A Suzano comunicou ao mercado internacional um novo reajuste nos preços da celulose, com vigência a partir de maio de 2026. A medida abrange clientes na Europa e nas Américas e dá continuidade à estratégia de recomposição de preços adotada pela companhia ao longo do ano.
Reajustes seguem dinâmica global da commodity
De acordo com informações do setor, a Suzano vem promovendo aumentos sequenciais desde o início de 2026. Apenas entre fevereiro e abril, os reajustes variaram entre:
- US$ 10 a US$ 20 por tonelada na Ásia
- US$ 30 a US$ 50 por tonelada na Europa e Américas
Para abril, por exemplo, a companhia elevou os preços em:
- US$ 20 por tonelada na Ásia
- US$ 50 por tonelada na Europa e Américas
Com esse movimento, o preço de referência da celulose de fibra curta na Europa atingiu cerca de:
- US$ 1.380 por tonelada
O novo aumento previsto para maio segue essa trajetória de alta, embora os valores específicos possam variar conforme contratos e negociações regionais.
Estratégia de recomposição de margens
O ciclo de reajustes reflete uma estratégia clara da companhia de recuperar preços após um período de pressão no mercado global. Entre os principais fatores estão:
- Redução de estoques globais, especialmente na Ásia
- Restrições de oferta por paradas de produção e licenciamento
- Aumento nos custos de madeira, energia e logística
- Retomada gradual da demanda por papel e embalagens
Além disso, a Suzano mantém uma política de controle de produção — com redução estimada em cerca de 3,5% ao longo de 2026 — para equilibrar oferta e demanda e sustentar preços.
Sequência de aumentos em 2026
O movimento atual não é isolado. Desde o início do ano, a companhia já anunciou diversas rodadas de reajuste:
- Janeiro: aumentos iniciais para testar o mercado
- Fevereiro: +US$ 10 (Ásia) e +US$ 30 (Ocidente)
- Março/Abril: até +US$ 50 por tonelada em mercados ocidentais
No acumulado, os preços nas Américas e Europa já somam altas de até US$ 200 por tonelada em 2026 , considerando anúncios sucessivos.
Impactos para o mercado internacional
Como maior produtora mundial de celulose de eucalipto, a Suzano exerce influência direta na formação de preços globais. O reajuste afeta cadeias industriais estratégicas, como:
- Papel e embalagens
- Produtos de higiene (tissue)
- Indústria gráfica
- Exportações brasileiras
A Europa, em especial, tem se consolidado como referência global de preços, funcionando como indicador para contratos internacionais.
Reflexos no Brasil e em MS
No Brasil, o movimento é acompanhado de perto por regiões com forte presença da indústria florestal, como estado de MS, considerada um dos principais polos mundiais de produção de celulose.
A elevação dos preços internacionais pode impactar:
- Receita de exportações
- Nível de atividade industrial
- Cadeia de fornecedores locais
- Geração de empregos indiretos
Perspectivas para o segundo trimestre
A expectativa do mercado é de manutenção da tendência de alta no segundo trimestre de 2026, ainda que com possível resistência de compradores diante dos níveis elevados de preços.
Analistas apontam que a sustentação desse ciclo dependerá principalmente de:
- Continuidade da demanda asiática
- Disciplina de oferta entre grandes produtores
- Evolução dos custos globais
