Enquanto o eucalipto transformou Mato Grosso do Sul em um dos maiores polos florestais e de celulose do mundo , outra espécie presente nas florestas comerciais brasileiras chama atenção pelo potencial de diversificação e geração de valor. O Pinus completa 120 anos de cultivo no Brasil em 2026 , consolidado como matéria-prima para diferentes segmentos industriais.
Em Mato Grosso do Sul, entretanto, sua participação ainda é pequena. Dados da Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS) 2024, do IBGE , mostram que o Estado alcançou 1.459.034 hectares de florestas plantadas , crescimento de 6,8% em relação ao ano anterior.
Desse total, aproximadamente 99,5% são ocupados pelo eucalipto , enquanto o Pinus responde por cerca de 6.438 hectares, ou 0,5% da área estadual . A extensão destinada à espécie apresentou redução de 4,5% diante dos 6.744 hectares registrados anteriormente.
Pinus pode ampliar diversificação da cadeia florestal
Apesar da participação reduzida em MS, o Pinus possui características que mostram seu potencial dentro de uma economia baseada em florestas plantadas.
A madeira pode ser destinada à produção de serrados, laminados, painéis, móveis, embalagens, paletes, componentes da construção civil, celulose e papel , além de fornecer matéria-prima para resinas, produtos químicos e geração de energia.
Essa diversidade permite que diferentes produtos sejam obtidos de uma mesma cadeia florestal e amplia as possibilidades de agregação de valor à madeira.
Para uma região como o Vale da Celulose , que concentra grandes áreas plantadas, infraestrutura florestal, empresas especializadas, mão de obra e investimentos industriais, a experiência nacional com o Pinus também demonstra como outras cadeias podem se desenvolver paralelamente ao eucalipto.
Mato Grosso do Sul já possui uma base florestal bilionária
O ambiente para esse desenvolvimento está consolidado. Em 2024, o valor da produção florestal de Mato Grosso do Sul chegou ao recorde de R$ 3,47 bilhões , avanço de 56,4%. A atividade esteve presente em 70 municípios e colocou o Estado entre os principais produtores florestais brasileiros.
Cinco municípios sul-mato-grossenses aparecem entre os 20 maiores do Brasil em valor da produção da silvicultura: Três Lagoas, Brasilândia, Ribas do Rio Pardo, Água Clara e Campo Grande .
Somente a madeira em tora destinada à fabricação de papel e celulose movimentou R$ 2,6 bilhões em 2024 , crescimento de 48,4%. A produção estadual de madeira em tora chegou a aproximadamente 26 milhões de metros cúbicos .
Os números demonstram a dimensão da estrutura florestal construída no Estado e ajudam a colocar o Pinus dentro de uma discussão mais ampla sobre diversificação, aproveitamento industrial da madeira e bioeconomia .
120 anos de desenvolvimento no Brasil
Introduzido no país há 120 anos, o Pinus ganhou competitividade principalmente a partir dos investimentos em pesquisa, melhoramento genético, manejo e desenvolvimento de processos industriais .
Atualmente, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul concentram 89% da área brasileira cultivada com Pinus , somando cerca de 1,7 milhão de hectares . A experiência desses estados demonstra como a espécie pode sustentar uma cadeia que envolve produção florestal, serrarias, fábricas de painéis, móveis, embalagens, papel e celulose, construção civil e bioenergia.
A Embrapa Florestas destaca ainda a importância das fibras longas provenientes do Pinus para a indústria de papel e celulose, especialmente na fabricação de papéis que exigem maior resistência.
Bioeconomia abre novas possibilidades
O avanço tecnológico também vem ampliando as aplicações da matéria-prima florestal. Além dos usos tradicionais da madeira, derivados da celulose já estão presentes em segmentos como tecidos, cosméticos, alimentos e medicamentos .
A nanocelulose, por exemplo, está entre as tecnologias estudadas para aplicações de maior valor agregado, incluindo materiais para áreas médica e farmacêutica.
Nesse cenário, mesmo ocupando atualmente uma pequena parcela das florestas comerciais de Mato Grosso do Sul, o Pinus mostra como a diversificação das matérias-primas renováveis pode abrir novas oportunidades industriais .
Em um Estado que já construiu uma das maiores cadeias de florestas plantadas do país, o desenvolvimento de novos usos da madeira, bioprodutos e tecnologias pode ampliar ainda mais a participação do setor florestal na economia e fortalecer a vocação industrial do Vale da Celulose .
