O Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso do Sul (MPT-MS) notificou quatro das principais empresas do setor de celulose com atuação no Estado para que adotem medidas destinadas a ampliar a proteção dos trabalhadores diante de eventos climáticos extremos.
Segundo informações publicadas pelo Jornal Midiamax , Eldorado Brasil, Arauco, Bracell e Suzano estão entre as companhias alcançadas pelas recomendações e terão prazo de 30 dias para adequar suas rotinas operacionais , principalmente em situações de calor intenso e exposição à fumaça provocada por queimadas.
A medida ganha relevância especialmente para as atividades realizadas a céu aberto, comuns na cadeia florestal, que envolve desde o plantio e manejo das florestas de eucalipto até colheita, manutenção e outras operações de campo.
Horários de trabalho poderão ser alterados
Entre as providências apontadas pelo MPT está a necessidade de reorganizar jornadas para reduzir a exposição direta dos trabalhadores ao sol nos períodos considerados mais críticos.
Atividades fisicamente mais pesadas também deverão, quando necessário, ser direcionadas para horários com temperaturas mais amenas.
O MPT ainda prevê pausas remuneradas para descanso , realizadas em locais que proporcionem condições adequadas de conforto térmico, circulação de ar limpo e proteção contra os efeitos da poluição atmosférica.
A preocupação com essas condições não é recente. Em recomendações anteriores, o próprio MPT-MS já havia orientado empregadores a revisar programas de saúde e segurança, realizar avaliações quantitativas de calor nos períodos críticos e modificar horários de trabalho para evitar exposição nos momentos de maior risco térmico.
Água, protetor solar e equipamentos adequados
Outro ponto envolve a disponibilização de equipamentos e condições adequadas para quem trabalha exposto ao clima.
Conforme a reportagem do Midiamax, entre os itens previstos estão chapéus do tipo legionário, máscaras, óculos e protetor solar , além da utilização de uniformes confeccionados com tecidos leves e características que contribuam para reduzir a absorção de calor.
A hidratação também recebe atenção especial. As empresas deverão garantir acesso a água potável fresca , além da reposição de sais minerais conforme as condições enfrentadas pelos trabalhadores.
Essas medidas acompanham orientações já divulgadas oficialmente pelo MPT-MS, que incluem água fresca, bebidas isotônicas e equipamentos de proteção adaptados às condições de calor intenso.
Gestantes e trabalhadores com comorbidades
Nos casos em que as condições climáticas atinjam níveis considerados incompatíveis com a execução segura das atividades e não seja possível controlar adequadamente os riscos, trabalhadores considerados mais vulneráveis deverão receber atenção específica.
Segundo o Midiamax, a recomendação prevê a suspensão das atividades de gestantes e pessoas com comorbidades diante de emergências climáticas que não possam ser controladas pelas medidas disponíveis.
O próprio MPT já havia orientado empregadores a suspender temporariamente atividades diante de risco grave e iminente, sobretudo em emergências climáticas e situações de exposição extrema.
Empresas terão de atualizar gerenciamento de riscos
As mudanças climáticas também deverão ser incorporadas aos procedimentos de segurança ocupacional.
Os programas de gerenciamento de riscos precisarão considerar situações como temperaturas elevadas, períodos de seca e outras condições ambientais capazes de afetar a saúde e a segurança dos empregados.
Entre as medidas está a realização de medições de calor nos meses e horários de maior incidência solar . Nos ambientes fechados, a orientação também envolve cuidados com a manutenção e higienização dos equipamentos de climatização.
O MPT defende ainda diálogo permanente entre empresas e sindicatos para que os efeitos das mudanças climáticas sobre as relações de trabalho também sejam considerados nas negociações coletivas.
Mudanças climáticas entram definitivamente na agenda trabalhista
A iniciativa faz parte de uma discussão mais ampla conduzida pelo Ministério Público do Trabalho sobre os impactos das mudanças climáticas no ambiente profissional.
Em abril de 2026, o MPT-MS reuniu representantes do poder público e de empresas ligadas, entre outros segmentos, à cadeia produtiva da celulose , para apresentar diretrizes destinadas à redução dos impactos das mudanças climáticas sobre os trabalhadores.
Com a expansão da atividade florestal e industrial em Mato Grosso do Sul, a discussão passa a fazer parte também dos desafios de crescimento do setor: além de produtividade, logística, investimentos e sustentabilidade ambiental, as empresas precisarão incorporar cada vez mais a adaptação climática às políticas de saúde e segurança do trabalho .
Fonte: Jornal Midiamax, com informações complementares do Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso do Sul (MPT-MS).
