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Preços da celulose caem 1,41% enquanto biocombustíveis sobem 4,88%

Indústria de celulose registra segunda queda consecutiva nos preços, enquanto etanol avança e evidencia contrastes entre setores estratégicos da economia de Mato Grosso do Sul.

Redação - Portal Vale Celulose - Três Lagoas 
27/10/26 às 15h52

A indústria de celulose e papel registrou queda de 1,41% nos preços ao produtor em setembro de 2026, enquanto o setor de refino de petróleo e biocombustíveis apresentou valorização de 4,88%. Os números, divulgados nesta terça-feira (27) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelam comportamentos distintos entre dois segmentos importantes para a economia de Mato Grosso do Sul.

Os dados fazem parte do Índice de Preços ao Produtor (IPP), que acompanha a evolução dos preços praticados pelas indústrias brasileiras. Em setembro, o indicador geral avançou 1,54%, acumulando crescimento de 5,04% nos primeiros nove meses do ano.

Celulose registra segunda queda consecutiva

O segmento de celulose, papel e produtos derivados apresentou retração de 1,41% em setembro, após registrar queda de 0,43% em agosto. Apesar dos resultados negativos nos dois meses, a atividade mantém valorização acumulada de 0,79% em 2026 e crescimento de 1,40% na comparação com setembro do ano passado.

A movimentação dos preços merece atenção especial em Mato Grosso do Sul, que se consolidou como um dos principais polos de produção de celulose do Brasil, com operações da Suzano em Três Lagoas e Ribas do Rio Pardo, além da construção da fábrica da Arauco em Inocência, por meio do Projeto Sucuriú.

O comportamento das cotações internacionais da celulose, especialmente nos mercados da China e Europa, exerce influência sobre as perspectivas de receita, competitividade e exportações das fabricantes brasileiras.

Entretanto, os indicadores do IBGE são nacionais e abrangem diferentes produtos da atividade industrial. Dessa forma, a retração de 1,41% não representa necessariamente a mesma variação no preço da tonelada de celulose comercializada pelas empresas sul-mato-grossenses.

Exportações de celulose sustentam economia de MS

Mesmo diante da retração recente dos preços industriais, a cadeia produtiva da celulose mantém posição de destaque na balança comercial de Mato Grosso do Sul.

Dados do Observatório da Indústria da Fiems apontam que as exportações de celulose e papel de Mato Grosso do Sul movimentaram aproximadamente US$ 2,45 bilhões entre janeiro e setembro de 2026, crescimento de 2% em relação ao mesmo período do ano anterior.

O segmento permanece entre os principais responsáveis pelas exportações industriais do Estado, demonstrando sua importância para a geração de divisas, atração de investimentos e desenvolvimento econômico regional.

A expansão da atividade também impulsiona setores associados, como logística, transporte ferroviário, produção florestal, infraestrutura e prestação de serviços industriais, fortalecendo a participação de Mato Grosso do Sul no mercado internacional.

Etanol apresenta valorização de 4,88%

Na direção oposta à celulose, o setor brasileiro de refino de petróleo e biocombustíveis registrou alta de 4,88% em setembro, uma das maiores variações entre as 24 atividades industriais analisadas pelo IBGE.

O resultado foi influenciado pelo comportamento dos preços do etanol anidro, etanol hidratado, gasolina e outros derivados de petróleo.

Em Mato Grosso do Sul, a produção de etanol alcançou 3,56 bilhões de litros entre janeiro e agosto de 2026, crescimento de 18,1% em relação ao mesmo período do ano anterior. O desempenho coloca o Estado entre os quatro maiores produtores nacionais.

Os resultados demonstram que, embora os dois segmentos tenham participação relevante na economia estadual, enfrentam condições distintas de mercado, demanda e formação de preços.

Mercado internacional exige atenção da indústria de celulose

A diferença entre os indicadores reforça a necessidade de acompanhar o comportamento do mercado global de celulose, especialmente diante da ampliação da capacidade industrial instalada em Mato Grosso do Sul.

Entre os principais fatores que influenciam as perspectivas do setor estão a demanda chinesa por celulose, as negociações internacionais de preços, a variação cambial, os custos logísticos e a entrada de novas capacidades produtivas no mercado mundial.

A ampliação da produção brasileira, impulsionada por grandes projetos industriais, fortalece a posição do país entre os principais fornecedores globais de celulose de fibra curta de eucalipto, mas também exige atenção ao equilíbrio entre oferta e demanda.

Embora a retração registrada em setembro represente um sinal de atenção para o setor, os resultados acumulados das exportações demonstram que a indústria de papel e celulose continua sendo estratégica para a economia de Mato Grosso do Sul.

Para os próximos meses, o desafio das empresas será conciliar a expansão da produção com condições comerciais capazes de preservar a competitividade, a rentabilidade e a participação brasileira no mercado internacional de celulose.

 

 

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