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MP investiga aumento de atropelamentos de animais silvestres em rodovias de Três Lagoas

Promotor aponta subnotificação, cobra responsabilização de concessionárias e alerta para riscos à fauna e à segurança viária.

Andressa de Paula - Hojemais Três Lagoas
30/01/26 às 14h55

A morte recorrente de animais silvestres nas rodovias da região de Três Lagoas acendeu um alerta no Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS). Diante do cenário, foi instaurado um inquérito civil para apurar o aumento de atropelamentos, além de possíveis falhas na remoção de carcaças deixadas às margens das pistas.

O procedimento também busca esclarecer a responsabilidade dos órgãos ambientais e das concessionárias que administram as rodovias. Em entrevista, o promotor de Justiça Antonio Carlos afirmou que os dados oficiais não representam a realidade observada diariamente por motoristas que trafegam pela região.

Segundo números da Polícia Rodoviária Federal (PRF), entre 2020 e 2025 foram registrados apenas 16 atropelamentos de animais nas rodovias investigadas. Para o MPMS, contudo, esse número está longe de refletir o quadro real.

“Trabalhamos com a hipótese de que esses dados representam apenas a ponta do iceberg. É impossível falar em 16 atropelamentos em cinco anos quando, em um único trajeto, encontramos vários animais mortos às margens das rodovias”, destacou o promotor.

Promotor de Justiça, Antônio Carlos Garcia de Oliveira (Foto: Hojemais Três Lagoas)

As rodovias BR-158 e BR-262 concentram tráfego intenso de veículos leves e pesados, situação agravada pela expansão da atividade rural e pelo crescimento do setor de celulose na região. Esse aumento no fluxo impacta diretamente o habitat natural da fauna silvestre, que acaba sendo empurrada para áreas próximas às estradas.

Entre as principais vítimas estão anta, tamanduá-bandeira e tamanduá-mirim, espécies que, em alguns casos, constam em listas de ameaça. De acordo com o Ministério Público, a fragmentação das áreas verdes e a supressão da vegetação dificultam a locomoção e a alimentação dos animais, que passam a circular com maior frequência pelas rodovias. “A fauna está perdida. Os animais não encontram mais áreas verdes, reservas ou alimento e acabam parando às margens das estradas, onde o risco de atropelamento é enorme”, explicou Antonio Carlos.

Além do impacto ambiental, o MPMS chama atenção para os riscos à segurança viária. Colisões com animais de grande porte podem causar acidentes graves e até mortes. Nesses casos, o entendimento do órgão é de que pode haver responsabilização do poder público. “Se um veículo colide com uma anta e uma família perde a vida, é evidente que houve falha na manutenção e na adequação da rodovia”, afirmou o promotor.

Outro ponto crítico é a ausência de estruturas de proteção à fauna, como passagens subterrâneas, cercas direcionadoras e sinalização específica. Segundo o MPMS, muitas rodovias da região são antigas e não receberam investimentos compatíveis com as exigências ambientais atuais.

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