O crescimento dos acidentes envolvendo animais silvestres nas rodovias de Mato Grosso do Sul acende um alerta especialmente importante para quem trafega pelas estradas que cortam o Vale da Celulose .
Além dos impactos sobre a fauna, a presença de animais na pista representa um risco real de acidentes graves e até fatais para motoristas e passageiros.
Dados do Mapa de Colisões com a Fauna mostram que os acidentes envolvendo animais aumentaram 69% no primeiro trimestre de 2026 , em comparação com o mesmo período de 2025. O caso das antas chama ainda mais atenção: foram apenas cinco registros nos três primeiros meses do ano passado, contra 58 ocorrências no primeiro trimestre deste ano .
O crescimento ultrapassa 1.000% e reforça a necessidade de cautela nas rodovias sul-mato-grossenses, principalmente em regiões de intenso fluxo de caminhões, veículos de passeio, ônibus e máquinas relacionadas às atividades produtivas.
Para o Vale da Celulose , onde a logística rodoviária é essencial para conectar áreas de florestas plantadas, unidades industriais e municípios, o alerta ganha ainda mais importância.
BR-262 lidera colisões com animais em MS
Uma das rodovias mais importantes para o setor florestal aparece justamente no topo do levantamento.
A BR-262 acumula cerca de 8,1 mil registros de colisões envolvendo fauna , sendo apontada como a rodovia mais crítica de Mato Grosso do Sul. A estrada atravessa áreas importantes do leste do Estado e passa por municípios estratégicos para a cadeia produtiva da celulose.
Na sequência aparecem a BR-267 e a MS-040 , ambas com mais de 2 mil ocorrências envolvendo animais.
São estradas utilizadas diariamente por motoristas profissionais e por trabalhadores ligados às cadeias da celulose, madeira, agronegócio e demais atividades econômicas do Estado.
Por isso, a possibilidade de encontrar um animal sobre a pista não pode ser tratada como uma situação excepcional.
Colisão com uma anta pode ser fatal
Entre os animais encontrados nas rodovias de Mato Grosso do Sul, a anta representa um dos maiores riscos em caso de colisão .
Considerada o maior mamífero terrestre da América do Sul, a espécie pode chegar a aproximadamente 300 quilos . O peso e o porte tornam o impacto especialmente perigoso, principalmente quando o veículo trafega em velocidade elevada.
Dados da Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira (Incab) citados pelo levantamento mostram que 51 pessoas morreram em acidentes envolvendo antas nas rodovias de Mato Grosso do Sul nos últimos 13 anos .
Um acidente ocorrido recentemente na BR-267 , entre Rio Brilhante e Maracaju, demonstra a gravidade desse tipo de ocorrência. No dia 3 de agosto, uma adolescente de 13 anos e um homem de 38 anos morreram após o veículo em que estavam atingir uma anta.
Depois da colisão com o animal, o motorista perdeu o controle da direção, invadiu a pista contrária e bateu frontalmente contra um caminhão carregado com etanol. Os veículos pegaram fogo.
O caso reforça que um animal atravessando repentinamente a pista pode desencadear uma sequência de acontecimentos com consequências fatais.
Motoristas precisam redobrar a atenção
Nas rodovias que atravessam áreas florestais, rurais e de vegetação nativa, a atenção deve ser permanente.
O cuidado precisa ser ainda maior no período noturno e nos horários de menor luminosidade , quando a visualização de animais próximos ou sobre a pista pode acontecer apenas a poucos metros de distância.
A velocidade também é determinante. Quanto maior a velocidade do veículo, menor será o tempo disponível para identificar o animal, frear e evitar a colisão.
Para motoristas de caminhões, o desafio pode ser ainda maior devido ao peso da composição e à distância necessária para uma frenagem segura.
Ao trafegar pelas rodovias do Vale da Celulose , é fundamental respeitar os limites de velocidade, observar a sinalização e manter distância segura dos demais veículos. Em trechos com indicação de travessia de animais, a atenção deve ser ainda maior.
Caso um animal apareça repentinamente na pista, movimentos bruscos também podem aumentar o risco de perda de controle e colisões com outros veículos.
Tatu-peba é a espécie com maior número de registros
Embora as antas representem grande preocupação devido ao porte e à gravidade das colisões, outras espécies aparecem com frequência nas estatísticas.
Nos últimos 13 anos, o tatu-peba lidera os registros de animais envolvidos em colisões nas estradas de Mato Grosso do Sul, com aproximadamente 1,8 mil ocorrências .
Na sequência aparecem aves e cachorro-do-mato , com cerca de 1,4 mil registros cada . Tatu-galinha e jacaré-do-pantanal possuem mais de 700 ocorrências cada.
O levantamento também registra mais de 500 casos , individualmente, envolvendo tamanduá-bandeira, capivara e tamanduá-mirim . As antas somam 333 registros , enquanto a seriema aparece em quase 300 ocorrências.
Os dados mostram que encontrar animais nas rodovias é uma realidade recorrente em Mato Grosso do Sul e não se restringe a uma única espécie.
Desenvolvimento aumenta responsabilidade nas estradas
O Vale da Celulose atravessa um período de forte expansão industrial e florestal. Com novos investimentos, aumento das áreas produtivas e crescimento da capacidade industrial, a movimentação logística tende a permanecer intensa nas principais rodovias da região.
Esse cenário torna a segurança viária um tema diretamente relacionado ao desenvolvimento da cadeia da celulose.
O mesmo território que concentra florestas plantadas, unidades industriais e grandes corredores logísticos também abriga uma rica biodiversidade. Em determinados pontos, as rodovias acabam cruzando rotas naturais utilizadas pelos animais para deslocamento.
Por isso, medidas como passagens de fauna, cercas direcionadoras, sinalização e identificação dos pontos com maior concentração de atropelamentos são importantes para diminuir os riscos.
Estudos mencionados no levantamento apontam que a utilização conjunta de cercamento e passagens inferiores de fauna pode proporcionar uma redução de até 80% nos acidentes envolvendo animais .
Atenção pode salvar vidas
Os números deixam um alerta principalmente para quem percorre diariamente as estradas do Vale da Celulose : animais na pista podem surgir de forma inesperada e uma colisão pode ter consequências graves em poucos segundos.
Com a BR-262 liderando os registros de colisões com fauna em Mato Grosso do Sul , redobrar a atenção nos corredores rodoviários da região deve fazer parte da rotina de motoristas profissionais e de quem utiliza essas estradas para trabalhar ou viajar.
Reduzir a velocidade em áreas de risco, respeitar a sinalização, manter distância segura e aumentar a atenção durante a noite são atitudes que ajudam a diminuir a possibilidade de acidentes.
Em uma região onde o fluxo rodoviário cresce junto com a indústria da celulose, preservar a fauna e proteger vidas humanas são partes do mesmo desafio de tornar as estradas mais seguras .
