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Mercado global de celulose segue dividido entre pressão na China e estabilidade no Ocidente

Setor acompanha queda na demanda chinesa, enquanto Europa e Estados Unidos mantêm cenário mais equilibrado; empresas brasileiras seguem monitorando os próximos movimentos do mercado.

Redação - Vale Celulose - Três Lagoas 
30/06/26 às 07h59

O mercado global de celulose continua operando em dois ritmos distintos. Enquanto a China enfrenta um cenário de maior pressão sobre os preços da celulose , os mercados da Europa e dos Estados Unidos seguem apresentando maior estabilidade, sustentando parte das cotações internacionais e reduzindo os impactos sobre os grandes produtores.

De acordo com análise do Goldman Sachs , a China , principal referência mundial para a celulose de fibra curta , continua sendo o principal fator de influência sobre o comportamento do mercado. O banco destaca que os preços da commodity se aproximam de um patamar historicamente considerado um teto estrutural, em torno de US$ 600 por tonelada , nível que normalmente limita novas altas.

Apesar da relativa estabilidade registrada desde o fim do primeiro trimestre, os volumes negociados entre abril e maio permaneceram abaixo de 50% do volume considerado normal para o período. Mesmo com paradas programadas de manutenção reduzindo parte da oferta, as vendas continuaram inferiores à disponibilidade de produto, provocando aumento dos estoques nas fábricas.

Com o encerramento do trimestre em junho, a expectativa é de maior pressão para fechamento de novos contratos, porém os compradores chineses seguem adotando postura cautelosa, aguardando preços mais competitivos antes de recompor seus estoques.

Novas capacidades ampliam oferta de celulose

Outro fator observado pelo mercado é a entrada de novas capacidades de produção de celulose na China e na Indonésia até o final deste ano. A ampliação da oferta tende a aumentar a competição global e pode manter pressão sobre os preços internacionais até que ocorra uma recuperação mais consistente da demanda ou novos ajustes na produção mundial.

Segundo levantamento da consultoria RISI, empresas como Arauco e CMPC reduziram em US$ 20 por tonelada suas ofertas de celulose de fibra curta , levando os preços para aproximadamente US$ 580 por tonelada . Mesmo assim, a redução ainda não foi suficiente para estimular um aumento significativo das compras.

Os indicadores mais recentes da FOEX mostram que a celulose importada de fibra curta permaneceu estável em US$ 605 por tonelada na China. Já os preços domésticos recuaram entre 22 e 70 yuans por tonelada , ficando entre US$ 549 e US$ 556 por tonelada .

No segmento da celulose de fibra longa , houve redução de US$ 12 por tonelada , encerrando o período em US$ 641 por tonelada , enquanto os preços internos oscilaram entre US$ 584 e US$ 616 por tonelada .

Europa mantém mercado de celulose mais equilibrado

Enquanto a Ásia enfrenta um ambiente mais desafiador, o mercado europeu continua demonstrando maior estabilidade. Segundo análise do Banco Safra , a celulose de fibra curta apresentou valorização recente, enquanto a celulose de fibra longa permaneceu praticamente estável em torno de US$ 1.655 por tonelada .

Na avaliação do banco, os fundamentos da demanda europeia seguem mais sólidos, embora parte da valorização observada também reflita ajustes comerciais entre os preços de tabela e os valores efetivamente praticados nas negociações.

Empresas brasileiras acompanham cenário internacional

Mesmo diante da volatilidade do mercado global, o Banco Safra mantém uma visão positiva para a Suzano , considerada sua principal recomendação no setor, principalmente pela forte capacidade de geração de caixa e pelo processo acelerado de redução do endividamento.

Para a Klabin , a instituição avalia que as ações já incorporam um cenário mais conservador para os preços da celulose e para o câmbio, oferecendo uma relação entre risco e retorno considerada mais favorável aos investidores.

Já a CMPC aparece como a empresa menos atrativa na avaliação atual do banco, principalmente em função dos riscos relacionados ao seu novo ciclo de investimentos.

Vale da Celulose mantém competitividade diante do cenário global

Para o Vale da Celulose , em Mato Grosso do Sul , o momento reforça a importância da eficiência operacional e da competitividade das indústrias instaladas na região. Com grandes operações de empresas como Suzano , Eldorado Brasil , Arauco e novos investimentos em andamento, o polo sul-mato-grossense continua sendo um dos mais estratégicos do mundo para a produção de celulose .

Mesmo diante da pressão observada no mercado asiático, especialistas apontam que fatores como produtividade florestal, tecnologia, logística e custos competitivos colocam o Vale da Celulose em posição privilegiada para enfrentar os ciclos do mercado internacional, mantendo sua relevância na cadeia global da celulose e fortalecendo o protagonismo de Mato Grosso do Sul como referência mundial no setor.

 

 Com informações da Infomoney.

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