A infraestrutura rodoviária de Mato Grosso do Sul entra em uma nova etapa com a assinatura do contrato da Rota da Celulose, formalizada nesta segunda-feira (2) entre o Governo do Estado e o Consórcio Caminhos da Celulose, liderado pela XP Investimentos.
O projeto prevê R$ 10,1 bilhões em investimentos ao longo de 30 anos e abrange 870,3 quilômetros de rodovias, incluindo trechos das BR-262, BR-267 e das rodovias estaduais MS-040, MS-338 e MS-395. O objetivo é modernizar as estradas, reduzir acidentes e melhorar o escoamento da produção de celulose no Estado.
Quanto vai custar o pedágio entre Três Lagoas e Campo Grande?
O sistema de cobrança na Rota da Celulose será o Free Flow, modelo eletrônico sem praças físicas, em que o motorista paga conforme o trecho percorrido.
No trajeto pela BR-262 entre Três Lagoas e Campo Grande, serão quatro pontos de cobrança. Considerando as tarifas iniciais previstas no contrato de concessão, o valor total para veículos de passeio ao percorrer todo o trecho será de aproximadamente:
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R$ 61,60 no início da concessão
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R$ 70,30 ao final do contrato (30º ano)
Veja como ficam os valores por trecho:
BR-262 – Três Lagoas a Campo Grande
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P1 – Três Lagoas (km 39): R$ 13,70
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P2 – Água Clara (km 105): R$ 16,00
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P3 – Ribas do Rio Pardo (km 207): R$ 18,00
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P4 – Campo Grande (km 292): R$ 14,90 (chegando a R$ 21,20 ao final da concessão)
Os valores serão corrigidos ao longo do contrato. Em alguns pontos, como o de Campo Grande, a tarifa poderá ter aumento acumulado de até 42% ao longo dos 30 anos de concessão. Motoristas que utilizarem TAG eletrônica poderão ter descontos progressivos, conforme regras da concessionária. A previsão de início da cobrança é para 2027, após o período inicial de obras e adequações da rodovia.BR-262 terá duplicação e mais segurança
A concessão garante uma mudança importante em um dos trechos mais perigosos da rodovia. Serão duplicados 101,73 quilômetros da BR-262, principalmente entre Campo Grande e Ribas do Rio Pardo, onde há alto índice de acidentes.
Além disso, o trecho entre Ribas do Rio Pardo e Três Lagoas contará com:
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57,57 km de terceira faixa,
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melhorias no pavimento e nos acostamentos,
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instalação de câmeras de monitoramento,
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criação de um Centro de Controle Operacional (CCO),
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atendimento ao usuário com guinchos, ambulâncias e bases de apoio.
A meta é garantir 100% de acostamento em toda a malha concedida, aumentando a segurança para motoristas, caminhoneiros e moradores da região. Segundo Campo Grande News, a estrutura operacional inclui a implantação de 13 SAUs (Serviços de Atendimento ao Usuário), três Postos de Parada e Descanso, bases operacionais, adequações e construções para a Polícia Rodoviária Federal e Polícia Rodoviária Estadual, além de postos de fiscalização da Agems (Agência Estadual de Regulação) e da Sefaz (Secretaria de Fazenda).
A Rota da Celulose também prevê ações para reduzir os atropelamentos de animais silvestres, problema frequente nas rodovias de Mato Grosso do Sul. Estão previstas passagens de fauna, cercas de proteção, sinalização específica em áreas de travessia de animais, ações educativas para motoristas.
As medidas seguem diretrizes do programa Estrada Viva e buscam diminuir impactos ambientais causados pelo aumento do fluxo de veículos pesados, especialmente com a expansão da indústria de celulose no Estado.
Impacto econômico e geração de empregos
A concessão é considerada estratégica para o desenvolvimento de Mato Grosso do Sul. Com estradas mais seguras e eficientes, o Estado melhora sua logística e reduz custos no transporte de cargas, especialmente da celulose produzida em cidades como Três Lagoas, Ribas do Rio Pardo e região.
Ao longo dos 30 anos de contrato, a estimativa é de que o projeto gere mais de 100 mil empregos diretos e indiretos, além de fortalecer a economia regional, o turismo e a circulação de pessoas entre os municípios atendidos pela Rota da Celulose.