O governo federal anunciou a zeragem de impostos federais sobre o diesel e a criação de um mecanismo de subsídio temporário para reduzir os efeitos da alta internacional do petróleo no preço do combustível no Brasil.
A medida foi anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva como parte de uma estratégia para conter o avanço dos custos logísticos e evitar que o aumento do diesel pressione ainda mais a inflação e os preços de produtos transportados no país.
Segundo estimativas do Ministério da Fazenda, a redução de tributos pode gerar impacto aproximado de R$ 0,32 por litro no preço do diesel . Com a criação do subsídio emergencial, o efeito total de redução pode chegar a cerca de R$ 0,64 por litro , dependendo da variação das cotações internacionais do petróleo.
Diesel influencia toda a cadeia logística
O diesel é o principal combustível do transporte de cargas no Brasil. A matriz logística nacional depende majoritariamente do modal rodoviário, o que torna a economia sensível às oscilações do preço do combustível.
Quando o valor do diesel sobe, os custos são rapidamente repassados para o frete rodoviário, impactando o transporte de alimentos, insumos industriais e produtos destinados à exportação.
Por esse motivo, políticas de controle ou compensação de preços do diesel costumam ter reflexos diretos na competitividade da economia e no custo logístico das cadeias produtivas.
Impactos no transporte de madeira e celulose
A medida também afeta diretamente setores que dependem de transporte rodoviário intensivo, como a indústria florestal e a cadeia de produção de celulose.
No Brasil, o transporte de madeira das áreas de plantio até as fábricas ocorre majoritariamente por caminhões. O custo logístico representa uma parcela significativa do valor da madeira entregue às plantas industriais.
Cada carreta utilizada no transporte florestal pode transportar cerca de 25 toneladas de toras de eucalipto , utilizadas na produção de celulose. O combustível é um dos principais componentes do custo do frete nesse tipo de operação.
Oscilações no preço do diesel podem impactar:
· o custo do transporte de madeira
· o frete de celulose até terminais ferroviários
· o escoamento da produção até portos exportadores
· a competitividade da celulose brasileira no mercado internacional
Mato Grosso do Sul é polo estratégico da celulose
A influência do preço do diesel é especialmente relevante em regiões produtoras como Mato Grosso do Sul, que se consolidou como um dos principais polos da indústria de celulose do Brasil.
O estado concentra grandes áreas de florestas plantadas de eucalipto e importantes complexos industriais voltados à produção e exportação de celulose.
Dados do setor indicam que Mato Grosso do Sul responde por uma parcela significativa das exportações brasileiras de celulose, com milhões de toneladas embarcadas anualmente para mercados da Europa, América do Norte e Ásia.
Nesse cenário, o custo do combustível influencia diretamente o transporte de madeira entre as áreas florestais e as fábricas, além do deslocamento da celulose até corredores logísticos que conectam a produção aos portos de exportação.
Setor produtivo acompanha regulamentação
Apesar do anúncio das medidas, empresas do setor logístico e da indústria florestal ainda aguardam a regulamentação completa do subsídio e a definição do prazo de vigência da política.
Especialistas apontam que a efetividade da iniciativa dependerá do tempo de duração do programa e da evolução do preço do petróleo no mercado internacional.
Enquanto isso, setores exportadores como o de celulose acompanham os desdobramentos da política de combustíveis, já que o diesel continua sendo um dos principais fatores de custo na logística da cadeia florestal brasileira.
