A Rota Bioceânica avança para se consolidar como um novo eixo estratégico de logística internacional para o Brasil. Com a fase final da ponte entre Porto Murtinho (MS) e Carmelo Peralta (Paraguai), o corredor promete redução de custos de frete , encurtamento do tempo de transporte e fortalecimento das exportações de Mato Grosso do Sul , especialmente nos setores de celulose , grãos e proteína animal.
A ponte internacional, com 1.294 metros de extensão, integra o Corredor Rodoviário de Capricórnio e conectará o Centro-Oeste brasileiro aos portos do Chile no Oceano Pacífico , criando uma alternativa ao escoamento tradicional via portos do Sudeste e Sul do país.
Redução de distância e tempo de transporte
Atualmente, grande parte das cargas destinadas à Ásia sai por portos como Santos e Paranaguá, cruzando o Oceano Atlântico antes de acessar o Canal do Panamá ou contornar o continente africano.
Com a Rota Bioceânica , o trajeto terrestre seguirá por Paraguai e Argentina até alcançar portos chilenos no Pacífico. Estudos logísticos divulgados por especialistas indicam que:
· A distância marítima até mercados asiáticos pode ser reduzida em até 7 mil a 10 mil quilômetros, dependendo do destino.
· O tempo de trânsito pode cair entre 10 e 15 dias em rotas com destino à China e outros países da Ásia.
· A diminuição do tempo impacta diretamente custos com armazenagem, seguro e capital imobilizado.
A expectativa é que a nova rota aumente a competitividade das exportações brasileiras , principalmente para produtos de grande volume, nos quais o frete representa parcela significativa do custo final.
Impacto direto para o setor de celulose
Mato Grosso do Sul é um dos principais polos nacionais de produção de celulose . O setor tem forte vocação exportadora e depende de eficiência logística para manter margens competitivas no mercado internacional.
A consolidação da Rota Bioceânica posiciona o Estado como ponto estratégico de integração continental, reduzindo a dependência exclusiva dos portos do Sudeste e ampliando alternativas de escoamento para a Ásia.
Analistas do setor logístico apontam que a diversificação de rotas reduz riscos operacionais, melhora previsibilidade e pode gerar ganhos estruturais no médio e longo prazo.
