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Acesso brasileiro à Bioceânica deve ficar pronto apenas em 2027

Ligação rodoviária e centro aduaneiro no lado brasileiro terão atraso superior a um ano em relação à ponte internacional.

Redação - Hojemais - Três Lagoas 
25/05/26 às 15h22
(Foto: Ponte que liga Brasil ao Paraguai - Imagem: Divulgação)

Enquanto o Paraguai acelera a reta final da construção da Ponte da Rota Bioceânica , ligando Porto Murtinho (MS) a Carmelo Peralta , no Paraguai, o lado brasileiro ainda enfrenta um cronograma mais lento. Segundo o DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) , o acesso viário nacional e o Centro Aduaneiro Integrado devem ficar prontos somente em dezembro de 2027.

A diferença de prazos evidencia um dos principais desafios para o início pleno das operações do corredor logístico internacional, considerado estratégico para o escoamento de cargas entre o Brasil e os portos do Pacífico.

De acordo com informações oficiais, o investimento brasileiro supera R$ 500 milhões , contemplando a implantação de 13,1 quilômetros de acesso rodoviário , além da estrutura alfandegária integrada entre os dois países.

Ponte entra na fase final e deve ser concluída em 2026

A construção da Ponte Bioceânica já ultrapassa 80% de execução e caminha para a fase de ligação definitiva entre os lados brasileiro e paraguaio, conhecida tecnicamente como “beijo das aduelas”.

Segundo o Governo de Mato Grosso do Sul, faltam pouco mais de 100 metros para o fechamento estrutural da ponte, previsto para ocorrer até maio de 2026. A entrega completa da obra está programada para agosto do mesmo ano.

Com 1.294 metros de extensão e aproximadamente 21 metros de largura , a estrutura estaiada é financiada pela Itaipu Binacional , margem paraguaia, com investimento superior a US$ 100 milhões .

Além da travessia internacional, o Paraguai também executa os acessos pavimentados até a rodovia PY-15 , considerada eixo fundamental do corredor continental.

Brasil ainda executa obras iniciais

Apesar do avanço da ponte, o lado brasileiro ainda concentra serviços considerados preliminares. As obras tiveram início apenas em setembro de 2024 e incluem terraplenagem, canteiros, estruturas de apoio e implantação das primeiras pontes do trecho.

O projeto federal prevê:

  • Construção de um viaduto na BR-267
  • Implantação de seis pontes
  • Contorno rodoviário em Porto Murtinho
  • Construção do Centro Aduaneiro Integrado
  • Ligação direta entre a BR-267 e a ponte internacional

Duas pontes do trecho já foram concluídas, incluindo as estruturas sobre o Rio Amonguijá e áreas de vazante da região pantaneira.

O centro aduaneiro, porém, ainda passa por adequações técnicas exigidas por órgãos de fiscalização federal. O espaço deverá reunir estruturas da Receita Federal , Polícia Federal , Anvisa , Vigiagro , PRF , ANTT e DNIT.

Rota Bioceânica pode reduzir em até 17 dias transporte para a Ásia

A Rota Bioceânica , também chamada de Corredor Bioceânico de Capricórnio , conectará Brasil, Paraguai, Argentina e Chile em um corredor de mais de 3 mil quilômetros entre os oceanos Atlântico e Pacífico.

A expectativa é de redução de até 30% nos custos logísticos e diminuição de até 17 dias no transporte de mercadorias para mercados asiáticos , especialmente para exportações brasileiras destinadas à China.

O projeto é visto como estratégico para setores como:

  • Celulose
  • Agronegócio
  • Mineração
  • Proteína animal
  • Logística internacional
  • Exportações industriais

Para Mato Grosso do Sul, a nova rota fortalece o papel do Estado como eixo logístico sul-americano, ampliando a competitividade das cadeias exportadoras.

Autoridades destacam impacto econômico da rota

Durante debates sobre o corredor internacional, o coordenador nacional dos Corredores Bioceânicos do Ministério das Relações Exteriores, João Carlos Parkinson de Castro , afirmou que a rota possui potencial bilionário para o comércio regional.

“Temos aqui um potencial de desvio de comércio importante, de US$ 2 bilhões”, declarou o ministro em evento sobre segurança rodoviária e logística internacional.

O governador Eduardo Riedel também declarou recentemente que Mato Grosso do Sul vem acelerando investimentos em infraestrutura rodoviária para garantir integração ao corredor.

Segundo o governo estadual, mais de R$ 2 bilhões estão sendo aplicados em obras de pavimentação e modernização de rodovias ligadas à rota.

Porto Murtinho se prepara para transformação logística

Com cerca de 13 mil habitantes, Porto Murtinho deverá se transformar em uma das principais portas de entrada da logística internacional brasileira.

A prefeitura já iniciou obras urbanas, melhorias na infraestrutura turística e projetos voltados à ampliação da capacidade de atendimento para o aumento esperado no fluxo de caminhões, turistas e investidores.

Dados da Receita Federal apontam que o corredor poderá iniciar operações com fluxo estimado de 250 caminhões por dia , número que tende a crescer conforme a consolidação da rota comercial.

Especialistas avaliam que o sucesso definitivo da Rota Bioceânica dependerá da sincronização entre ponte, aduanas, acessos rodoviários e sistemas de fiscalização nos quatro países envolvidos.


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