O mundo precisa acelerar a redução das emissões de gases de efeito estufa para evitar consequências ainda mais graves das mudanças climáticas. Um novo relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) aponta que as emissões globais devem cair 18% até 2030, 45% até 2035 e 69% até 2040, em comparação com os níveis registrados em 2025.
O levantamento, divulgado em outubro de 2026 e repercutido nesta segunda-feira (2), mostra que ainda existe a possibilidade de limitar o pico do aquecimento global a uma faixa entre 1,7°C e 1,8°C e retornar ao patamar de 1,5°C até o final do século. Entretanto, alcançar esse objetivo exige mudanças profundas nas políticas ambientais, na produção industrial e no consumo de energia.
Para isso, o planeta precisaria reduzir as emissões em uma média de 5,7% ao ano entre 2025 e 2035, ritmo superior ao previsto nos compromissos climáticos atualmente assumidos pelos países.
Aquecimento global pode chegar a 2,8°C
O documento, intitulado Relatório sobre a Lacuna de Emissões 2026: O Ponto de Retorno, alerta que, caso as políticas atuais sejam mantidas, a temperatura média global poderá subir 2,8°C ao longo deste século.
Mesmo com o cumprimento integral dos compromissos nacionais de redução de emissões, conhecidos como NDCs, o aquecimento projetado ainda chegaria a aproximadamente 2,6°C.
Entre os principais riscos apontados estão o aumento da frequência e da intensidade de ondas de calor, incêndios florestais, alterações nos regimes de chuva, derretimento de geleiras e elevação do nível dos oceanos.
Esses fenômenos representam ameaças diretas à disponibilidade de água, à produção agrícola, à biodiversidade e à estabilidade econômica de diferentes regiões do planeta.
Indústria de celulose ganha importância no debate ambiental
No Brasil, as metas internacionais de redução de emissões também colocam em evidência o papel da indústria de papel e celulose, especialmente em regiões de forte expansão florestal e industrial, como o Vale da Celulose, em Mato Grosso do Sul.
A região concentra investimentos bilionários em fábricas, infraestrutura logística e produção de celulose de eucalipto, atividades que dependem diretamente da disponibilidade de recursos naturais e de condições climáticas favoráveis.
Nesse cenário, práticas como manejo florestal sustentável, conservação de vegetação nativa, utilização de biomassa para geração de energia, eficiência energética e redução do consumo de combustíveis fósseis ganham relevância estratégica.
As florestas plantadas também participam do ciclo de captura e armazenamento de carbono durante seu crescimento. Entretanto, os benefícios climáticos precisam ser avaliados considerando todo o ciclo produtivo, incluindo operações florestais, processamento industrial, transporte e destino dos produtos.
A expansão da produção, portanto, precisa estar acompanhada de tecnologias e medidas capazes de reduzir as emissões efetivas da cadeia industrial.
Energia limpa e políticas ambientais apresentam resultados
Apesar do cenário preocupante, o relatório da ONU apresenta exemplos de medidas que já demonstraram resultados positivos.
A análise de mais de 220 avaliações de políticas climáticas identificou que iniciativas voltadas ao setor elétrico conseguiram reduzir as emissões em aproximadamente 9%, em média.
Instrumentos econômicos, como a precificação do carbono e os sistemas de comércio de emissões, também apresentaram reduções entre 5% e 13% nos contextos avaliados.
Os resultados reforçam a importância de investimentos em energias renováveis, modernização industrial e tecnologias de baixo carbono para acelerar a transição para uma economia mais sustentável.
Sustentabilidade será decisiva para o futuro do Vale da Celulose
Para o setor de celulose em Mato Grosso do Sul, o alerta internacional reforça a necessidade de conciliar crescimento econômico, competitividade industrial e responsabilidade ambiental.
Com a expansão das atividades florestais e a implantação de novos empreendimentos, a região poderá ampliar sua participação nas discussões sobre economia de baixo carbono, logística sustentável e preservação dos recursos naturais.
A adoção de tecnologias mais eficientes, a redução das emissões industriais e a proteção da biodiversidade são caminhos importantes para fortalecer a competitividade do setor diante das exigências ambientais internacionais.
O desafio será transformar o crescimento da produção de celulose em desenvolvimento econômico acompanhado de resultados ambientais mensuráveis.
