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Projeto da Veracel mira 500 mil créditos de carbono e reforça papel da celulose na economia verde

Projeto de restauração da Veracel prevê gerar 500 mil créditos de carbono, recuperar áreas da Mata Atlântica e reforçar o protagonismo da indústria de celulose na economia verde e no mercado de carbono.

Redação - Vale Celulose - Três Lagoas 
24/07/26 às 07h45
(Foto: Projeto na Bahia mira 500 mil créditos de carbono em 40 anos - Imagem: divulgação)

A indústria brasileira de celulose amplia seu protagonismo na agenda da economia de baixo carbono com um projeto de restauração florestal que pretende gerar aproximadamente 500 mil créditos de carbono ao longo dos próximos 40 anos.

Desenvolvido no sul da Bahia, o Projeto Muçununga reúne empresas dos setores florestal, financeiro e de energia em uma iniciativa considerada uma das mais promissoras do mercado voluntário de carbono no Brasil.

A operação é conduzida pela Biomas , empresa especializada em regeneração de ecossistemas formada por Itaú, Marfrig, Rabobank, Santander, Suzano e Vale , em parceria com a Carbon2Nature Brasil , joint venture da Neoenergia com a espanhola Iberdrola. O projeto utiliza áreas da Veracel Celulose , cedidas por um período de 100 anos para recuperação ambiental e geração de ativos de carbono.

O objetivo é restaurar cerca de 1,3 mil hectares da Mata Atlântica , distribuídos entre os municípios de Belmonte, Eunápolis, Guaratinga, Itagimirim, Itapebi, Mascote, Potiraguá e Santa Luzia, com o plantio de mais de 2 milhões de mudas de 105 espécies nativas . A expectativa é gerar aproximadamente 500 mil créditos de carbono , fortalecendo a conservação ambiental e criando uma nova fonte de receita para a cadeia da celulose .

ENTENDA | O que são créditos de carbono?

Os créditos de carbono são certificados que representam a redução, remoção ou compensação de uma tonelada de dióxido de carbono equivalente (CO ? e) da atmosfera. Eles são emitidos para projetos que conseguem comprovar, por meio de auditorias independentes, que reduziram ou removeram gases de efeito estufa.

Na prática, empresas que ainda não conseguem eliminar totalmente suas emissões compram esses créditos para compensar parte do impacto ambiental de suas operações. Esse mecanismo movimenta o mercado de carbono , incentiva investimentos em restauração florestal , preservação ambiental e acelera a transição para uma economia sustentável .

Nos projetos florestais, as árvores capturam carbono da atmosfera durante seu crescimento. Esse carbono permanece armazenado na vegetação, contribuindo para reduzir a concentração de gases responsáveis pelo aquecimento global.

Créditos premium atraem grandes investidores

Os primeiros créditos de carbono do Projeto Muçununga deverão ser certificados a partir de 2029 , após auditorias que comprovem a efetiva captura de carbono pelas áreas restauradas.

A iniciativa pretende emitir os chamados créditos de carbono de alta integridade , considerados os mais valorizados do mercado por atenderem critérios rigorosos de qualidade, rastreabilidade, adicionalidade e permanência do carbono estocado.

Segundo informações publicadas pelo Poder360 , executivos envolvidos no projeto avaliam que esse tipo de crédito poderá alcançar valores entre US$ 30 e US$ 70 por unidade no mercado voluntário internacional, podendo atingir patamares ainda maiores conforme aumenta a demanda por ativos ambientais certificados.

Além dos benefícios climáticos, o projeto contempla ações voltadas para 14 comunidades rurais , com programas de capacitação, fortalecimento da economia local e incentivo à conservação da biodiversidade, agregando valor social à iniciativa.

Celulose amplia geração de valor além da produção de fibras

O projeto demonstra uma mudança importante na atuação da indústria de celulose . Além da produção de madeira renovável e de celulose , as empresas passam a gerar receitas por meio dos serviços ambientais , transformando as florestas em ativos estratégicos para a bioeconomia .

Especialistas apontam que o Brasil possui vantagens competitivas importantes para liderar esse mercado, como elevada produtividade florestal, conhecimento técnico, disponibilidade de áreas para restauração e condições favoráveis para a captura de carbono.

Para Marcelo Pereira, diretor da Biomas, o conhecimento acumulado pelo setor florestal brasileiro permite restaurar ecossistemas, capturar carbono e garantir a conservação das áreas por décadas, aumentando a confiabilidade dos projetos perante investidores internacionais.

Modelo deverá se expandir pelo Brasil

O Projeto Muçununga faz parte de uma estratégia mais ampla das empresas envolvidas. A Biomas já desenvolve novos projetos na Amazônia e em outras áreas da Mata Atlântica , enquanto a Carbon2Nature avalia iniciativas em manguezais , Cerrado e outros biomas brasileiros.

O avanço acompanha a consolidação do mercado brasileiro de carbono , que deverá ganhar força com a regulamentação nacional e com o crescimento da demanda mundial por soluções baseadas na natureza.

Vale Celulose

A iniciativa reforça uma tendência que deve transformar o futuro da indústria de celulose . As florestas deixam de ser apenas fornecedoras de matéria-prima para a produção de celulose e passam a desempenhar papel estratégico na captura de carbono , na restauração florestal , na geração de créditos de carbono e no fortalecimento da economia verde .

Para um setor reconhecido mundialmente pela produtividade de suas florestas plantadas, projetos como o Muçununga demonstram que a sustentabilidade também pode gerar novos negócios, atrair investimentos internacionais e consolidar o Brasil como uma das principais referências globais em bioeconomia , mercado de carbono e soluções climáticas .

Fonte: Ibá

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