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Tarifa dos EUA ameaça exportações de tilápia e preocupa o Vale da Celulose

Piscicultura de Mato Grosso do Sul já sente os efeitos da taxação americana; governo federal cria comitê para buscar soluções e citricultura acompanha cenário com atenção.

Redação - Vale Celulose - Três Lagos 
22/06/26 às 07h50

O avanço da produção de tilápia transformou Mato Grosso do Sul em uma das novas potências da piscicultura brasileira . Impulsionada pela abundância de recursos hídricos dos rios Paraná, Sucuriú e dos reservatórios da Costa Leste, a atividade ganhou força nos últimos anos e passou a integrar a diversificação econômica do chamado Vale da Celulose .

Entretanto, a recente taxação imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros acendeu um sinal de alerta para toda a cadeia produtiva. O mercado norte-americano é atualmente o principal destino da tilápia brasileira , especialmente da produção industrializada destinada à exportação.

Dados do setor apontam que os Estados Unidos absorveram praticamente a totalidade das exportações de tilápia de Mato Grosso do Sul em 2025. O Estado exportou aproximadamente 1,98 milhão de quilos de pescado , representando cerca de 18% de todo o volume exportado pelo Brasil. Somente nos primeiros meses de 2026, as vendas internacionais continuaram em ritmo acelerado, reforçando a importância estratégica da atividade para a economia sul-mato-grossense.

Impactos já começam a ser sentidos

A preocupação deixou de ser apenas uma projeção. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca), os primeiros reflexos da taxação já atingem o setor. Compradores norte-americanos suspenderam negociações e interromperam embarques após o anúncio das novas tarifas.

O levantamento aponta que pelo menos 58 contêineres com cerca de 1.160 toneladas de pescado brasileiro perderam compradores nos Estados Unidos e precisarão ser redirecionados para outros mercados ou absorvidos pelo consumo interno.

A situação preocupa especialmente a cadeia da tilápia , já que aproximadamente 90% das exportações brasileiras da espécie têm como destino o mercado norte-americano . Os Estados Unidos respondem por cerca de 70% de todo o comércio internacional de pescado brasileiro.

Para os produtores do Vale da Celulose , o cenário exige cautela. A região tem ampliado investimentos em aquicultura , aproveitando a infraestrutura logística já consolidada pelo setor de celulose , criando novas oportunidades de geração de emprego, renda e exportações.

Vale da Celulose também se destaca na produção de peixes

Embora seja reconhecido mundialmente pela produção de celulose de eucalipto , o leste de Mato Grosso do Sul vem se consolidando como uma importante fronteira da produção de tilápia .

Municípios como Selvíria, Três Lagoas, Brasilândia, Aparecida do Taboado e Paranaíba possuem forte potencial para expansão da atividade. Selvíria, por exemplo, lidera a produção estadual com cerca de 9,7 mil toneladas anuais de tilápia .

A disponibilidade de água, o clima favorável e a proximidade com grandes mercados consumidores têm atraído investimentos para a industrialização do pescado, fortalecendo uma cadeia produtiva que pode se tornar uma das mais importantes do agronegócio regional.

Governo cria comitê interministerial

Diante dos impactos econômicos provocados pela taxação norte-americana, o Governo Federal anunciou a criação do Comitê Interministerial de Negociação e Contramedidas Econômicas e Comerciais .

Coordenado pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin , o grupo terá a missão de dialogar com os setores afetados e buscar alternativas para preservar a competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional.

Entre os segmentos convidados para as discussões estão representantes da indústria de pescados , da celulose , da citricultura , da madeira, siderurgia e outros setores exportadores.

O objetivo é encontrar soluções de curto prazo e, ao mesmo tempo, ampliar a presença dos produtos brasileiros em novos mercados internacionais, reduzindo a dependência dos Estados Unidos.

Citricultura também acompanha o cenário

Outro setor que observa atentamente as negociações é a citricultura de Mato Grosso do Sul . Nos últimos anos, o Estado passou a receber investimentos bilionários para implantação de pomares e agroindústrias ligadas à produção de laranja e suco concentrado .

Municípios do Vale da Celulose , como Três Lagoas, Ribas do Rio Pardo, Brasilândia e Bataguassu, estão entre as regiões que vêm registrando crescimento expressivo da atividade.

Especialistas alertam que eventuais barreiras comerciais aos produtos brasileiros podem gerar reflexos indiretos em toda a cadeia citrícola nacional. Como o Brasil lidera o mercado mundial de suco de laranja , qualquer redução na competitividade internacional pode afetar investimentos, produção e geração de empregos.

Diversificação será fundamental

Especialistas avaliam que o momento reforça a necessidade de ampliar mercados compradores para produtos brasileiros. Para Mato Grosso do Sul, que já se consolidou como potência na produção de celulose , avança na citricultura e cresce rapidamente na produção de tilápia , a diversificação das exportações será essencial para garantir segurança aos investimentos e continuidade do crescimento econômico.

Enquanto o governo busca alternativas diplomáticas e comerciais, produtores e indústrias acompanham com atenção os desdobramentos das negociações, cientes de que o futuro de importantes cadeias produtivas do Vale da Celulose poderá depender da capacidade de conquistar novos mercados além dos Estados Unidos.

 

 

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