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UFN3 recomeça em Três Lagoas e abre novo ciclo de investimentos e empregos

Após mais de uma década de paralisação, fábrica de fertilizantes da Petrobras volta a movimentar Três Lagoas, prevê cerca de R$ 5 bilhões em investimentos e até 8 mil empregos durante as obras.

Redação - Portal Vale Celulose - Três Lagoas 
01/10/26 às 09h45
(Foto: UF3 em Três Lagoas , recebe investimento até 2031 - Imagem: Reprodução)

Depois de permanecer mais de uma década paralisada, a Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN3) voltou a transformar o cenário econômico de Três Lagoas. O empreendimento da Petrobras entrou novamente em fase de construção e montagem e começa a produzir reflexos no mercado de trabalho, na contratação de serviços e na movimentação econômica do município.

A retomada representa o recomeço de um projeto que chegou a ter aproximadamente 81% de sua estrutura executada antes da paralisação . Agora, a previsão da Petrobras é investir aproximadamente US$ 1 bilhão — cerca de R$ 5 bilhões — para finalizar a fábrica , com início das operações comerciais programado oficialmente para 2029 .

Além do investimento direto, a UFN3 poderá ser beneficiada pelo Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert) . Estimativa da Fiems Conecta aponta que o empreendimento poderá receber entre R$ 1 bilhão e R$ 2 bilhões em benefícios fiscais federais até 2031 . A Petrobras confirmou que existe possibilidade de acesso ao programa, mas informou que ainda aguarda a regulamentação para calcular os impactos efetivos para o projeto.

Retomada oficial ocorreu em junho

O novo capítulo da UFN3 ganhou forma definitiva em 25 de junho de 2026 , quando foi realizada em Três Lagoas a cerimônia oficial de retomada das obras.

Na ocasião, foram formalizados contratos para a continuidade do empreendimento, encerrando um período de aproximadamente 12 anos de paralisação da construção.

A Petrobras já havia aprovado definitivamente o investimento em 13 de abril de 2026 , depois de uma nova avaliação confirmar, segundo a companhia, a viabilidade técnica e econômica da fábrica. A unidade integra o Plano de Negócios 2026-2030 da estatal.

UFN3 já mobiliza cerca de mil trabalhadores

Os efeitos da retomada já começam a aparecer.

Segundo informações atualizadas pela Petrobras ao Campo Grande News, cerca de mil trabalhadores já estão mobilizados na retomada da UFN3 , dentro do planejamento estabelecido para o empreendimento.

As empresas contratadas estão avançando na mobilização das equipes e na execução dos diferentes lotes da fábrica. A expectativa oficial da Petrobras é chegar a aproximadamente 8 mil empregos durante o período das obras .

Esse número deverá crescer progressivamente conforme o empreendimento avance para as etapas de maior intensidade de construção e montagem.

As contratações são realizadas pelas empresas responsáveis pelos contratos, que definem os perfis profissionais e requisitos técnicos de acordo com cada fase da obra.

Vagas começam a movimentar Três Lagoas

Desde o início da mobilização, centenas de oportunidades já foram anunciadas em Três Lagoas.

Somente entre os dias 4 e 7 de agosto , por exemplo, foram divulgadas 407 vagas relacionadas ao empreendimento: 207 oportunidades no dia 4, outras 109 no dia 5 e mais 91 no dia 7.

Entre as funções procuradas estavam carpinteiros, ajudantes de obras, pedreiros, armadores de ferragens, apontadores, montadores de estruturas metálicas, operadores de máquinas, mecânicos montadores, encanadores industriais, riggers e sinaleiros .

A movimentação mostra como a UFN3 começa a criar uma nova frente de trabalho industrial em uma cidade que já se consolidou nacionalmente pela cadeia de celulose e florestas plantadas.

Quando a obra ficará pronta?

O cronograma oficial da Petrobras estabelece 2029 como o ano de início das operações comerciais da UFN3 .

Portanto, a fase de conclusão da construção, montagem, testes e preparação operacional deverá avançar ao longo dos próximos anos para permitir a partida da fábrica dentro desse planejamento.

Existe, entretanto, a possibilidade de antecipação.

Durante a cerimônia realizada em junho, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que a previsão contratual aponta para 2029, mas manifestou expectativa de que a companhia consiga colocar a fábrica em operação já em 2028 . Até o momento, porém, 2029 permanece como a previsão oficial da Petrobras para o início comercial .

Linha do tempo da nova UFN3

Abril de 2026: Petrobras aprova definitivamente a retomada e o investimento de aproximadamente US$ 1 bilhão.

Maio de 2026: empresas envolvidas começam a intensificar processos de contratação e preparação para as obras.

25 de junho de 2026: retomada é oficializada em Três Lagoas e contratos para conclusão do empreendimento são formalizados.

Segundo semestre de 2026: cresce a mobilização de trabalhadores, máquinas, empresas e fornecedores.

2027 e 2028: período previsto para avanço das etapas de construção, montagem, instalação e preparação da unidade.

2029: previsão oficial de início da operação comercial da UFN3.

Fábrica produzirá 3,6 mil toneladas de ureia por dia

Quando estiver concluída, a UFN3 terá capacidade nominal para produzir aproximadamente 3.600 toneladas de ureia por dia e 2.200 toneladas diárias de amônia .

É importante observar que grande parte da amônia será utilizada no próprio processo produtivo. Segundo a Petrobras, das 2.200 toneladas produzidas diariamente, aproximadamente 180 toneladas serão excedentes disponíveis para comercialização .

A localização de Três Lagoas é considerada estratégica porque coloca a fábrica próxima de alguns dos maiores mercados consumidores de fertilizantes do país. A produção deverá atender principalmente Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná e São Paulo .

A ureia é o fertilizante nitrogenado de maior demanda no Brasil, com consumo nacional da ordem de 8 milhões de toneladas por ano , utilizado em culturas como milho, cana-de-açúcar, café, trigo e algodão, além da utilização na pecuária como suplemento para ruminantes.

Até R$ 2 bilhões em incentivos

Outro componente importante para o futuro da fábrica é o Profert.

O programa federal prevê até R$ 10 bilhões em créditos tributários para a indústria brasileira de fertilizantes entre 2027 e 2031.

Na avaliação da Fiems Conecta, a UFN3 poderá absorver entre R$ 1 bilhão e R$ 2 bilhões desses benefícios. O cálculo, entretanto, ainda é uma estimativa da entidade e não um valor já concedido à Petrobras.

A estatal informou que aguarda a regulamentação da legislação para avaliar os impactos financeiros do programa.

Também foi discutida a possibilidade de financiamento de aproximadamente R$ 3 bilhões pelo BNDES. O banco, entretanto, informou que atualmente não pode ampliar sua exposição à Petrobras porque já atingiu o limite prudencial estabelecido para um único cliente.

Três Lagoas ganha uma nova frente industrial

Para Três Lagoas, a conclusão da UFN3 representa mais do que a retomada de uma obra.

O município, que se tornou referência internacional na produção de celulose e está no centro do Vale da Celulose , passa a fortalecer outra cadeia industrial estratégica: a de fertilizantes.

A movimentação de até 8 mil trabalhadores durante as obras tende a repercutir em segmentos como habitação, alimentação, hotelaria, transporte, comércio, prestação de serviços, construção civil, qualificação profissional e fornecimento industrial .

A expectativa da Fiems é justamente de aumento da circulação de renda, do consumo e da demanda por produtos e serviços em Três Lagoas à medida que a mobilização avance.

Do Vale da Celulose aos fertilizantes

A retomada acontece em um momento de profunda transformação econômica na região leste de Mato Grosso do Sul.

Três Lagoas já abriga grandes operações da indústria de celulose e está inserida em uma região que recebe bilhões de reais em novos investimentos florestais, industriais, ferroviários, rodoviários e logísticos.

A UFN3 acrescenta uma nova peça a esse complexo industrial.

Além de atender o agronegócio, a fábrica poderá fortalecer a posição logística de Três Lagoas por estar próxima aos mercados do Centro-Oeste, Sudeste e Sul. Essa localização é apontada pela própria Petrobras como um dos diferenciais competitivos do projeto.

Depois de anos marcada pela imagem de uma grande estrutura industrial inacabada, a UFN3 volta a ter trabalhadores, contratos, investimentos e um cronograma para começar a produzir .

O projeto que permaneceu parado por mais de uma década inicia, assim, uma nova etapa: aproximadamente R$ 5 bilhões em investimentos para conclusão, potencial de até R$ 2 bilhões em incentivos, cerca de 8 mil empregos durante as obras e previsão oficial de operação comercial em 2029 .

 

Para Três Lagoas e para o Vale da Celulose, a retomada amplia a diversificação da economia regional e coloca novamente a fábrica de fertilizantes entre os principais investimentos industriais em andamento em Mato Grosso do Sul.

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