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Suzano busca celulose a US$ 600, mas nova oferta pode pressionar preços em 2027

Estoques menores na China e custos mais elevados da madeira favorecem recuperação no curto prazo, enquanto entrada de novas fábricas, entre elas o Projeto Sucuriú em MS, muda as perspectivas para o próximo ano.

Redação - Portal Vale Celulose - Três Lagoas 
07/10/26 às 15h06
(Foto: Fabrica daSuzano em Ribas do Rio Pardo - Reprodução)

O mercado internacional de celulose entra no último trimestre de 2026 com sinais de recuperação nos preços, mas também com atenção redobrada para o cenário que começa a se desenhar em 2027. A Suzano tenta implementar uma nova rodada de reajustes e levar a celulose de fibra curta ao patamar de US$ 600 por tonelada na China , principal referência para o mercado global.

A avaliação consta em relatório do BTG Pactual repercutido pela Exame após encontro de analistas do banco com executivos da Suzano durante conferência em Nova York. A companhia conseguiu implementar o reajuste anunciado para setembro e avançou para uma nova tentativa de aumento em outubro.

O cenário de curto prazo é considerado mais favorável, principalmente pela redução dos estoques de celulose nos portos chineses, pelo encarecimento da madeira na Ásia e pela retirada de capacidade produtiva do mercado.

Madeira mais cara ajuda celulose brasileira

Um dos fatores que vêm alterando a dinâmica do mercado está justamente no custo da matéria-prima na China.

O preço da madeira importada pelo país asiático chegou a aproximadamente US$ 220 por tonelada , depois de permanecer entre US$ 170 e US$ 180 por tonelada alguns meses antes.

Esse avanço reduz a competitividade de determinadas fábricas chinesas integradas. Segundo o relatório, produtores que tradicionalmente utilizam celulose própria passaram a adquirir produto da Suzano, indicando que, em algumas operações, comprar celulose no mercado tornou-se mais competitivo do que produzi-la internamente.

A redução da oferta também contribui para esse movimento. Cerca de 1,3 milhão de toneladas de capacidade de produção de celulose de fibra longa foram permanentemente retiradas do mercado .

Outro fator foi o adiamento da entrada em operação do projeto OKI II, da Asia Pulp & Paper, para 2027.

Com menos produto disponível e estoques menores na China, a indústria encontrou espaço para tentar recuperar preços, mesmo diante de uma economia chinesa que ainda inspira cautela.

O desafio começa em 2027

Se o curto prazo apresenta sinais mais positivos, a perspectiva para 2027 é mais complexa.

O próximo ano deverá marcar a entrada de uma quantidade significativa de nova capacidade produtiva no mercado mundial. Entre os projetos citados estão o OKI II , novas capacidades integradas na China e o Projeto Sucuriú, da Arauco, em Inocência, Mato Grosso do Sul .

O ponto de atenção está na diferença entre o crescimento da oferta e o avanço do consumo.

A demanda estrutural por celulose cresce em ritmo estimado entre 1 milhão e 1,5 milhão de toneladas por ano . Caso as novas capacidades previstas entrem efetivamente em operação dentro dos cronogramas, o aumento da oferta poderá superar o crescimento do consumo.

Esse desequilíbrio tende a aumentar a competição entre produtores e pode limitar novos reajustes ou pressionar novamente as cotações internacionais.

Nesse ambiente, fechamentos de fábricas menos competitivas, paradas comerciais de produção e eventuais atrasos na implantação de novos projetos poderão ser importantes para o equilíbrio entre oferta e demanda.

Custo de novas fábricas cria um piso para o mercado

Existe, porém, outro elemento que pode ajudar a sustentar os preços no médio e longo prazo: construir uma nova fábrica de celulose ficou significativamente mais caro.

Terras, florestas, madeira, construção, equipamentos e financiamento elevaram o volume de capital necessário para novos projetos.

Segundo informações da administração da Suzano citadas no relatório, um novo projeto de celulose na América Latina precisaria trabalhar com preços da fibra curta acima de US$ 630 por tonelada para alcançar retornos semelhantes aos historicamente registrados pela indústria.

Esse cenário reduz o incentivo para uma nova onda de grandes investimentos depois dos projetos atualmente em implantação.

Preços muito baixos durante períodos prolongados também poderiam pressionar produtores de maior custo e tornar menos atraente o investimento de bilhões de dólares em novas unidades.

Mato Grosso do Sul no centro desse novo ciclo

As mudanças no mercado internacional têm impacto direto sobre Mato Grosso do Sul, que se consolidou como um dos principais polos brasileiros da indústria de base florestal.

A Suzano mantém no Estado grandes operações em Três Lagoas e Ribas do Rio Pardo . Somente o complexo de Três Lagoas possui capacidade produtiva aproximada de 3,25 milhões de toneladas de celulose por ano .

Ribas do Rio Pardo também ganhou peso estratégico após a implantação da nova fábrica da companhia, que possui capacidade para aproximadamente 2,55 milhões de toneladas anuais .

Ao mesmo tempo, Inocência prepara-se para receber o Projeto Sucuriú, da Arauco, ampliando ainda mais a participação sul-mato-grossense na oferta mundial de celulose.

Isso significa que o comportamento dos preços internacionais em 2027 será acompanhado de perto não apenas pelas grandes companhias, mas também por fornecedores, transportadoras, prestadores de serviços e municípios que passaram a ter parte relevante de sua economia vinculada à cadeia florestal.

Mercado testa até onde a recuperação pode chegar

No curto prazo, o movimento aponta para uma recuperação. A tentativa de levar a celulose de fibra curta novamente aos US$ 600 por tonelada mostra que produtores enxergam espaço para recomposição dos preços.

O cenário de 2027, entretanto, será um teste para essa recuperação.

Com novas fábricas entrando no mercado e uma demanda crescendo de forma mais moderada, a competitividade de cada operação — especialmente custos florestais, logística, produtividade e eficiência industrial — deverá ganhar ainda mais importância.

Para produtores brasileiros de baixo custo, essa diferença poderá ser decisiva para atravessar um eventual período de maior oferta global.

Fonte: Exame, com informações de relatório do BTG Pactual e dados da Suzano.

 

 

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