Um estudo internacional publicado na revista científica Science concluiu que os agrotóxicos utilizados atualmente estão mais nocivos ao meio ambiente do que nas últimas décadas.
A pesquisa analisou dados de 625 pesticidas em 201 países e identificou aumento significativo na chamada Toxicidade Total Aplicada (TAT), indicador que combina volume de uso e potencial de dano ambiental.
O levantamento foi conduzido por pesquisadores internacionais, incluindo cientistas da Universidade de Kaiserslautern-Landau , na Alemanha, e repercutido no Brasil pela Agência Brasil .
Segundo os autores, a substituição de compostos antigos por novas formulações não significou redução de risco ambiental. Pelo contrário, os dados indicam que a toxicidade potencial aumentou, especialmente para organismos não-alvo.
Impacto na biodiversidade e nos ecossistemas
O estudo aponta que o aumento da toxicidade dos pesticidas pode afetar:
- Polinizadores , como abelhas e outros insetos
- Organismos do solo
- Espécies aquáticas
- Microfauna essencial ao equilíbrio ecológico
Os pesquisadores alertam que o crescimento da toxicidade contraria metas globais de redução de riscos ambientais previstas em acordos internacionais até 2030.
Especialistas envolvidos na pesquisa destacam que o indicador TAT é relevante porque considera não apenas a quantidade aplicada, mas o potencial real de dano das substâncias, ampliando a compreensão sobre os efeitos cumulativos dos produtos químicos no ambiente.
Reflexos em florestas de eucalipto e no setor florestal
No Brasil, além das lavouras alimentares, o debate alcança também as florestas plantadas de eucalipto , que utilizam defensivos para controle de pragas e doenças.
O país é um dos maiores produtores mundiais de celulose e mantém extensas áreas de eucalipto, especialmente em estados como Mato Grosso do Sul. Nessas regiões, o manejo é regulamentado e segue protocolos técnicos, mas especialistas ambientais alertam que o uso inadequado pode gerar impactos indiretos na fauna, no solo e em cursos d’água próximos.
Embora o estudo internacional não traga dados específicos sobre plantações de eucalipto, pesquisadores indicam que os efeitos ambientais da toxicidade acumulada de agrotóxicos podem atingir diferentes tipos de cultivo, incluindo sistemas florestais comerciais.
Debate sobre regulação e sustentabilidade
O avanço da toxicidade reacende o debate sobre políticas de regulação, reavaliação periódica de registros e incentivo ao manejo integrado de pragas.
Para especialistas, o desafio é equilibrar produtividade agrícola e florestal com preservação ambiental, especialmente diante de exigências crescentes de certificações internacionais e compromissos de ESG assumidos por empresas do setor agroindustrial e florestal.
A discussão também envolve a necessidade de ampliar pesquisas sobre alternativas menos agressivas e tecnologias que reduzam a dependência química.
O estudo reforça que o simples avanço tecnológico na formulação de defensivos não garante redução de impactos ambientais. O aumento da toxicidade dos agrotóxicos exige atenção de autoridades, produtores e da comunidade científica para que o crescimento do setor agrícola e florestal esteja alinhado à preservação da biodiversidade e à sustentabilidade de longo prazo.
