Mato Grosso do Sul possui 597 mil hectares de vazio fundiário , áreas sem titularidade declarada no Cadastro Ambiental Rural (CAR) . O dado, divulgado em levantamento repercutido pelo Correio do Estado, acende um alerta para o setor florestal , especialmente para a cadeia do eucalipto , que depende de segurança jurídica , financiamento e certificação ambiental.
O Estado possui atualmente cerca de 1,8 milhão de hectares de florestas plantadas , com previsão de crescimento para 2,5 milhões de hectares até 2028 , segundo dados do governo estadual. A expansão estimada gira em torno de 40% nos próximos anos, impulsionada por novos investimentos industriais no Vale da Celulose .
Mato Grosso do Sul abriga um dos maiores polos de produção de celulose do mundo, com operações concentradas principalmente em Três Lagoas e Ribas do Rio Pardo . Esse crescimento exige ampliação ordenada da base florestal, o que depende diretamente da regularização fundiária das áreas utilizadas.
Peso econômico da celulose
O setor de celulose em Mato Grosso do Sul é um dos motores da economia estadual. Produtos florestais responderam por aproximadamente US$ 2,85 bilhões em exportações do agronegócio em 2025, com a celulose representando quase a totalidade desse volume.
O segmento participa com cerca de 17,8% do PIB industrial do Estado e movimenta milhares de empregos diretos e indiretos ao longo da cadeia produtiva.
No cenário nacional, a celulose brasileira movimentou aproximadamente US$ 10,6 bilhões em exportações em 2024 , reforçando a importância estratégica da produção instalada no Estado.
Onde o vazio fundiário impacta
A existência de áreas sem titularidade declarada pode afetar o setor em diferentes frentes.
Crédito e financiamento
O ciclo do eucalipto dura de seis a sete anos. Para viabilizar plantios, produtores dependem de crédito rural . Sem matrícula regularizada, as áreas não podem ser usadas como garantia, o que limita financiamentos e pode elevar o custo do capital.
Planejamento logístico
A indústria de celulose depende de fornecimento contínuo de madeira . Áreas com indefinição jurídica dificultam a consolidação de mosaicos florestais, o planejamento de corredores logísticos e a expansão territorial estratégica.
Certificações e mercado externo
Empresas exportadoras operam sob padrões internacionais rigorosos de governança ambiental e rastreabilidade. Irregularidades fundiárias podem comprometer certificações, gerar questionamentos jurídicos e criar riscos reputacionais no mercado externo.
Impacto no Vale da Celulose
O Vale da Celulose em MS vive um ciclo de forte expansão industrial. Projeções indicam que novos investimentos podem gerar até 100 mil empregos diretos e indiretos , ampliando a relevância do setor na economia regional.
Se parte do vazio fundiário for regularizada, os impactos positivos podem incluir ampliação da base produtiva, maior arrecadação estadual, segurança jurídica para investidores e crescimento sustentável da silvicultura .
Por outro lado, a manutenção da indefinição fundiária pode gerar travamento de projetos, redução da competitividade e aumento do risco regulatório.
O vazio fundiário revela um desafio estrutural para o desenvolvimento do agronegócio sul-mato-grossense . Em um Estado líder na produção de celulose, a regularização fundiária é estratégica para sustentar a expansão das florestas plantadas, fortalecer o Vale da Celulose e garantir competitividade internacional.
