Mato Grosso do Sul fechou 2025 com um recorde histórico nas exportações, alcançando US$ 10,7 bilhões em vendas ao mercado internacional. O resultado representa um crescimento de 7,51% em relação a 2024 e consolida o Estado entre os principais polos exportadores do país, mesmo em um cenário global marcado por incertezas comerciais.
A diferença entre exportações e importações gerou um superávit comercial próximo de US$ 7,9 bilhões, valor frequentemente arredondado para cerca de US$ 8 bilhões, segundo dados da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), com base no ComexStat.
Celulose lidera pauta exportadora
O principal motor desse desempenho foi a celulose, que respondeu por 28,98% de toda a pauta exportadora sul-mato-grossense, com faturamento de US$ 3,11 bilhões em 2025. Na sequência aparecem a soja, com US$ 2,45 bilhões (cerca de 22% do total), e a carne bovina, que somou US$ 1,90 bilhão, equivalente a aproximadamente 17% das exportações.
Juntos, esses três produtos formam a base da economia exportadora do Estado, conforme a própria caracterização adotada pela Semadesc em seus relatórios oficiais.
A China seguiu como o principal destino das exportações de Mato Grosso do Sul, concentrando 48,57% do total vendido ao exterior em 2025. Os Estados Unidos permaneceram como o segundo maior mercado, mesmo com impactos pontuais provocados por tarifas e restrições comerciais, especialmente sobre a carne bovina.
No ranking municipal, Três Lagoas manteve a liderança isolada como o maior exportador do Estado, respondendo por cerca de 19,68% do total exportado em 2025, posição sustentada pela forte presença da indústria de celulose.
Já Ribas do Rio Pardo consolidou-se na segunda colocação, com participação em torno de 11% da pauta estadual, impulsionada pela entrada em operação da nova unidade da Suzano. A fábrica opera próxima à capacidade nominal de 2,55 milhões de toneladas por ano e já possui planos de ampliação para cerca de 2,7 milhões de toneladas anuais nos próximos anos, reforçando o papel estratégico do município no chamado Vale da Celulose.
A logística teve papel central no desempenho recorde. O Porto de Santos foi responsável por cerca de 38% do escoamento das exportações de Mato Grosso do Sul, seguido por Paranaguá, com aproximadamente 33%. Outros terminais, como São Francisco do Sul (cerca de 12%) e Corumbá (em torno de 5%), também tiveram participação relevante.
Um dos destaques de 2025 foi a recuperação da Hidrovia do Rio Paraguai. Apenas no primeiro semestre do ano, os portos de Corumbá e Porto Murtinho movimentaram 4,5 milhões de toneladas, volume superior a todo o registrado em 2024, favorecido pela melhora no nível do rio e pela retomada da navegação plena.
Importações caem e governo monitora riscos
Apesar do bom desempenho externo, as importações do Estado recuaram 3,4% em 2025, totalizando US$ 2,8 bilhões. A principal explicação é a redução na compra de gás natural da Bolívia, movimento que também impactou negativamente a arrecadação de ICMS.
No cenário externo, o governo estadual acompanha com atenção a possibilidade de adoção de cotas ou novas restrições à carne bovina brasileira pela China. Embora ainda não exista uma medida oficial anunciada para 2025 ou 2026, o tema é tratado como um risco potencial para a pauta exportadora.
Mesmo diante de desafios como tarifas internacionais, oscilações climáticas e mudanças no comércio global, Mato Grosso do Sul demonstrou capacidade de adaptação, diversificação de mercados e eficiência logística. O recorde de exportações em 2025 reforça a posição do Estado como uma engrenagem estratégica da economia brasileira, sustentada pela integração entre indústria, agropecuária e infraestrutura de escoamento.
Com informações de Correio do Estado