A Bracell decidiu promover ajustes técnicos no projeto da futura fábrica de celulose em Bataguassu , adiando temporariamente o processo de obtenção da Licença de Instalação (LI) necessária para o início das obras.
A alteração ocorre após a empresa identificar que a área inicialmente prevista não comportaria toda a estrutura industrial planejada para o empreendimento.
Segundo informações confirmadas pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), a companhia retirou temporariamente a documentação protocolada para atualizar os estudos técnicos e adequar o projeto à nova área escolhida para implantação da unidade industrial.
Ajuste não compromete investimento bilionário
Apesar da revisão no cronograma, o projeto mantém sua relevância estratégica para o setor de base florestal. A futura unidade da Bracell em Mato Grosso do Sul tem investimento estimado em R$ 16 bilhões , sendo considerada uma das maiores iniciativas industriais atualmente previstas para o Estado.
A empresa já possui a Licença Prévia , aprovada pelo Conselho Estadual de Controle Ambiental (Ceca) em dezembro de 2025, etapa que reconhece a viabilidade ambiental do empreendimento. O próximo passo é justamente a obtenção da Licença de Instalação, que autoriza o início efetivo das obras.
De acordo com o secretário Artur Falcette, como o processo já estava em análise, a expectativa é que a empresa apresente a documentação complementar para que a tramitação seja retomada a partir da fase em que foi interrompida.
Projeto prevê duas linhas de produção
Conforme o Relatório de Impacto Ambiental (RIMA), a nova planta industrial da Bracell poderá operar com duas configurações produtivas.
A primeira prevê capacidade entre 2,8 milhões e 2,9 milhões de toneladas anuais de celulose kraft , matéria-prima utilizada principalmente pela indústria de papel. Já uma segunda configuração contempla a produção de 1,46 milhão de toneladas de celulose kraft e 1,147 milhão de toneladas de celulose solúvel , totalizando aproximadamente 2,6 milhões de toneladas por ano .
A produção de celulose solúvel é considerada um diferencial do projeto, uma vez que esse insumo possui aplicações na indústria têxtil, química e em diversos segmentos de transformação industrial.
Impacto econômico para o Vale da Celulose
O empreendimento integra o ciclo de expansão do chamado Vale da Celulose , região que concentra alguns dos maiores investimentos florestais e industriais do país.
Durante o pico das obras, a expectativa é de geração de aproximadamente 12 mil empregos temporários . Na fase operacional, a estimativa é de cerca de 2 mil empregos diretos , além dos impactos indiretos sobre transporte, serviços, comércio e cadeia florestal.
O projeto também prevê consumo anual próximo de 12 milhões de metros cúbicos de madeira de eucalipto , fortalecendo ainda mais a demanda por florestas plantadas na região leste de Mato Grosso do Sul.
Estrutura e localização
A futura fábrica deverá ser instalada às margens da BR-267 , a aproximadamente nove quilômetros da área urbana de Bataguassu. Além do município-sede, cidades como Três Lagoas , Água Clara, Ribas do Rio Pardo e Santa Rita do Pardo também deverão participar da cadeia de fornecimento de matéria-prima e serviços associados ao empreendimento.
A empresa é controlada pelo grupo Royal Golden Eagle (RGE) , conglomerado internacional que já atua em Mato Grosso do Sul por meio da MS Florestal e possui operações em diversos segmentos da cadeia de celulose e papel.
Mato Grosso do Sul fortalece liderança nacional
O avanço da indústria da celulose em Mato Grosso do Sul consolida o Estado como um dos principais polos globais do setor. Com projetos em operação, expansão e implantação, a região conhecida como Vale da Celulose vem atraindo investimentos bilionários, ampliando a base florestal e fortalecendo a competitividade brasileira no mercado internacional.
Embora o adiamento da Licença de Instalação represente uma mudança no cronograma original da Bracell, a revisão é tratada como uma adequação técnica dentro do processo de desenvolvimento do empreendimento e não altera, neste momento, a viabilidade do projeto.
