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Brasil poderá ter até 127 dias de calor extremo por ano até 2075

Projeções climáticas apontam avanço das ondas de calor e reforçam necessidade de adaptação nos setores florestal, industrial, energético e logístico.

Redação - Vale Celulose - Três Lagoas 
15/07/26 às 07h46
(Foto: Temperaturas acima dos 45º - Imagem: Ilustrativa)

O Brasil poderá enfrentar até 127 dias de calor extremo por ano até 2075 , número mais de 20 vezes superior aos cerca de seis dias registrados atualmente. A projeção faz parte de um levantamento elaborado pela plataforma de inteligência climática i4sea, que analisou os possíveis efeitos das mudanças climáticas sobre diferentes regiões do país.

Para chegar aos resultados, o estudo aplicou mais de 26 modelos climáticos globais ao território brasileiro, incluindo dados do Instituto Max Planck de Meteorologia. As informações foram detalhadas regionalmente para projetar cenários de temperatura e eventos extremos nas próximas cinco décadas.

Segundo o levantamento, a temperatura máxima média do Brasil poderá subir 1,7°C até 2075. Em algumas localidades, porém, o aumento poderá chegar a 7°C, ampliando a frequência e a intensidade das ondas de calor .

Centro-Oeste poderá ter 107 dias de calor extremo

A projeção chama atenção especialmente para o Centro-Oeste , região que concentra importantes áreas agrícolas, florestais e industriais, incluindo o chamado Vale da Celulose , em Mato Grosso do Sul.

De acordo com o estudo, a temperatura máxima média da região poderá aumentar cerca de 2°C. O número de dias classificados como de calor extremo poderá passar dos atuais cinco para aproximadamente 107 dias por ano até 2075.

Esse cenário poderá exigir maior planejamento por parte das empresas ligadas à produção de celulose , ao cultivo de florestas de eucalipto , ao transporte rodoviário e às operações industriais. Entre os possíveis desafios estão a proteção dos trabalhadores, o aumento do risco de incêndios florestais, a disponibilidade de água, o consumo de energia e a manutenção da produtividade das operações.

Região Norte aparece como a mais exposta

A Região Norte aparece como a área mais vulnerável no levantamento. A temperatura máxima média poderá subir 2,8°C, enquanto o número de dias de calor extremo poderá chegar a 193 por ano.

Rondônia lidera o ranking estadual de aumento de temperatura, com alta projetada de 3,95°C. Acre e Roraima aparecem em seguida, com elevações estimadas de 3,36°C e 3,16°C, respectivamente.

Em Roraima, a previsão indica até 250 dias de calor extremo por ano , o equivalente a aproximadamente dois terços do calendário anual.

Na Região Sul, apesar de o aumento médio projetado ser menor, de aproximadamente 1,1°C, a quantidade de dias extremamente quentes poderá passar de quatro para 38 por ano.

Ondas de calor poderão afetar operações

O levantamento também aponta a possibilidade de o país registrar até 13 ondas de calor por ano . A mudança deverá impactar diretamente setores como energia , infraestrutura , saúde , logística , agricultura e indústria.

Para atividades florestais, o aumento das temperaturas poderá elevar o risco de incêndios em áreas de eucalipto , exigir mudanças nos horários das equipes de campo e ampliar a necessidade de tecnologias de monitoramento climático.

Já nas unidades industriais, as altas temperaturas poderão influenciar sistemas de refrigeração, consumo de energia, armazenamento de produtos e condições de segurança ocupacional.

Na avaliação da plataforma responsável pelo estudo, o calor tende a deixar de ser um fenômeno apenas sazonal e deverá passar a integrar permanentemente o planejamento estratégico das empresas. A recomendação é que organizações antecipem investimentos em infraestrutura, adaptação de processos e proteção dos trabalhadores.

Planejamento climático ganha importância

Diante das projeções, empresas do setor de celulose e papel deverão considerar os riscos climáticos em seus planos de expansão, manejo florestal, logística e continuidade operacional.

Medidas como prevenção de incêndios, monitoramento de umidade e temperatura, uso eficiente da água, proteção de áreas de conservação e capacitação das equipes poderão ser fundamentais para reduzir os impactos do aquecimento global sobre a produção.

O estudo reforça que a adaptação climática não deverá ser tratada apenas como uma questão ambiental, mas também como uma estratégia econômica e operacional para garantir segurança, produtividade e sustentabilidade nas próximas décadas.

Fonte: Agência Brasil

 

 

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