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Chegada da Bracell marca nova etapa de desenvolvimento urbano em Bataguassu

A capacidade instalada prevista é de 2,92 milhões de toneladas de celulose kraft por ano, com possibilidade de operação combinada com a produção de celulose solúvel.

Da Redação - Vale Celulose
09/01/26 às 13h55

A indústria de celulose em Mato Grosso do Sul avança para um novo patamar com a aprovação da Licença Prévia da futura fábrica da Bracell, em Bataguassu. O empreendimento, avaliado em R$ 16 bilhões, foi autorizado de forma unânime pelo Conselho Estadual de Controle Ambiental (Ceca) e consolida a região Leste do estado como um dos principais polos globais do setor, oficialmente reconhecido como Vale da Celulose.

A unidade será a sexta fábrica de celulose em operação no estado e terá um diferencial estratégico: será a única planta sul-mato-grossense a produzir celulose solúvel, insumo essencial para a indústria têxtil e química. A capacidade instalada prevista é de 2,92 milhões de toneladas de celulose kraft por ano, com possibilidade de operação combinada com a produção de celulose solúvel.

Bataguassu (Foto: Guilherme Leão/Cenário MS)

Geração de empregos e impacto econômico

Durante a fase de implantação, o projeto deve gerar até 12 mil empregos diretos, além de cerca de 2 mil postos de trabalho permanentes após o início das operações. Segundo o secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Jaime Verruck, a expectativa é de que a Licença de Instalação seja emitida até março, liberando o início efetivo das obras.

Infraestrutura, habitação e logística

O avanço acelerado do setor impõe desafios à infraestrutura regional. Para mitigar os impactos do crescimento populacional, a Bracell se comprometeu a construir mil unidades habitacionais em Bataguassu. O governador Eduardo Riedel classificou o momento como a “dor do investimento”, ressaltando a necessidade de articulação entre poder público e iniciativa privada para garantir moradia, serviços urbanos e qualidade de vida.

Na área logística, o governo estadual articula melhorias na chamada Rota da Celulose, que envolve trechos estratégicos das rodovias BR-267, BR-262 e MS-040. Um novo modelo de concessão busca atrair R$ 10 bilhões em investimentos para a recuperação e duplicação de mais de 870 quilômetros de estradas, fundamentais para o escoamento da produção.

Sustentabilidade e exigências ambientais

O licenciamento ambiental da fábrica é considerado um dos mais rigorosos já realizados no estado. O Estudo de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) conta com mais de 8,6 mil páginas e estabelece a execução de 26 programas obrigatórios de mitigação, incluindo monitoramento da fauna e flora, controle de ruídos, qualidade do ar e gestão de resíduos.

Além disso, a Bracell mantém o Compromisso Um-Para-Um, que prevê a proteção de um hectare de floresta nativa para cada hectare de eucalipto plantado, reforçando as práticas ESG da companhia.

Vale da Celulose ganha identidade oficial

Paralelamente ao avanço industrial, o governo de Mato Grosso do Sul oficializou a denominação Vale da Celulose com a sanção da Lei nº 6.404, pelo governador Eduardo Riedel. A legislação reconhece formalmente o conjunto de municípios impulsionados pela cadeia produtiva da celulose como um território estratégico para o desenvolvimento econômico, social e logístico do Estado.

O Vale da Celulose abrange Água Clara, Aparecida do Taboado, Bataguassu, Brasilândia, Cassilândia, Inocência, Nova Alvorada do Sul, Paranaíba, Ribas do Rio Pardo, Santa Rita do Pardo, Selvíria e Três Lagoas, consolidando uma identidade regional que já responde pela maior parte da produção de celulose em Mato Grosso do Sul.

Com previsão de início das obras no primeiro semestre de 2026, Bataguassu já sente os reflexos do novo ciclo de desenvolvimento, com aquecimento do comércio, valorização imobiliária e expectativa de se tornar um dos novos motores da economia sul-mato-grossense.

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