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Corumbá tem 2º maior rebanho bovino do Brasil e integração com eucalipto abre novas possibilidades em MS

Estado reúne uma das maiores forças pecuárias do país ao mesmo tempo em que avança com as florestas plantadas; sistemas silvipastoris mostram que gado e eucalipto podem compartilhar a mesma área.

Redação - Portal Vale Celulose - Três Lagoas 
01/10/26 às 09h27
(Foto:Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) - Imagem: Ilustração)

Mato Grosso do Sul consolida uma característica cada vez mais importante de sua economia rural: a convivência entre duas grandes cadeias produtivas, a pecuária e o setor de florestas plantadas. Enquanto o Estado avança como um dos principais polos brasileiros de produção de eucalipto e celulose, Corumbá mantém posição de destaque nacional na criação de bovinos.

Dados da Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM) referentes a 2025 colocam Corumbá como o município com o segundo maior rebanho bovino do Brasil , com aproximadamente 2,2 milhões de cabeças , atrás somente de São Félix do Xingu, no Pará, que possui cerca de 2,7 milhões.

Na sequência do ranking aparecem Porto Velho (RO), com aproximadamente 1,7 milhão de bovinos; Cáceres (MT), com 1,4 milhão; e Marabá (PA), com cerca de 1,3 milhão de animais .

O desempenho de Corumbá reforça a tradição pecuária de Mato Grosso do Sul, mas também chama atenção para uma transformação que ocorre no campo: a possibilidade de combinar a produção de carne com o cultivo de árvores dentro de sistemas integrados.

Do gado ao eucalipto: duas potências de Mato Grosso do Sul

Mato Grosso do Sul possui aproximadamente 17,9 milhões de bovinos e figura entre os cinco maiores rebanhos estaduais brasileiros. Ao mesmo tempo, tornou-se um dos principais territórios de expansão da silvicultura no país.

Segundo dados divulgados pelo Governo do Estado, a área de florestas plantadas passou de aproximadamente 300 mil hectares para 1,75 milhão de hectares entre 2015 e 2025 , expansão superior a 500%. O crescimento está diretamente relacionado à consolidação da indústria de celulose e à chegada de grandes investimentos ao Estado.

Dados mais recentes apresentados pela Semadesc apontam que a área florestal alcançou aproximadamente 1,9 milhão de hectares na safra 2024/2025 , colocando Mato Grosso do Sul como detentor da segunda maior área de eucalipto do país.

Nesse cenário, uma pergunta ganha espaço entre produtores e técnicos: pecuária e eucalipto precisam necessariamente disputar a mesma terra?

A resposta é não. Dependendo das características da propriedade, do objetivo produtivo e do planejamento técnico, as duas atividades podem ocupar a mesma área.

Gado pode ser criado entre eucaliptos

Uma das alternativas é a chamada Integração Pecuária-Floresta (IPF) , também conhecida como sistema silvipastoril.

Nesse modelo, árvores, pastagens e bovinos são combinados de maneira planejada dentro da mesma área. As árvores são implantadas em linhas ou renques, mantendo espaços onde as forrageiras se desenvolvem e o gado pode pastejar.

A Embrapa define a IPF justamente como a integração da pecuária com árvores em consórcio. O modelo permite a arborização das pastagens com espécies que apresentam valor econômico ou ambiental e também pode representar uma alternativa para recuperação e utilização mais eficiente de áreas pecuárias.

Quando o sistema incorpora também culturas agrícolas, como soja e milho, passa a ser denominado Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) .

O eucalipto ocupa posição de destaque nesses sistemas. Segundo a Embrapa, características como crescimento rápido, disponibilidade de clones adaptados a diferentes regiões, arquitetura da copa e possibilidades econômicas da madeira fazem da espécie uma das principais opções para sistemas integrados com componente florestal.

Espaçamento é fundamental para manter o pasto

Não basta, porém, simplesmente colocar os animais dentro de uma plantação convencional de eucalipto.

A integração precisa começar no planejamento da floresta .

As linhas de árvores devem ser organizadas de maneira a permitir entrada suficiente de luz para a manutenção das forrageiras. A densidade de árvores, orientação das linhas, espécie ou clone utilizado, tipo de pastagem, solo e condições climáticas interferem diretamente no funcionamento do sistema.

Pesquisas da Embrapa específicas sobre Mato Grosso do Sul apontam que o sistema silvipastoril apresenta potencial justamente em regiões onde a pecuária de corte possui forte presença. Os estudos destacam a necessidade de definir corretamente o arranjo espacial das árvores e selecionar materiais florestais e forrageiros adaptados às condições locais.

O objetivo é encontrar equilíbrio: produzir árvores economicamente aproveitáveis sem comprometer a quantidade e a qualidade da pastagem disponível aos animais.

Sombra pode aumentar conforto dos bovinos

A presença das árvores também modifica o ambiente onde o gado permanece.

Em sistemas silvipastoris adequadamente manejados, as árvores fornecem sombra e proteção contra ventos, criando condições de maior conforto térmico para os bovinos.

Segundo a Embrapa, entre os benefícios potenciais da ILPF estão melhoria da ciclagem de nutrientes, maior quantidade de matéria orgânica, melhor infiltração de água, redução do risco de erosão e melhores condições para o desenvolvimento das pastagens. Para os animais, as árvores oferecem proteção tanto em períodos de calor quanto em condições de frio e vento.

Esse componente ganha relevância especialmente em regiões de temperaturas elevadas, onde o conforto térmico faz parte das estratégias de bem-estar animal.

Entrada dos animais exige planejamento

Outra questão importante é o momento em que os bovinos são colocados na área.

Nos primeiros estágios de desenvolvimento, mudas e árvores jovens podem ser danificadas pelos animais. Por isso, a implantação do sistema segue etapas.

A Embrapa explica que, em sistemas agrossilvipastoris, culturas agrícolas podem ser utilizadas nos primeiros anos entre as linhas de árvores. Posteriormente, com o desenvolvimento do componente florestal, ocorre o estabelecimento das forrageiras e a entrada da pecuária.

Portanto, trata-se de um sistema produtivo planejado desde o plantio das árvores, e não simplesmente da liberação do gado dentro de qualquer floresta comercial.

Madeira, pastagem e carne na mesma propriedade

A diversificação é um dos principais atrativos do sistema.

Em vez de depender exclusivamente da pecuária ou da floresta, o produtor pode trabalhar com diferentes fontes de produção e receita ao longo dos anos.

A própria Embrapa aponta que a integração possibilita diversificar a produção e reduzir a dependência de apenas um produto.

No caso de Mato Grosso do Sul, pesquisas específicas sobre o uso do eucalipto em sistemas integrados também apontam a diversificação como alternativa para redução de riscos e melhor aproveitamento produtivo das propriedades rurais.

Isso significa que uma propriedade pode produzir gado, pastagem e madeira , desde que o sistema seja tecnicamente dimensionado para essa finalidade.

Pecuária encontra o Vale da Celulose

A possibilidade de integração ganha dimensão especial em Mato Grosso do Sul porque o avanço das florestas plantadas ocorre justamente em um território historicamente ocupado pela pecuária.

O Estado transformou-se em um dos maiores polos florestais brasileiros. A expansão da base de eucalipto acompanha projetos industriais bilionários em municípios como Três Lagoas, Ribas do Rio Pardo, Inocência e Bataguassu , entre outros pontos da região reconhecida oficialmente como Vale da Celulose.

Segundo o Governo do Estado, nove municípios concentram 87% da produção de celulose de Mato Grosso do Sul , formando um território estratégico para toda a cadeia produtiva florestal.

Esse avanço não significa, necessariamente, uma escolha entre boi ou floresta .

Os sistemas integrados mostram que, em determinadas propriedades e sob orientação técnica, o futuro do campo sul-mato-grossense também pode passar pela combinação das duas atividades.

De um lado está um Estado com aproximadamente 17,9 milhões de bovinos e um município, Corumbá, ocupando a segunda posição entre os maiores rebanhos do Brasil. Do outro, está um território que se transformou em uma das maiores fronteiras mundiais de expansão da celulose.

 

Entre os dois setores surge uma terceira possibilidade: produzir carne e madeira de maneira integrada, utilizando tecnologia, manejo e planejamento para fazer pecuária e floresta compartilharem o mesmo espaço produtivo .

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