Mato Grosso do Sul vive nova fase de desenvolvimento econômico
O Mato Grosso do Sul atravessa um dos períodos mais intensos de transformação econômica de sua história recente. Impulsionado por investimentos bilionários na indústria de celulose, expansão da base florestal e novos projetos logísticos, o estado consolida o chamado Vale da Celulose como um dos principais polos industriais emergentes do Brasil.
A avaliação é do secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Jaime Verruck, que participou de uma entrevista concedida ao jornalista Wésley Mendonça para o Portal Vale da Celulose.
Durante a conversa, o secretário destacou que o estado vive um momento de transição econômica e reposicionamento produtivo.
“Eu tenho utilizado uma palavra que chamo de transição econômica. Mato Grosso do Sul mudou de patamar no desenvolvimento e hoje é um estado diversificado, que busca agregação de valor e utiliza tecnologia em toda a sua base produtiva”, afirmou.
Segundo Verruck, nos últimos dez anos cerca de cinco milhões de hectares antes ocupados por pastagens foram incorporados à produção agrícola e florestal, ampliando significativamente a capacidade produtiva do estado.
Vale da Celulose consolida Mato Grosso do Sul no cenário global
Um dos principais motores desse novo ciclo econômico é o Vale da Celulose, região que concentra grandes investimentos industriais e algumas das fábricas mais modernas do mundo no setor de base florestal.
O conceito foi estruturado em 2017 como uma estratégia de integração entre produção florestal, indústria, tecnologia e desenvolvimento regional.
“Criamos o conceito do Vale da Celulose inspirado em modelos de desenvolvimento que mostram a importância da integração entre setor público e privado para gerar inovação e crescimento econômico”, explicou o secretário.
Atualmente o Mato Grosso do Sul possui cerca de 2 milhões de hectares de eucalipto plantado , número que deve chegar a 2,5 milhões de hectares nos próximos anos . Com isso, o estado poderá assumir a liderança nacional em área de florestas plantadas.
Além da produção florestal, a região abriga centros de pesquisa e inovação, como o Instituto Senai de Biomassa de Três Lagoas, referência nacional em estudos sobre biomassa e bioenergia.
Expansão industrial deve gerar 24 mil empregos
A expansão da cadeia produtiva da celulose também deve gerar impactos significativos no mercado de trabalho. Segundo projeções do governo estadual, novos investimentos no setor podem gerar cerca de 24 mil empregos adicionais até 2032 .
Entre os projetos em andamento está a construção da nova fábrica da Arauco, considerada uma das maiores plantas industriais de celulose em desenvolvimento no mundo.
“Atualmente o canteiro de obras reúne cerca de 10 mil trabalhadores. Depois da conclusão, o complexo deve manter aproximadamente seis mil empregos entre atividades industriais e florestais”, explicou Verruck.
O secretário destacou ainda que o setor possui remuneração acima da média de outras atividades econômicas.
“A remuneração média desse setor é superior à média de outras atividades, tanto na parte agrícola quanto na industrial.”
Infraestrutura e logística sustentam crescimento
Para viabilizar esse crescimento industrial, o governo estadual tem investido em projetos estruturantes de logística e infraestrutura.
Um dos principais projetos é a chamada Rota da Celulose , concessão rodoviária com aproximadamente 860 quilômetros de extensão , que conecta regiões produtivas aos polos industriais da costa leste do estado.
O investimento previsto ultrapassa R$ 10 bilhões .
Além das rodovias, a logística ferroviária também é considerada estratégica para o setor. Grande parte da produção de celulose do estado é escoada até o Porto de Santos por meio da ferrovia, o que reduz custos e amplia a competitividade internacional.
Sustentabilidade e controle ambiental
Segundo Verruck, o avanço da indústria florestal no Mato Grosso do Sul também é acompanhado por rigorosos estudos de impacto ambiental.
Grandes empreendimentos passam por análises detalhadas que avaliam impactos sobre fauna, flora, recursos hídricos e equilíbrio ambiental.
Cada projeto recebe um conjunto de condicionantes ambientais que incluem monitoramento da qualidade da água, controle de emissões atmosféricas, proteção de nascentes e implantação de corredores ecológicos.
“Esses empreendimentos possuem entre 30 e 40 condicionantes ambientais que são monitoradas permanentemente pelos órgãos ambientais”, explicou o secretário.
Estratégia econômica para a próxima década
O planejamento econômico do Mato Grosso do Sul para os próximos dez anos está estruturado em três grandes eixos estratégicos.
O primeiro é a consolidação do estado como referência global na produção de celulose.
O segundo envolve o fortalecimento do chamado estado multiproteína , com expansão da produção de suínos, aves e piscicultura.
O terceiro eixo é o crescimento do setor de bioenergia , aproveitando o potencial de biomassa e fontes renováveis.
Segundo Verruck, a nova dinâmica econômica também está relacionada às mudanças trazidas pela reforma tributária brasileira.
“No futuro, a competitividade dos estados estará cada vez mais ligada à logística, infraestrutura e qualificação de pessoas, e não apenas aos incentivos fiscais”, afirmou.
Acompanhe a entrevista completa pelo link:
