A Comunidade Indígena Ofaié , em Brasilândia (MS) , começa a colher os primeiros resultados de um projeto voltado ao fortalecimento da produção local, diversificação das atividades econômicas e geração de renda.
Entre as ações já implantadas estão hortas familiares, melhorias na pecuária, capacitação de artesãs e preparação de atividades de apicultura e avicultura .
O Projeto de Relacionamento na Comunidade Indígena Ofaié é desenvolvido pela Suzano , em parceria com o Sebrae e com os moradores da aldeia. A proposta combina assistência técnica, fornecimento de materiais e capacitação, respeitando os conhecimentos tradicionais e as características culturais da comunidade.
Segundo Andreone Souza, coordenador de Relacionamento Social da Suzano em Mato Grosso do Sul, os resultados iniciais refletem o planejamento realizado em conjunto com as famílias indígenas.
“Ver esses primeiros resultados na comunidade mostra que o projeto está seguindo o caminho que planejamos junto às famílias indígenas. Cada etapa concluída representa mais oportunidades de produção, geração de renda e fortalecimento da autonomia da comunidade, sempre respeitando o engajamento culturalmente apropriado e os conhecimentos tradicionais do povo Ofaié”, afirma.
Hortas já produzem alimentos e geram renda
A horticultura é atualmente uma das frentes mais avançadas. Oito hortas familiares foram implantadas, ocupando juntas aproximadamente 400 metros quadrados .
Nos espaços são cultivados alimentos como quiabo, abóbora, feijão, maxixe, mandioca, berinjela, jiló, banana, abacaxi, tomate, alface, rúcula, cheiro-verde, almeirão, cenoura, beterraba e couve.
A produção tem dois destinos: uma parcela é utilizada na alimentação das próprias famílias, enquanto outra começa a chegar ao mercado. Atualmente, seis produtores da comunidade comercializam alimentos por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) , criando uma alternativa de geração de renda a partir da agricultura.
Pecuária recebe melhorias na infraestrutura
Outra atividade contemplada é a pecuária , com investimentos direcionados principalmente à infraestrutura necessária para melhorar o manejo dos animais.
Até o momento, foram reformados 10,5 quilômetros de cercas e recuperados 35 hectares de pastagem . Uma segunda etapa prevê ainda a implantação de outros cinco quilômetros de cercas .
As intervenções buscam oferecer melhores condições para a continuidade e o desenvolvimento da atividade pecuária dentro da comunidade.
Apicultura e avicultura ampliam atividades produtivas
A diversificação também passa pela implantação da apicultura . Doze famílias participam desta frente, que atualmente se encontra na fase de instalação de caixas-isca e preparação das futuras colmeias.
A expectativa é iniciar a produção de mel nos próximos ciclos, criando uma nova atividade econômica e mais uma possibilidade de geração de renda para as famílias Ofaié.
Na avicultura , o primeiro galinheiro já foi concluído. A estrutura será utilizada como modelo para ampliar gradualmente a criação entre os participantes do projeto, fortalecendo a diversificação da produção de alimentos na aldeia.
Mulheres indígenas avançam na produção artesanal
O artesanato indígena também ocupa espaço importante na iniciativa. Dez mulheres concluíram a primeira etapa de uma capacitação em costura criativa , desenvolvida em parceria com o Sebrae/MS.
Durante sete meses, as participantes tiveram acesso a conhecimentos relacionados ao aperfeiçoamento das técnicas de produção, reaproveitamento de materiais, acabamento e precificação.
A proposta é ampliar o portfólio de produtos e agregar valor às peças produzidas pelas artesãs, preservando as características culturais e a identidade do povo Ofaié.
Além da capacitação, foram disponibilizados materiais para as diferentes atividades, incluindo mudas destinadas às hortas, cercas para a pecuária, caixas para a apicultura e insumos utilizados no artesanato.
Próximas etapas
O trabalho na comunidade continua com acompanhamento técnico, expansão das culturas agrícolas, fortalecimento da comercialização e novas capacitações .
Para a cacica Ramona Coimbra Pereira, as ações representam uma oportunidade de unir novos conhecimentos às práticas e à cultura da comunidade.
“Esse projeto representa um passo importante para a nossa comunidade. Estamos aprendendo novas técnicas, melhorando nossos produtos e fortalecendo nossa forma de trabalho. A gente agradece muito as parcerias que respeitam nossa cultura e trazem conhecimento para que possamos melhorar nossa qualidade de vida”, destaca.
Com o avanço das diferentes frentes, a expectativa é ampliar gradualmente a capacidade produtiva da comunidade, criando alternativas de renda, segurança alimentar e desenvolvimento sustentável para as famílias indígenas de Brasilândia.
