Tensão geopolítica impacta cadeia da celulose
O avanço do conflito no Oriente Médio tem provocado alta nos preços do petróleo, fator que influencia diretamente o custo do transporte global. Para a Suzano, esse cenário aumenta despesas logísticas e pressiona toda a cadeia produtiva da celulose.
Maior produtora mundial de celulose, matéria-prima essencial para itens de higiene e embalagens, a companhia abastece empresas como a Kimberly-Clark, responsável por marcas amplamente consumidas. Nesse cenário, a celulose tende a sofrer pressão de custos que se reflete ao longo de toda a indústria.
Além do frete, insumos químicos utilizados na produção também tendem a encarecer, ampliando o impacto sobre a indústria. Com isso, o setor de celulose passa a operar sob maior pressão de custos em escala internacional.
Papel tissue deve sentir impacto direto
Produtos como papel higiênico, lenços e outros itens de papel tissue estão entre os mais sensíveis a esse cenário. Isso ocorre porque esses produtos têm relação direta com o preço da celulose e menor margem para absorver aumentos.
A Suzano avalia que, caso o conflito se prolongue, haverá repasse gradual desses custos ao longo da cadeia, podendo atingir o consumidor final em diferentes mercados.
Executivos alertam para efeito inflacionário
Segundo avaliação de Paulo Leime , diretor da Suzano para Europa, Oriente Médio e África, o cenário atual tende a provocar aumento generalizado de custos no setor.
“Com certeza haverá um aumento de custos em todo o sistema, em toda a cadeia de valor.”
“Isso pressionará os preços do papel. Se essa crise continuar, a inflação deverá retornar a vários produtos, não apenas papel e lenços de papel.”
A declaração reforça a preocupação da indústria com o efeito inflacionário decorrente da instabilidade geopolítica.
Mercado já registra movimentos de alta
A Suzano já vinha promovendo reajustes nos preços da celulose em diferentes regiões do mundo. Em março, a companhia anunciou aumentos de até US$ 50 por tonelada, refletindo um ambiente de custos mais elevados.
Desde o início do conflito, as ações da empresa acumulam queda superior a 15%, refletindo a preocupação do mercado com o aumento dos custos e seus efeitos sobre a rentabilidade do setor.
Esse movimento indica que o mercado global de celulose começa a reagir aos fatores externos, especialmente aqueles ligados à energia e logística.
Setor monitora cenário internacional
Apesar das pressões, o mercado ainda apresenta relativa estabilidade no curto prazo. No entanto, empresas e analistas acompanham com cautela a evolução das tensões geopolíticas.
A tendência é de que fatores como custo do petróleo, transporte e riscos logísticos tenham influência crescente sobre o preço da celulose nos próximos meses.
O alerta da Suzano evidencia a forte conexão entre o setor de celulose e o cenário global. Em um ambiente marcado por incertezas geopolíticas, o comportamento dos custos logísticos e energéticos deve continuar determinante para a formação de preços, com impacto direto na indústria e no consumo.
Com informações adicionais Valor Econômico*
