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Greve dos caminhoneiros preocupa setor de celulose e coloca logística nacional em alerta

Mobilização nacional pressiona o Senado pela votação da MP do Frete. Uma eventual paralisação pode impactar o transporte de madeira, insumos e celulose, especialmente em Mato Grosso do Sul, um dos principais polos florestais do país.

Redação - Vale Celulose - Três Lagoas 
14/07/26 às 07h50

A possibilidade de uma greve dos caminhoneiros voltou a mobilizar o setor de transportes e acendeu um sinal de alerta para a cadeia produtiva da celulose no Brasil. Caminhoneiros autônomos de diversas regiões do país iniciaram uma mobilização nacional para pressionar o Senado Federal a votar a Medida Provisória (MP) nº 1.343/2026 , conhecida como MP do Frete , antes que ela perca a validade nesta quinta-feira (16).

O movimento é liderado pela Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), presidida por Wallace Landim, o "Chorão", uma das principais lideranças nacionais da categoria. Segundo a entidade, caso a medida provisória expire sem votação, novas mobilizações poderão ser convocadas, inclusive uma possível paralisação nacional dos caminhoneiros .

Até o momento, não há confirmação de uma greve nacional nem registros de bloqueios generalizados em rodovias federais. As ações realizadas nesta semana consistem em manifestações organizadas em pontos estratégicos, como portos, centros de distribuição e locais de concentração de transportadores, com o objetivo de chamar a atenção do Congresso Nacional para a pauta.

O que prevê a MP do Frete

A MP do Frete foi editada pelo Governo Federal para fortalecer a Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas, criada após a greve dos caminhoneiros de 2018.

Entre os principais dispositivos da medida estão:

  • reforço da fiscalização sobre o cumprimento do piso mínimo do frete ;
  • obrigatoriedade do registro das operações por meio do CIOT (Código Identificador da Operação de Transporte) ;
  • ampliação das penalidades para contratantes que realizarem fretes abaixo dos valores estabelecidos pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) .

Para os caminhoneiros autônomos , a aprovação da medida é considerada essencial para garantir remuneração mínima e combater a concorrência desleal no setor.

Vale da Celulose acompanha cenário com atenção

A mobilização é acompanhada de perto pelo setor de florestas plantadas e pela indústria da celulose , que depende do transporte rodoviário para movimentar diariamente madeira, cavacos, biomassa, insumos químicos e a própria celulose destinada aos portos de exportação.

No Vale da Celulose , em Mato Grosso do Sul, empresas como Suzano , Arauco e outros empreendimentos florestais utilizam milhares de viagens de caminhões todos os dias para abastecer fábricas, transportar madeira das áreas de manejo e garantir o escoamento da produção.

Embora as operações ocorram normalmente neste momento, uma eventual greve dos caminhoneiros poderá provocar atrasos na logística, aumento dos custos de transporte, impactos no abastecimento industrial e reflexos sobre toda a cadeia florestal e de exportação.

Além do setor de celulose , segmentos como o agronegócio, a indústria, o comércio e a distribuição de combustíveis também acompanham as negociações com atenção, devido à forte dependência do transporte rodoviário no Brasil.

Prazo termina nesta quinta-feira

O Senado Federal tem até o dia 16 de julho para votar a MP do Frete . Caso a proposta não seja apreciada dentro do prazo constitucional, ela perderá a validade.

Enquanto o Congresso analisa a matéria, representantes dos caminhoneiros , transportadoras, produtores rurais e empresas da indústria da celulose seguem monitorando o cenário. Até o momento, não há confirmação de paralisação nacional, mas o movimento mantém a pressão sobre o Legislativo e não descarta novas mobilizações caso a reivindicação não seja atendida.

A expectativa é de que uma definição ocorra nos próximos dias, evitando impactos sobre um dos principais sistemas logísticos do país e preservando o fluxo de cargas essenciais para a economia brasileira, especialmente para o setor de celulose , um dos maiores responsáveis pelo superávit da balança comercial do Brasil.

 

 

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