O mês de dezembro de 2025 marca um momento importante para os investidores do setor de papel e celulose no Brasil. Em um movimento conjunto de retorno ao acionista,
Suzano
(SUZB3) e
Klabin
(KLBN11) anunciaram bilhões em proventos, sinalizando uma fase de maior geração de caixa e distribuição de lucros após anos de investimentos relevantes.
A decisão ocorre em um contexto de maior otimismo de casas de análise internacionais em relação ao setor. Relatórios recentes indicam preferência por empresas brasileiras listadas, como Suzano e Klabin, em relação a pares de outros países latino-americanos, pela combinação de escala, custos competitivos e ciclo de investimentos mais maduro.
Chuva de dividendos e reforço patrimonial
A Suzano aprovou R$ 1,38 bilhão em dividendos intercalares, equivalentes a R$ 1,1165 por ação, com pagamento previsto para 4 de fevereiro de 2026, a investidores com posição em 18 de dezembro de 2025.
A companhia também aprovou um aumento de capital de R$ 5 bilhões por capitalização de reservas, elevando o capital social para cerca de R$ 24,269 bilhões, sem emissão de novas ações, o que evita diluição e reforça a estrutura patrimonial.
A Klabin anunciou aproximadamente R$ 1,112 bilhão em dividendos, além de uma operação de bonificação de ações estimada em cerca de R$ 800 milhões, em linha com a estratégia de recompensar acionistas após a conclusão de importantes ciclos de expansão.
Unidade da Suzano em Ribas do Rio Pardo. (Foto: Divulgação)
Otimismo dos bancos e potencial de alta
Relatórios de bancos internacionais, incluindo o
Morgan Stanley,
apontam forte potencial de valorização para as ações de Suzano e Klabin e recomendam exposição relevante ao setor brasileiro de papel e celulose.
No caso de Suzano (SUZB3), as análises mencionam cenário de valorização expressiva até o preço
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alvo em torno de R$ 83,00, associado a projeções de fluxo de caixa livre elevado entre 2025 e 2027.
Para Klabin (KLBN11), as recomendações indicam visão construtiva e espaço para valorização relevante em relação aos preços atuais, destacando que o papel negocia a múltiplos inferiores à média histórica.
Concorrentes regionais e ciclo de investimentos
Empresas concorrentes no Chile e no México, como CMPC e Copec, em geral recebem recomendações mais neutras em alguns relatórios justamente porque ainda atravessam ciclos de investimento mais intensos, com impacto maior em caixa e endividamento.
Esse estágio diferente do ciclo de capital favorece, na visão de analistas, a atratividade relativa das brasileiras, que começam a colher mais os resultados de projetos já executados.
(Imagem: Vale Celulose)
Recuperação do preço da celulose
As projeções para o mercado de celulose também são, em geral, positivas, com expectativa de recuperação gradual dos preços da celulose de fibra curta (BHKP) a partir de 2025.
Há cenários que trabalham com preços em torno de patamares próximos a US$ 600 por tonelada no fim de 2025 e valores um pouco mais altos no longo prazo, sempre como hipóteses de casas de análise, não como dados garantidos.
Estoques mais ajustados globalmente e limitações de oferta em algumas regiões sustentam essa visão de melhora gradual, o que beneficia exportadores brasileiros.
A Suzano revisou seu guidance de custos e investimentos, projetando para os próximos anos um desembolso operacional por tonelada e um custo caixa de produção compatíveis com a posição de baixo custo da companhia no cenário global.
A empresa também reduziu a estimativa de Capex para 2026 para cerca de R$ 10,9 bilhões, algo em torno de 18% abaixo do valor previsto para 2025, aumentando a capacidade de geração de caixa para dividendos e desalavancagem.
(Imagem: Vale Celulose)
O setor passa por uma fase em que parte relevante dos grandes projetos já foi concluída, permitindo maior foco em eficiência operacional, disciplina de capital e distribuição de resultados.
Com custos competitivos e expectativa de melhora gradual dos preços da celulose, a tese das companhias brasileiras combina recuperação de margens com maior retorno ao acionista, embora tudo ainda dependa da execução operacional e do comportamento efetivo dos preços da commodity nos próximos anos.