A indústria brasileira de celulose deu mais um passo importante em seu processo de expansão. A multinacional chilena CMPC recebeu a Licença Prévia (LP) para implantação do Projeto Natureza, empreendimento estimado em R$ 27 bilhões, que prevê a construção de uma nova fábrica de celulose em Barra do Ribeiro, no Rio Grande do Sul.
A autorização foi emitida pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) em 22 de outubro e entregue oficialmente pelo governo gaúcho na sexta-feira (23). O investimento é considerado pelo governo estadual o maior aporte privado já anunciado na história do Rio Grande do Sul.
A nova unidade terá capacidade estimada de produzir 2,5 milhões de toneladas de celulose por ano, ampliando a participação da companhia no mercado internacional de fibras de eucalipto.
Projeto prevê milhares de empregos e expansão industrial
Além da construção da fábrica, o Projeto Natureza contempla investimentos em infraestrutura logística, operações florestais e estruturas destinadas ao escoamento da produção.
Segundo as estimativas divulgadas pela CMPC, o empreendimento poderá gerar aproximadamente 12 mil empregos durante a fase de construção e cerca de 6 mil postos de trabalho na etapa operacional, considerando as diferentes atividades associadas ao complexo.
A companhia já mantém uma unidade industrial em Guaíba, também no Rio Grande do Sul, com capacidade aproximada de 2,4 milhões de toneladas anuais de celulose.
Com a nova planta, a empresa poderá praticamente dobrar sua capacidade instalada no estado, fortalecendo sua posição entre os grandes produtores do setor.
Logística e exportações recebem investimentos
Um dos principais diferenciais do empreendimento será a integração entre a produção industrial e a infraestrutura de transporte.
O planejamento inclui a implantação de um terminal próprio de exportação de celulose no Porto de Rio Grande, com investimento estimado em R$ 1,5 bilhão, além de melhorias rodoviárias e estruturas de apoio à movimentação de cargas.
A estratégia busca ampliar a competitividade da celulose brasileira no mercado internacional, especialmente por meio de ganhos logísticos e maior eficiência no transporte até os terminais de exportação.
A expansão também deverá movimentar fornecedores de equipamentos, serviços industriais, construção civil e operações florestais, criando oportunidades para empresas ligadas à cadeia produtiva da celulose.
Licenciamento ambiental ainda terá novas etapas
Apesar do avanço, a Licença Prévia não autoriza o início imediato das obras. A CMPC ainda precisará obter a Licença de Instalação, além de cumprir as exigências ambientais estabelecidas pelos órgãos responsáveis.
O processo de licenciamento foi marcado por questionamentos do Ministério Público Federal (MPF) relacionados à consulta de comunidades indígenas, quilombolas e pescadores artesanais potencialmente afetados.
A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) emitiu manifestação favorável à viabilidade ambiental do projeto na fase de planejamento, permitindo o avanço da análise administrativa.
A expectativa apresentada anteriormente pela companhia é iniciar as obras em 2027, condicionada às autorizações necessárias e à decisão definitiva de investimento, com perspectiva de operação até o final de 2029.
Expansão reforça protagonismo do Brasil no mercado de celulose
O avanço do Projeto Natureza reforça o movimento de ampliação da capacidade produtiva da indústria brasileira, que vem recebendo investimentos bilionários em novas fábricas, infraestrutura ferroviária, operações florestais e terminais portuários.
Em Mato Grosso do Sul, esse processo também ganha destaque com a presença de grandes fabricantes, como Suzano, em Três Lagoas e Ribas do Rio Pardo, e a implantação do Projeto Sucuriú, da Arauco, em Inocência.
A entrada de novas capacidades produtivas deverá ampliar a oferta brasileira de celulose nos próximos anos, ao mesmo tempo em que exigirá atenção ao equilíbrio entre produção, demanda internacional, preços e custos logísticos.
Para o setor, a evolução desses empreendimentos representa uma oportunidade de fortalecimento das exportações, desenvolvimento regional e consolidação do Brasil como um dos principais polos mundiais da indústria de celulose de fibra curta.
