do Sul reúne três importantes biomas brasileiros: Cerrado, Pantanal e Mata Atlântica , cada um deles submetido a diferentes pressões relacionadas à ocupação e ao uso do território.

Cerrado concentra maior parcela

Segundo os dados analisados, o Cerrado ocupa aproximadamente 62% do território sul-mato-grossense e concentrou 71,3% do desmatamento registrado no Estado em 2025.

O Pantanal , que representa cerca de 27% do território estadual, respondeu por 28,6% da supressão registrada. Já a Mata Atlântica , presente em aproximadamente 10% de Mato Grosso do Sul, teve participação inferior a 0,5%.

Os números mostram que a pressão sobre a vegetação não ocorre de maneira uniforme e reforçam a necessidade de analisar individualmente as características ambientais e econômicas de cada região.

Agropecuária ampliou participação no uso do solo

Outro dado que chama atenção está na transformação ocorrida ao longo das últimas quatro décadas.

Em 1985, a agropecuária ocupava cerca de 36,5% do território de Mato Grosso do Sul . Em 2025, essa participação chegou a 58,6% .

No sentido contrário, a formação florestal nativa, que correspondia a 43,1% do território estadual no início da série histórica, passou para 23,7% .

Essa transformação demonstra como a utilização do território sul-mato-grossense mudou significativamente em quatro décadas, acompanhando a expansão das atividades econômicas e aumentando a importância das políticas de conservação e planejamento territorial.

Cenário merece atenção no Vale da Celulose

A discussão também interessa diretamente ao Vale da Celulose , região que atravessa um dos maiores ciclos de investimentos industriais da história de Mato Grosso do Sul.

A expansão das fábricas de celulose, das áreas de florestas plantadas , da infraestrutura logística e de outros empreendimentos relacionados à cadeia florestal transforma economicamente municípios do leste sul-mato-grossense e amplia a necessidade de conciliar crescimento econômico, preservação da vegetação nativa e utilização responsável dos recursos naturais.

É importante destacar que floresta plantada para produção de celulose não deve ser confundida com vegetação nativa . As áreas comerciais de eucalipto integram sistemas produtivos, enquanto Cerrado, Mata Atlântica, Pantanal e outras formações naturais cumprem funções ambientais próprias e estão submetidas às regras de proteção previstas na legislação.

Por isso, o crescimento da atividade florestal também coloca em evidência temas como proteção de reservas legais e áreas de preservação permanente, corredores de biodiversidade, recursos hídricos, recuperação de áreas degradadas e conservação dos remanescentes de vegetação nativa.

El Niño aumenta preocupação

O levantamento ganha ainda mais importância diante das projeções climáticas relacionadas ao El Niño .

O MapBiomas alerta que episódios mais intensos do fenômeno têm provocado alterações importantes no regime de chuvas dos biomas brasileiros. Em determinadas regiões, a combinação entre temperaturas elevadas, períodos prolongados de estiagem e menor cobertura vegetal pode aumentar a vulnerabilidade ambiental e favorecer a ocorrência de incêndios florestais.

Nesse contexto, preservar a cobertura nativa não está relacionado somente à biodiversidade. A vegetação desempenha papel importante na proteção do solo, manutenção dos recursos hídricos, armazenamento de carbono e regulação das condições ambientais.

Desenvolvimento e conservação

Os números colocam Mato Grosso do Sul diante de um desafio que deve ganhar cada vez mais espaço nos próximos anos: ampliar sua produção e receber novos investimentos sem comprometer os recursos naturais que sustentam parte dessa própria atividade econômica.

No Vale da Celulose , onde bilhões de reais estão sendo direcionados a novas fábricas, logística e expansão da cadeia florestal, a questão ambiental tende a assumir peso crescente também na competitividade das empresas.

Com consumidores e mercados internacionais cada vez mais atentos à origem das matérias-primas, à rastreabilidade, às emissões de carbono e à conservação da biodiversidade, preservar a vegetação nativa de Mato Grosso do Sul passa a ser não apenas uma questão ambiental, mas também um componente estratégico para o desenvolvimento sustentável da nova fronteira industrial do Estado.

 

 

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