O avanço das mudanças climáticas e a ocorrência de fenômenos extremos, como o El Niño , têm colocado o setor florestal em estado de atenção.
No Vale da Celulose , região que engloba municípios como Três Lagoas, Ribas do Rio Pardo, Inocência, Água Clara, Selvíria e Brasilândia, especialistas alertam que as alterações no regime de chuvas e o aumento das temperaturas podem impactar diretamente a produtividade das florestas de eucalipto , matéria-prima essencial para a produção de celulose .
Mato Grosso do Sul consolidou-se nos últimos anos como uma das principais potências mundiais do setor. O Estado abriga algumas das maiores fábricas de celulose do planeta e possui milhões de hectares destinados ao cultivo florestal. No entanto, o cenário climático vem impondo novos desafios para empresas, produtores e pesquisadores.
O fenômeno El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial e costuma provocar alterações significativas no clima brasileiro. No Centro-Oeste, seus efeitos geralmente estão associados a períodos de estiagem prolongada, ondas de calor e redução da umidade do solo.
Para as florestas de eucalipto , esses fatores podem resultar em estresse hídrico e térmico , comprometendo o crescimento das árvores. A menor disponibilidade de água afeta o desenvolvimento radicular, reduz o ganho de biomassa e pode impactar a produtividade das áreas plantadas.
Além disso, o aumento das temperaturas e a redução das chuvas elevam significativamente o risco de incêndios florestais , uma das maiores preocupações do setor. Nos últimos anos, empresas e entidades ligadas à cadeia florestal intensificaram campanhas de conscientização e monitoramento, como o programa Fogo Zero , buscando reduzir ocorrências e minimizar prejuízos ambientais e econômicos.
Adaptação já é realidade no campo
Diante dos novos cenários climáticos, a indústria florestal vem acelerando investimentos em tecnologia e inovação. Entre as principais estratégias está o desenvolvimento de clones de eucalipto mais resistentes à seca e ao calor , resultado de pesquisas de melhoramento genético conduzidas por empresas e instituições de pesquisa.
Outra frente importante envolve técnicas de manejo que aumentam a retenção de umidade no solo, preservam matéria orgânica e reduzem perdas de água. O monitoramento climático por satélite e o uso de ferramentas de inteligência de dados também passaram a fazer parte da rotina das operações florestais.
Debate ambiental ganha força
O avanço das florestas plantadas na Costa Leste de Mato Grosso do Sul também amplia o debate sobre sustentabilidade e uso dos recursos hídricos. Especialistas defendem que o crescimento do setor deve estar alinhado à conservação do Cerrado , à proteção das nascentes e à adoção de práticas cada vez mais eficientes no uso da água.
Apesar dos desafios, o setor avalia que a capacidade de adaptação e os investimentos em pesquisa colocam o Vale da Celulose em posição estratégica para enfrentar os efeitos das mudanças climáticas. O consenso entre especialistas é que compreender os impactos do El Niño e antecipar medidas de mitigação será fundamental para garantir a competitividade de uma das cadeias produtivas mais importantes da economia sul-mato-grossense.
