A operadora de máquinas florestais
Beatriz Carolina Gonçalves
participou dos primeiros testes.
“Eu pensava que seria como um controle remoto, mas encontrei um ‘cockpit’ com as mesmas condições da máquina, só que em outro ambiente e com muito conforto. Foi um desafio operar a quilômetros de distância usando as câmeras como base, mas também foi uma experiência muito gratificante”, relata.
Para Beatriz, a redução dos deslocamentos também pode representar mudança importante na qualidade de vida.
“Essa solução pode melhorar muito o dia a dia dos operadores, porque reduz o tempo gasto no caminho até as fazendas e permite estar mais perto da família. Tenho uma filha pequena e acredito que isso possa fazer diferença na vida de quem trabalha nessa atividade”, afirma.
O operador de abastecimento de madeira
João Victor de Almeida Barbosa
também participou da experiência. Filho de um profissional que trabalhou no transporte da Suzano, ele considera o projeto uma oportunidade de unir sua trajetória à inovação.
“Tenho muito orgulho de fazer parte dessa iniciativa. Entrei na empresa em uma área que era nova para mim e, agora, participar de um projeto como esse representa uma oportunidade de aprender e contribuir para uma operação mais segura e eficiente”, afirma.
Conexão por satélite e segurança
Um dos principais desafios técnicos foi estabelecer a comunicação com as máquinas. As frentes de colheita estão localizadas em áreas sem infraestrutura convencional de telecomunicações e mudam de posição conforme o avanço das operações.
A comunicação entre a
torre de controle e os equipamentos ocorre via satélite
, utilizando uma estrutura preparada para funcionar sem interrupções.
A segurança também é monitorada continuamente no próprio equipamento. Caso ocorra falha de comunicação ou qualquer condição anormal,
a máquina para automaticamente
. Segundo o projeto, o tempo de resposta do sistema é menor que o de um piscar de olhos.
Tecnologia amplia possibilidades de inclusão
Ao todo,
sete profissionais foram capacitados
: cinco para a colheita, incluindo duas mulheres, e dois para o carregamento logístico. Os operadores possuem diferentes perfis de experiência e faixa etária.
Técnicos e mecânicos dos módulos também receberam capacitação para receber os equipamentos e atuar quando necessário. Participam da iniciativa profissionais das áreas de Operações Florestais, Inovação, Excelência Operacional, Segurança, Gente e Gestão, Treinamento, Tecnologia e Engenharia, além das equipes da Komatsu e S4E Tech.
A teleoperação também modifica o perfil da própria vaga. A operação de máquinas florestais deixa de exigir a permanência diária em áreas remotas e pode ser realizada em ambiente fixo dentro da unidade.
Para Rodrigo Zagonel, diretor de Operações Florestais da Suzano em Mato Grosso do Sul, a tecnologia pode ampliar as possibilidades de inclusão.
“Trabalhar no campo, muitas vezes em áreas distantes, traz desafios importantes para os profissionais. À medida que avançamos nos testes, percebemos que essa solução abre possibilidade para a inclusão de outros públicos, inclusive pessoas com deficiência. Esse potencial está alinhado ao compromisso da Suzano com a construção de oportunidades mais equitativas em Mato Grosso do Sul”, afirma.
Na avaliação de Eduardo Nicz, diretor-presidente da Komatsu Forest Brasil, o alcance da tecnologia pode ir além da atual operação.
“A teleoperação remota tem potencial para transformar o setor florestal, trazendo mais eficiência, segurança e qualidade de vida para os operadores. Estamos muito satisfeitos em desenvolver essa iniciativa ao lado da S4E e da Suzano, acreditando que essa tecnologia será um divisor de águas para o mercado, ampliando oportunidades de inclusão para mulheres, pessoas com deficiência e jovens. Além de ser um projeto global, ter o Brasil como ponto de partida reforça nosso compromisso com a inovação e com a construção de um futuro mais sustentável e promissor para o setor”, afirma.
Operação movimenta 19 milhões de metros cúbicos por ano
A dimensão da atividade ajuda a demonstrar o potencial da tecnologia.
Mais de mil operadores trabalham na colheita e no carregamento de madeira em Mato Grosso do Sul
.
No estado, são colhidos aproximadamente
19 milhões de metros cúbicos de madeira por ano
, em cerca de
100 mil hectares
.
Atualmente, a teleoperação está presente em duas máquinas. O impacto da tecnologia sobre o deslocamento diário dos profissionais dependerá do ritmo de adoção da solução nos próximos anos.
Projeto avança para fase piloto
A procura por tecnologias que pudessem ser adaptadas às operações florestais começou em
2024
. No ano seguinte, a S4E Tech realizou sua primeira visita técnica a Mato Grosso do Sul para identificar os desafios da atividade.
A solução passou então a ser desenvolvida em conjunto com a Komatsu, fornecedora de tecnologia para o setor florestal e parceira da Suzano. Em
abril de 2026
, duas máquinas começaram a ser operadas remotamente.
A primeira etapa buscou validar o conceito de teleoperação na colheita, analisar as condições de segurança e verificar eventuais restrições relacionadas ao raio de operação. Diversas oportunidades de melhoria foram identificadas durante os testes.
A
próxima fase será um piloto
, incorporando os ajustes mapeados e com escalonamento gradual. A nova etapa deverá começar nos próximos meses.
No exterior, iniciativas de colheita florestal teleoperada ainda estão em fases de pesquisa, protótipo ou demonstração em países como
Suécia, Finlândia, Nova Zelândia, Canadá e Japão
. Equipes da Komatsu do Japão e da Suécia visitaram recentemente a operação instalada em Mato Grosso do Sul.
Parceira no desenvolvimento, a
S4E Tech
é uma empresa brasileira fundada há cinco anos, com sede em Belo Horizonte (MG), especializada em tecnologias para equipamentos móveis. Além do segmento florestal, suas soluções são utilizadas nos setores de mineração, siderurgia, portos e construção.